30 de jun. de 2010
um dia atrás do outro dia atrás do outro
1.
Cotidiano, coito de ânus, fode com a gente.
2.
Cafuçu cheio de graça do trabalho do wans, só cutucando onça com vara curta no sentido vegetal da palavra.
Liga em casa hoje mas wans está a comer um lanche:
Ele: 'Eae? Tudo bem?'
Eu: 'Tudo e você? Comeu o bolo?' (dia anterior, fizera um bolo de xocolahteh para levar no meu trabalho e wans ao dele)
Ele: 'Nossa! Tava maravilhoso, uma delícia'
Eu: 'Agora só falta comer meu cú!'
Ele ri todo sem jeito.
28 de jun. de 2010
de frente pro crime...
O vestido, a bandeira, os dentes à mostra, as plumas, os sapatos (apertados), os gestos, a corte.
Os camarotes, arquibancada, o som, o suor, a pressa, as notas, o gracejo.
Roda a bandeira, solta a mão, faz reverência, circunda a rainha em sentido anti-horário como para fazer o tempo voltar, beija a bandeira como se fosse a rainha, olho no olho, compreensão.
Passo marcado, gira de novo, mais uma vez, apressa o passo, roda, roda e roda mais uma vez.
Mais reverência, mais compasso, mais bateria, suor, sabor.
Passa o meio, passam três quartos, reta final, cansaço, tontura, alívio, pressão.
Risos, abraços, olho no olho, freio de mão. Do meio da roupa brilhante, saca o revólver e com dois tiros mata sua dama.
Sangue, tumulto, bandeira no chão.
Chega em casa José onde o espera a esposa com um prato de arroz, feijão, bife, fritas e salada.
o arroz foi feito com seu cérebro branco.
o feijão com as migalhas de seus sonhos
o bife com o fígado da parceira
as fritas com os dedos do filho seco
e a salada com as almas dos três
temperadas com o choro caseiro em moto perpétuo
o arroz foi feito com seu cérebro branco.
o feijão com as migalhas de seus sonhos
o bife com o fígado da parceira
as fritas com os dedos do filho seco
e a salada com as almas dos três
temperadas com o choro caseiro em moto perpétuo
maria sentou-se na poltrona ao lado de josé.
a tv jorrava o noticiário sem dar tempo para réplicas.
josé semi-deitado encara o aparelho com apatia.
maria o observa, cândida em seus chinelos gastos e vestido barato.
olha para a tv, pega o prato com restos de comida à sua frente e se levanta.
josé continua desligado.
maria olha para josé mais uma vez e diz:
'Não tem açúcar pro café.....' pausa dramática inútil de milésimos de segundo.
'....e estou grávida' completa retumbante.
maria sai da sala.
josé muda de canal
a tv jorrava o noticiário sem dar tempo para réplicas.
josé semi-deitado encara o aparelho com apatia.
maria o observa, cândida em seus chinelos gastos e vestido barato.
olha para a tv, pega o prato com restos de comida à sua frente e se levanta.
josé continua desligado.
maria olha para josé mais uma vez e diz:
'Não tem açúcar pro café.....' pausa dramática inútil de milésimos de segundo.
'....e estou grávida' completa retumbante.
maria sai da sala.
josé muda de canal
26 de jun. de 2010
tic tac
O estilo de vida que levamos nos impõe uma condição futura quase inescapável: solidão. Alguns poderão escapar dela de forma auto infligida ou por capricho do destino mas os que sobrarem terão, em sua grande parte, de encará-la e prestar-lhe contas.
Isso não se restringe ao nosso meio, não tema ser mais uma sina por gostarmos de meninos. Os 'normais' gozam da mesma sorte ainda que ponham rebentos no mundo na triste esperança de que estes, no futuro cinza, lhes dêem a recompensa por trazido aqui tê-los e feito com que vingassem.
Herança ocidental nefasta que põe uma letra escarlate sobre os mais velhos enxergando neles um peso, fardo e aborrecimento sem fim ao invés de referência, gratidão, conhecimento e aprendizado. Colocamos eles de escanteio, como um brinquedo que não mais uso deve ter e só serve para acumular pó e ocupar espaço.
Sexta, fomos à padaria e, enquanto pagávamos a conta, um senhor com claras dificuldades de locomoção me pediu se poderia ajudá-lo a descer o (para mim) pequeno degrau que separava o estabelecimento da calçada.
Disse que sim, claro e ajudei-o a descer deixando-o encostado numa parede. Voltei para ver Wans onde estava e, ao saírmos, o senhor ainda estava lá e, meio que sen jeito, pediu se poderíamos ajudá-lo a atravessar a rua ao que mais uma vez disse sim.
Fomos entao eu o guiando e Wans ao lado e conversando. Ele contando que era diabético e que a causa de seus problemas de locomoção era justamente a doença. Atravessamos a rua e íamos deixá-lo seguir adiante mas, por essas coisas da vida, essas decisões que tomamos a esmo mas, na verdade, tomadas pelo coração mole que, apesar de embalado em capa cáustica, não sabe dizer não, perguntei onde ele morava e ele, creio que mostrando alívio por não ter de seguir só, disse que morava alguns metros a frente (quilômetros para ele) e, então, nos oferecemos para levá-lo até a porta de casa.
No caminho, ele nos contou que morava só, em frente ao minhocão (Elevado Costa e Silva no centro velho de SP) e os filhos o viam raramente. Disse morar ali há mais de 26 anos e que, certo dia, não sabia dizer como, caíra da cama e não conseguia levantar-se tanto pelo tombo em si como por sua dificuldade em mover-se normalmente.
Segundo ele, ficou assim pois dois dias quando finalmente alguém veio em seu socorro. Nesse ponto, o deixamos na porta de casa e seguimos nosso caminho mas não pude conter o choro que brotou icontrolável lá do fundo.
Não cabe aqui pensar se era ou não verídica a narrativa dele, resultado da senilidade ou qualquer doença degenerativa que espera apenas ficarmos velhos para nos mostrar seus dentes. Fato é que, como ele, tantos outros estão, neste mesmo momento, caídos no chão, conversando com a tv, comendo sozinhos ou vivendo em um mundo de lembranças posto que o presente nada mais quer com eles e o futuro nem mesmo quer saber de sua existência.
Não quero ficar assim, não vou ficar assim e não quer que vocês ou meu Wans fiquem pois é uma crueldade sem igual. Penso então que não vejo meu pai tanto quanto deveria ou gostaria e que apenas quando ele não puder mais me ver é que vou me dar conta disso e eu vou saber que é tarde demais.
Assim, se você ainda pode, vá ver os seus velhos (sejam eles quem forem) o quanto antes pois amanhã será você esperando por nada mais que uma visita e um abraço.
Isso não se restringe ao nosso meio, não tema ser mais uma sina por gostarmos de meninos. Os 'normais' gozam da mesma sorte ainda que ponham rebentos no mundo na triste esperança de que estes, no futuro cinza, lhes dêem a recompensa por trazido aqui tê-los e feito com que vingassem.
Herança ocidental nefasta que põe uma letra escarlate sobre os mais velhos enxergando neles um peso, fardo e aborrecimento sem fim ao invés de referência, gratidão, conhecimento e aprendizado. Colocamos eles de escanteio, como um brinquedo que não mais uso deve ter e só serve para acumular pó e ocupar espaço.
Sexta, fomos à padaria e, enquanto pagávamos a conta, um senhor com claras dificuldades de locomoção me pediu se poderia ajudá-lo a descer o (para mim) pequeno degrau que separava o estabelecimento da calçada.
Disse que sim, claro e ajudei-o a descer deixando-o encostado numa parede. Voltei para ver Wans onde estava e, ao saírmos, o senhor ainda estava lá e, meio que sen jeito, pediu se poderíamos ajudá-lo a atravessar a rua ao que mais uma vez disse sim.
Fomos entao eu o guiando e Wans ao lado e conversando. Ele contando que era diabético e que a causa de seus problemas de locomoção era justamente a doença. Atravessamos a rua e íamos deixá-lo seguir adiante mas, por essas coisas da vida, essas decisões que tomamos a esmo mas, na verdade, tomadas pelo coração mole que, apesar de embalado em capa cáustica, não sabe dizer não, perguntei onde ele morava e ele, creio que mostrando alívio por não ter de seguir só, disse que morava alguns metros a frente (quilômetros para ele) e, então, nos oferecemos para levá-lo até a porta de casa.
No caminho, ele nos contou que morava só, em frente ao minhocão (Elevado Costa e Silva no centro velho de SP) e os filhos o viam raramente. Disse morar ali há mais de 26 anos e que, certo dia, não sabia dizer como, caíra da cama e não conseguia levantar-se tanto pelo tombo em si como por sua dificuldade em mover-se normalmente.
Segundo ele, ficou assim pois dois dias quando finalmente alguém veio em seu socorro. Nesse ponto, o deixamos na porta de casa e seguimos nosso caminho mas não pude conter o choro que brotou icontrolável lá do fundo.
Não cabe aqui pensar se era ou não verídica a narrativa dele, resultado da senilidade ou qualquer doença degenerativa que espera apenas ficarmos velhos para nos mostrar seus dentes. Fato é que, como ele, tantos outros estão, neste mesmo momento, caídos no chão, conversando com a tv, comendo sozinhos ou vivendo em um mundo de lembranças posto que o presente nada mais quer com eles e o futuro nem mesmo quer saber de sua existência.
Não quero ficar assim, não vou ficar assim e não quer que vocês ou meu Wans fiquem pois é uma crueldade sem igual. Penso então que não vejo meu pai tanto quanto deveria ou gostaria e que apenas quando ele não puder mais me ver é que vou me dar conta disso e eu vou saber que é tarde demais.
Assim, se você ainda pode, vá ver os seus velhos (sejam eles quem forem) o quanto antes pois amanhã será você esperando por nada mais que uma visita e um abraço.
24 de jun. de 2010
mais perto...
Sou contra todo tipo de radicalismo ainda que, às vezes, possa expressar minhas opiniões de forma um tanto enfática.
Acho que qualquer militância deve primar pelo bom senso pois corre o risco de assumir o lado oposto de sua luta. Isso posto, sou obviamente contra os gueis xiitas, os que vêem em tudo homofobia ou que acham que pela força é que vamos fazer a sociedade nos entender (veja, disse entender e não aceitar pois ninguém é obrigado em absoluto a aceitar nada mas, no mínimo, respeitar) e nos dar os direitos que são inerentes a qualquer cidadão independente de sua cor, credo, orientação sexual.
Acho que passamos por algum tipo de momento de definição. As portas estão entreabertas para nossos direitos e estamos já com meio pé na soleira. Resta saber como vamos forçar a entrada e acho que o movimento passa agora por essa decisão. Não se pode esperar muito dos políticos muito menos dos candidatos à presidência pois o discurso dos mesmos quanto à homofobia e união civil entre gueis é padronizado e demagógico salvo Marina que, como bem disse o 2Lost, expôs claramente sua opinião ainda que, penso eu, isso vá lhe custar caro mais a frente.
Porém, vejo como um avanço enorme o simples fato de estarmos discutindo o assunto o que era impensável há dez ou menos anos e, se tivermos uma liderança engajada e articulada, é o momento de se fazer valer pois corremos o risco de perder o bonde da história. Acho mesmo que se não perdermos esse ‘timing’, dentro de mais dez anos (estimativa otimista) viveremos em um lugar bem diferente e mais próximo de cidade como Amsterdam. O maior entrave é e sempre será o Estado de Fé que insiste em existir no Brasil, um país que se proclama Católico (nenhum outro país, exceto os islâmicos acho, proclamam seguir algum tipo de fé) sendo que já possui grande parte de sua população protestante.
O entrave não se deve, vejam bem, ao segmente da fé que é seguido mas a fé em si. O Estado deve ser laico, é coisa pública e deve zelar pelos deveres e direitos dos cidadãos e gerir o país da forma mais eficiente possível e não preocupar-se com os pecados destes ou se estes vivem de acordo com as escrituras ou não. Para isso existem as igrejas, a única escritura que deve reger o Estado é a Carta Magna e as leis do país, nada mais, nada menos.
Enquanto carregarmos essa ranço do passado que, comprovadamente, não funciona, pouco evoluiremos no quesito dos direitos seja para qual minoria for.
saudosa maloca...
Acho que meu post sobre o centro velho causou em mim certa onda de nostalgia. Há algum tempo planejo tirar fotos dos lugares que um dia foram, de alguma maneira, importantes para mim e que hoje não existem mais por completo ou transmutaram-se em alguma outra coisa.
Para essa empreitada, não vou usar nada digital. Vou usar a Olympus 35LC que herdei do meu pai, de filme mesmo e muito provavelmente as fotos serão P&B o que acho coerente pois vou falar do passado. Eis alguns de meus alvos:
Burger & Beer, Rave, Baguetti, Ferro’s Bar, Corsário, Bloom, Allegro e por aí vai.
Wait and see.
Assinar:
Postagens (Atom)
lembranças aleatórias não relacionadas com a infância
Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...
-
Não somos muito espiritualizados aqui em casa. No máximo é isso aqui: Não sou ateu, se tivesse de me classificar, preferiria agnósti...
-
20 anos. Muito tempo ou pouco, questão de referencial, melhor, existencial. Antes primordial entender o que duas décadas fazem ou tentara...
-
E=mc² ou os fatos são como são avessos à passagem do tempo, normas ortografopragmáticas, ortopédicas, modismos, midialismos ou telefonem...




