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1 de nov. de 2019

LOS ANGELES NOVEMBRO 2019

Estamos, a partir de hoje, oficialmente no mundo idealizado em BLADE RUNNER.

Toda a trama do filme se passa em Novembro de 2019 o que, à época - o filme é de 1982 - era um futuro muito distante.

O filme segue extremamente atual, dizem que uma obra (seja ela qual for) tem seu real valor comprovado quando submetida ao peso do passar dos anos, poucas resistem a tal processo,muitas acabam tornando-se datadas ou anacrônicas ante a velocidade incrível e inexorável do tempo, tecnologia e tecidos sociais o que não é culpa delas nem motivo de demérito, elas apenas refletiram um momento no tempo que não existe mais ou, arriscaram previsões que acabaram por mostrar-se fantasia pura ou totalmente imprecisas.

No caso de BLADE RUNNER, arrisco dizer que praticamente tudo segue extremamente atual e válido:

1. Chamadas de vídeo: existem, vide FACE TIME e outros meios de comunicação.

2. Carros voadores: ainda são apenas um sonho mas, se você está por dentro dos avanços tecnológicos, deve saber que existem iniciativas nesse sentido que já produziram alguns modelos totalmente operacionais.

3. Decadência das cidades e superpopulação: se você vive numa grande metrópole como São Paulo, em alguns momento à noite a cidade pode parecer e muito com a Los Angeles do filme As cidades estão numa situação limite de poder acomodar a quantidade crescente de pessoas que vivem nelas e não apenas elas mas o mundo como um todo. A crise migratória que assola o planeta pode muito em breve tornar real a visão de mundo exposta no filme.

4. Grandes corporações: não precisa ser um grande gênio para perceber que nossas vidas são governadas não pelas autoridade de fato mas, pelas grandes corporações vide Facebook, Google, Apple, Unilever, Nestlé e por aí vai. Essas corporações dominam nossas vidas de formas que pouco conseguimos entender constituindo um poder dentro do poder que desconhecemos e jamais vemos os rostos.

5. Inteligência artificial: talvez o ponto mais longe da realidade do filme se considerarmos androides ou replicantes como os do filme, estamos muito distantes de tal coisa mas, em termos de IA, de forma geral e guardadas algumas proporções, estamos bem avançados vide os algoritmos que regem nossa vida digital e como eles permitem que as empresas e os governos saibam mais sobre nós do que nós mesmos.

Esses são apenas alguns aspectos, no mais, o mundo 2019 de hoje pode não ser o de BLADE RUNNER mas certamente tem problemas muito piores como por exemplo, o avanço do conservadorismo e de regimes de extrema direita.

Seria interessante daqui a outros 37 anos fazer uma nova comparação para ver o quão mais perto ou distante da realidade de BLADE RUNNER estaremos.

28 de fev. de 2015

LLAP



O que forma e molda nossos gostos é mescla, penso, de bagagem genética que nos predispõe a uns e menos a outros e da formação que recebemos seja no seio da família ou na interação com o mundo. Lembro vividamente quando iniciei minha vida cinematográfica e foi com 'Star Wars' no mais que extinto Cine República (não aquele de pegação, caros, era cinema mesmo) onde hoje reside um estacionamento sempre lotado de carros espectadores da métropole que, faminta, devora todos os espaços e memórias.

Foi o suficiente para que o DNA da Ficção Científica aderisse ao meu e nunca mais soltasse. Depois vieram outros tantos como 'Alien', '2001' todos assistidos na tela grande, orgulho em dizer! E depois veio a TV onde as séries de FC enchiam as tardes da minha geração ao invés de filmes sem sabor, séries sem qualquer conteúdo ou roteiro e esses desenhos ou animações que todos insistem em idolatrar mas que possuem a profundidade de uma cereja.

Acho que as pessoas que comungam e comungaram dessa minha criação e empatia com as estrelas, são hoje pessoas mais felizes e que ainda sonham e realizam coisas que maioria não almeja. Talvez eu esteja em debulhando em um saudosismo ridículo, quem sabe? Mas, a morte de Leonard Nimoy deixou um vácuo imenso em pessoas como eu, que foram criadas acreditando em armas de raios, tele-transporte, naves que viajam à velocidade da luz, outros mundos, outras espécies e, acredito mesmo que boa parte dos cientistas, cineastas e escritores do gênero atuais tiveram certamente sua dose de inspiração com 'Star Trek' e a lógica do Sr. Spock.

O personagem foi o passaporte para a eternidade de Nimoy e sua 'maldição' já que nunca conseguiu se desvincilhar dele ainda que não o tenha renegado mas antes abraçado como legado participando alegra e ativamente de convenções de fãs pelo mundo afora. Pessoalmente, acho que o personagem era delicioso pois mostrava como em nós a razão e emoção lutam eternamente e como é difícil encontrar o equilíbrio entre elas. Além disso, havia uma camada indelével de preconceito travestido de humor já que Spock era meio vulcano e meio humano o que o tornava um ser sem identidade definida, repleto de emoções humanas que seus conterrâneos desprezavam e dotado de uma lógica fria e maquinal que estarrecia seus pares humanos.

Acima de tudo, não só ele como a série 'Star Trek' ajudou a popularizar a ciência e a tornar as pessoas mais compreensivas e menos preconceituosas já que a tripulação da Enterprise era multiétnica.

A vida sem ele será não menos longa ou próspera mas certamente muito mais chata.

11 de fev. de 2015

Berçário

Acabei por esses dias:



Clarke compõe, ao lado de Asimov e K.Dick o que considero a santíssima trindade da ficção científica. No caso de Clarke, ele parece ter certa obsessão sobre a evolução da raça humana mas em quesitos pouco relacionados ao Darwinismo ou qualquer conceito relativo à evolução das espécies.

É como se a raça humana pudesse apenes evoluir até um certo ponto seguindo tais teorias sendo preciso, para o próximo passo evolutivo, os cuidados de uma raça superior que seria incumbida de vigiar as menos desenvolvidas como nós até o ponto em que estivéssemos prontos para abraçar as estrelas (pessoalmente acho jamais ocorrerá já que considero o gênero humano como a pior aberração já posta na face do planeta, digna mesmo da extinção cabal e sumária).

Impossível não ouvir os ecos de '2001', a humanidade está prestes a se embrenhar nas estrelas, talvez descobrir coisas e segredos que apenas deuses e astronautas de verdade (não esse povo que mal conheceu a Lua) conhecem e podem entender. Então, uma raça alienígena chega para mostrar que não é bem assim e que se a humanidade deseja mesmo conhecer o que há nas estrelas e além delas, terá de fazê-lo de uma forma pouco ortodoxa.

Talvez essa mesma inteligência extraterrestre seja o mais próximo que cheguemos de Deus, do criador e se assim for, faria todo sentido que nosso planeta fosse um imenso berçário e os que nos visitam, não nossos progenitores mas suas babás zelosas para que no momento em que estejamos realmente prontos, possamos nos unir ao criador em uma instância mais elevada.

Não posso deixar de comparar também com 'Sweet Tooth' no quesito evolutivo da coisa no caso deste livro específico. Novamente, a humanidade serve meramente de substrato para o próximo patamar evolutivo lhe sendo permitido apenas compreender um pedaço ínfimo do plano completo mesmo porque, os alienígenas-babás também conhecem apenas parte desse mesmo todo, mais do que nós e menos do que quem lhes 'contratou' para função.

Nesse ponto, volta aquela sensação de melancolia e certeza de nossa finitude antes um futuro imensamente maior do nós mesmos seja como indivíduos ou raça. No fim, há mesmo esperança de tocar o divino e finalmente conhecer senão todas ao menos algumas das respostas.


lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...