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19 de mai. de 2020

Around the world in a day




Muitos artistas, depois de um trabalho que os eleva ao patamar de super estrelas com aprovação de público e crítica, enfrentam o desafio ingrato de parir o próximo trabalho com a sombra do anterior a lhe fazer ameaça. Como se o artista fosse obrigado e repetir aquele êxito e fórmula para deixar não apenas fãs mas a indústria satisfeitos.

Prince ainda estava na ressaca de 'Purple Rain' quando, em 1985, lançou 'Around the world in a day'.

O disco anterior havia catapultado Prince para o olimpo estelar, o filme foi um sucesso estrondoso e a trilha sonora vendeu, na época, mais de dezessete milhões de cópias ao redor do mundo, ainda hoje é um dos discos mais vendidos. Price sentia sobre os ombros o peso de repetir o sucesso e o mundo e a indústria prendiam a respiração pois não eram poucos os casos de artistas que haviam naufragado gloriosamente ante tamanha pressão.

Mas, estamos falando de Prince, não de um pop icon qualquer.

Enquanto a gravadora cobrava pelo sucessor de PR, ele secretamente (mantendo segredo até mesmo de sua própria banda) compunha o sucessor do mega sucesso. Influenciado por uma mix tape que os irmãos de Lisa e Wendy haviam gravado inspirados, por sua vez, na fase psicodélica dos Beatles - sempre eles -, Prince começou a desenhar o que viria a ser ATWIAD e só passou a envolver a banda quando o disco estava praticamente todo concebido, típico, não deveria ser fácil trabalhar com Prince que tocava todos os instrumentos, arranjava, compunha, produzia, escrevia e tudo mais. Por outro lado, ter em seu currículo participação em qualquer trabalho com Prince era ambição de muitos músicos.

Reza a lenda que Prince concebeu ATWIAD como resposta a indústria da música e o sucesso estrondoso de PR, ele chegara ao topo e, pelo jeito, não havia gostado que tinha visto por lá. Indomável, recusou-se a fazer algo como PURPLE RAIN II, não era de seu feitio repetir fórmulas; para ele, cada trabalho era uma oportunidade de explorar outros ritmos e tipos de composição.

Já ao final da era PR, ele dava indícios de que a cultura pop que o endeusava não era suficiente para ele e, durante várias entrevistas chegou a informar que, ao final das turnês de PR ele se aposentaria para procurar pela escada (the ladder). Ao que parece, ele percebeu que havia chegado a uma encruzilhada: ou seguia pelo caminho de PR vendendo sua alma a indústria ou seguia seus instintos e fazia a música que lhe desse na telha.

Para nossa sorte, ele escolheu o segundo.

ATWIAD não tem absolutamente nada de PR, quem ouviu o disco esperando uma continuação com certeza quebrou a cara. Conheço muitos supostos fãs que torceram o nariz pois esperavam outro disco recheado de pérolas pop e grudentas. Lamento, exceto por RASPBERRY BERET e POP LIFE, o disco tem pouco a oferecer para ouvidos sedentos de canções fáceis ou baladas açucaradas.

O disco, a pedido de Prince, teve quase nenhuma promoção, ele estava determinado a fugir da bocarra da indústria que havia sentido seu gosto em PR e estava querendo mais. Esquece. Prince não ia se vender por tão pouco.

A própria capa já é uma afirmação, seu nome e da banda aparecem no mesmo logo da gravadora que acabar de fundar PAISLEY PARK, quase indecifrável e tanto ele como membros da banda aparecem em várias poses s situações remetendo ao Sgt Peppers e também aos temas abordados nas faixas do disco. Talvez uma das melhores capaz já feitas, arrisco dizer.

Musicalmente, ATWIAD mescla de tudo um pouco, logo de cara você é arrebatado por ritmos que vem talvez da Índia ou oriente médio mas a voz dele rasga tudo e o coro de fundo engata algum tipo de gospel, ele pede que você abra sua mente e seus olhos pois vai te levar para uma viagem.

Depois dessa abertura tapa na cara, ele passa o resto do disco falando de temas como sucesso, drogas, desigualdade social, sexo, Deus, tentação, redenção, amores perdidos e por aí vai.

Paisley Park é uma balada agridoce sobre encontrar um lugar onde podemos ser felizes sem ter que pagar por isso, quase se arrasta como um domingo de sol e preguiça.

Condition of the heart é uma balada jazz ácida onde Prince toca rodos os instrumentos e faz todas a vozes, uma das melhores que ele já fez.

Raspberry Beret, bem, dispensa comentários.

Tamborine, aqui ele liga o foda-se e traz uma das faixas mais experimentais que já compôs, novamente ele canta e toca todos os instrumentos num rap seco e cheio de conotações sexuais.

America é um rock simples e rasgado onde Prince tece um cenário real sobre os anos Reagan.

Pop Life é isso, um pop simples mas extremamente bem feito e que fala sobre as condições da vida pop que ele vislumbrou após PR e recusou a seguir.

The Ladder é seu momento de busca e reflexão, uma balada sincera e com teclados profundos e vocais simplesmente únicos, uma tristeza transpira pela música enquanto Prince canta sobre fazer escolhas que lhe permitam algum tipo de elevação espiritual.

Temptation fecha o disco num clima de funk pesado, sexual, luxúria pura, sujo e incitante mas que, ao seu final, apresenta como caminho a redenção sexual pela fé, como se Prince soubesse que para seguir na indústria da música ele não teria de necessariamente vender sua alma.

ATWIAD é uma pérola única que merece toda a sua atenção.

13 de mai. de 2020

LOVESEXY

Que Prince era um gênio não restam quaisquer dúvidas e talvez por isso mesmo, este seja um de seus discos mais subestimados.


Explico.

Em 1987, ele lançou 'SIGN O'THE TIMES', um sucesso retumbante de crítica mas comercialmente um 'fiasco' sim, entre aspas porque Prince, mesmo quando fazia fiascos (e SOT não foi um deles), ainda era melhor do que a média.

Alguns críticos, entretanto, teceram comentários pouco elogiosos ao disco - blasfêmia, o disco é foda - acusando Sua Majestade Púrpura de renegar a música negra e enveredar pelo mundo pop. Aqui começam as lendas ao redor de LOVESEXY e o disco que está entre ele e SOT - THE BLACK ALBUM.

A história 'oficial' é que o projeto inicial de Prince para SIGN O'THE TIMES seria um álbum quádruplo, sim, QUÁDRUPLO e material para isso ele tinha mas, obviamente, a gravadora engavetou tal absurdo, quem em sã consciência lançaria um álbum quádruplo quando a indústria da música passava por - mais uma - crise?

Prince lançaria.

Ainda no roteiro oficial, diz-se que BLACK ALBUM foram sobras de SOT e que ele se recusou a lançar optando por LOVESEXY que também era composto de sobras de SOT. A disputa deu-se porque Prince desejava que BLACK ALBUM fosse lançado sem arte de capa ou contra-capa, sem informações sobre as faixas, sem encarte, em nome do artista, sem nada, apenas uma capa preta e o disco dentro, como a gravadora jamais concordaria com isso, o projeto foi abandonado e LOVESEXY nasceu.

Bem, essa a história quase oficial. Eu prefiro outra que me parece mais condizente com a personalidade de Prince não que esta que contei acima não seja típica de seus rompantes ou rusgas com as gravadoras.

Reza a lenda que efetivamente, SOT deveria mesmo ser um álbum quádruplo mas que o terceiro disco (que seria o BLACK ALBUM) componente do projeto, era totalmente destoante do resto do material porque ele o usara como resposta aos críticos que o haviam acusado de ter esquecido como fazer música 'negra' e ter se rendido ao pop dando ao disco ares muito mais cáusticos, sombrios e pesados.

Como a gravadora abortou o álbum quádruplo, Price resolveu lançá-lo em separado em 1987, mesmo ano de SOT deixando a gravadora em polvorosa, nenhum artista poderia lançar dois discos no mesmo ano, lembrem, era antes do streaming e a facilidade de compartilhamento de músicas.

Mas, ele insistia que o disco fosse lançado como idealizado e ainda em 1987 e como disse acima, sem nome, sem informações, sem título, sem nada nem nome das faixas ou qualquer coisa ou seja, a gravadora surtou mas teria de lançar o disco por razões contratuais tentando negociar para 1988.

Nesse meio tempo, dizem que durante uma 'bad trip', Prince teve uma epifania e passou a considerar BLACK ALBUM como algo maligno, das trevas, fruto de uma influência nefasta que ele chamava de 'Spooky Electric' e que seria o diabo. Decidiu renegar o disco e, poucas semanas antes do lançamento oficial, mandou recolher as pouco mais de 500.000 cópias que já haviam sido distribuídas e destruí-las, o BLACK ALBUM fazia seu debut no universo de discos piratas mais cobiçados.

Há quem diga que na epifania, Prince teve algum tipo de revelação e foi a partir daquele momento que se converteu o que eu, sinceramente, acho pouco crível pois temas relacionados a Deus sempre permearam sua obra. Provavelmente, a 'bad' deve ter causado algum curto circuito e o BLACK ALBUM, que realmente era um disco pesado, funky, sombrio, pornográfico até acabou simbolizando para ele algum tipo de totem maligno e causador de desgraça a ponto de renegar sua obra.

O disco foi lançado oficialmente em 1994 numa tentativa de encerrar a disputa que se arrastava já alguns anos com sua gravadora mas poucas cópias foram disponibilizadas e Prince se recusou veementemente a falar sobre o disco, sair em tour ou qualquer tipo de promoção do álbum relegando-o novamente para a obscuridade tanto que nem de sua discografia oficial ele faz parte.

Em seu lugar, surgiu LOVESEXY que também eram 'sobras' das sessões de SOT revisitadas e finalizadas, apenas a faixa 'When 2 R in love' foi reutilizada do BLACK ALBUM. Lançado em 1988 como sucessor de SOT, mostra Prince refeito, renascido e passando uma mensagem de luta entre o bem e mal usando a sexualidade como caminho para atingir algum tipo de elevação espiritual.

Pessoalmente, acho que esse disco sofreu pela celeuma SOT/BLACK ALBUM e acaba sendo considerado como um disco menor de Prince. Ledo engano. O disco é uma gema de música pop, funk e rock com arranjos precisos e preciosos, construções vocais úncias e letras mais do que profundas discorrendo sobre amor, ódio, preconceito, guerra, solidão e como suplantar o mal que habita em nós se escolhermos o bem que também habita o mesmo espaço.

Prince desejava passar uma mensagem de esperança e fé, festa, positividade e LOVESEXY fala exatamente disso desde a abertura com 'EYE NO' onde explica saber que existe um céu e um inferno, passando por 'ALPHABET STR' (hit mas não é a melhor música do disco) onde há um dos melhores raps já feitos numa canção (o vídeo da música tem uma mensagem secreta onde se pode ler 'DON'T BUY THE BLACK ALBUM, I'M SORRY') e baladas como 'WHEN 2 R IN LOVE' e 'ANNA STESIA' onde ele novamente fala sobre a dificuldade de escolher entre o bem e o mal, o disco fecha com 'POSITIVITY' e sua mensagem de que aos escolhermos o mal, ele nunca mais nos deixará ir embora.

Um detalhe interessante é que a versão em CD e streaming do disco, as faixas não possuem separação ou seja, você é forçado a ouvir o disco como uma sequência única (no vinil há uma informação igual mas fica mais evidente a separação entre as faixas) parte da ideia de Prince de passar a impressão de algum tipo de obra conceitual que não se pode desmembrar assim como não podemos desmembrar nossas almas.

De qualquer forma, LOVESEXY pode não ser o melhor disco de Prince mas é um disco emblemático e testemunho digno de sua genialidade, apesar de já estar com o embrião do que viria a ser sua nova banda, NEW POWER GENERATION, em muitas músicas ele faz todas as vozes e toca todos os instrumentos.

No final das contas, ele fazia o que queria sem se importar com rótulos ou críticas.

 

24 de abr. de 2020

De sonhos lúcidos e coisas etéreas

A música sempre se renova, como dizia a canção, o novo sempre vem mas, ele só chega porque usou o que veio antes, nos ombros de quem precedeu se dá a ascensão.

Quanto a quem são esses antecessores, podemos discorrer sobre o assunto até o final dos tempos sem chegar a um consenso, tudo bem, cada um de nós terá um par de artistas que são nossa referência, aqueles que levaremos para a tumba, embalaram nossa vida e sempre recorremos em qualquer momento da vida seja para rir ou chorar.

Entre as bandas que eu amo e que foi uma das razões para conhecer meu marido, está o Cocteau Twins.


Originários da Escócia, são uma banda que, de certa forma, nunca atingiu o mainstream o que é dizer pouco sobre eles afinal, o que é maninstream? Vender milhões de discos? Videos cheios de efeitos especiais? Ser uma celebridade ou influenciador digital? Alheios a isso tudo, Cocteau Twins tem uma base sólida e fiel de fãs que ultrapassam gerações, seu legado na música já foi documentado e reconhecido e quem ouve ao menos uma de suas músicas, jamais será mesma pessoa.

Os discos que produziram moldaram uma geração e criaram um estilo musical que influenciou bandas como Beach House, M83, Medicine e muitos dos artistas pop da atualidade. O som único moldou o que se convencionou chamar de 'dream pop', 'ethereal' 'shoegaze' e outros nomes que passaram a definir aquele tipo de som nunca antes ouvido.

Mas afinal, qual a relevância deles? Porque o CT tem um séquito de fãs irredutíveis que até hoje sonham com uma possível reunião da banda (acabaram em 1997) e consomem avidamente todo e qualquer material que exista sobre a banda? Poucos artistas possuem seguidores tão devotados.

Talvez seja a voz inigualável de Liz Fraser cantando em um idioma que não entendemos, com jogos de palavras e possuída por algum espírito milenar que fala através dela. Já disseram que sua voz seria a voz de Deus, eu concordo, se Deus tiver uma voz tem de ser a dela. Texturas ininteligíveis, frases abstratas, sem sentido e que fazem todo o sentido, pronúncia única que transforma palavras em magia pura e uma aparência de quem repentinamente caiu dos céus para andar entre os mortais, com seus olhos quase transparentes e ar de pureza imaculada, inviável a mãos humanas.

Pode ser o talento de Robin Guthrie e suas guitarras sobrepostas, cheias de efeitos e que mostraram ser possível reinventar o instrumento depois de Hendrix. Guthrie é capaz de nos deixar atônitos, perplexos, em êxtase ou choque, depende de como toca sua guitarra. As texturas que produz, seus riffs e melodias abordam os ouvidos de forma ímpar e atingem o cérebro feito uma camada de xarope doce que vai, aos poucos, corroendo a consciência e nos inundando de especiarias e temperos que jamais poderíamos conceber. Guthrie descobriu outro caminho das Índias e nos levou até lá para nunca mais voltar, quem ouve sua música está fadado a ser seu eterno refém.

Talvez seja o baixo de Simon Raymonde, o segundo baixista da banda (Will Heggie foi o primeiro durante a fase pós-punk da banda e responsável pelos baixos incríveis de 'Garlands' e 'Head over heels'  saindo em seguida para formar o Lowlife) e suas linhas marcadas, harmônicas, profundas, que se incorporam às guitarras de Guthrie muitas vezes fazendo com que soe feito outra camada de guitarras ou relembrando Peter Hook e seu baixo melódico. O contraponto exato ante a delicadeza da voz de Liz e seus arpejos e construções vocais inusitadas.

Fato é que o conjunto desses três transformou a música, nunca mais houve uma banda igual e talvez não vejamos em nosso tempo de vida algo parecido. Você pode gostar de música mas, gostar de Cocteau Twins é mergulhar fundo na alma do som, deixar-se levar por um rio de sensações que doman o corpo sem pedir licença, sentar-se a uma mesa de banquete em que pequenas pérolas são servidas e explodem na boca ao serem mordidas, trazendo sabores que paralisam os sentidos e nos fazem chorar de prazer.

Cocteau Twins não é uma banda para poucos e digo isso não de forma arrogante ou elitista. Para apreciar Cocteau Twins, você precisa ser mais do que humano, precisa estar além de impressões terrenas e convenções pop rock seja o que for. Você precisa gostar de alquimia, baixar a cabeça e admitir que não sabe nada e deixar a banda lhe conduzir pelos meandros da música que não é deste plano e quem sabe, conseguir o feito de transformar vida em ouro.

Eles ao menos, conseguiram.

PS: se quiser conhecer um pouco mais da banda, fiz uma playlist no Spotify.

22 de abr. de 2020

Sua Majestade


Não recordo bem a primeira vez que tomei contato com Prince, lembro vagamente do clipe de '1999' passar num programa da TV Cultura chamado SOM POP mas isso há séculos, pré-internet, CD, streaming, antes de tudo.

Na época sinceramente não me lembro de ter ficado impactado ainda que tenha achado a música boa do alto de toda a sabedoria dos meus anos imberbes. Como tantos outros, virei fã dele após PURPLE RAIN, quem não? Só se você possui alguma deficiência auditiva ou sensorial grave.

Depois desse disco foda, fui atrás do que ele havia feito antes e aí sim fui descobrir, entender e me encantar com discos absurdamente foda como '1999', 'CONTROVERSY' e 'PRINCE' sem contar o que veio depois de PR, quando todos esperavam que ele soltasse algo tão ou mais comercial e ele veio com 'AROUND THE WORLD IN A DAY'.

Prince não seguia modismos, ele os criava. Prince não seguia a indústria, fazia a sua própria. Prince não ligava se seus discos vendessem cem ou cem mil cópias. Prince não ligava se a gravadora reclamava, ele fazia sua música como queria e sem deixar ninguém interferir.

Arrisco dizer que ele talvez fosse a reencarnação de Mozart, se você acredita nessas coisas afinal, ele compunha, arranjava, escrevia as letras, produzia, gravava, tocava praticamente todos os instrumentos e muitas vezes, eram suas todas as vozes em uma canção, as bandas que o acompanhavam eram apenas coadjuvantes ainda que sempre compostas por músicos de elite, você não podia ser mais ou menos para trabalhar com Prince.

Há quatro anos ele se foi, morte besta, sem sentido. Ele não era perfeito, tinha seus defeitos, momentos de estrelismo e certamente cometeu seus erros mas sua carreira segue intacta e praticamente irretocável, mesmo em seus momentos menos brilhante, Prince era um gênio e deixava no pó boa parte de todos os artistas de sua época e que vieram depois dele.

Sua influência é extensa passando por Frank Ocena, Justin Timberlake, Beyoncé, Lenny Kravitz, Beck, Rihanna, Alicia Keys, Usher, Cyndi Lauper e muitos outros que beberam de sua fonte para construir suas carreiras.

É impossível ouvir um disco ou alguma música de Prince e sair ileso, se você não sentir nada, como ele mesmo disse em uma de suas letras 'honey i know, ain't nothing wrong with your ears?'. Além de seu legado próprio, deixou uma herança de canções que ganharam vida própria na voz de outros artistas sendo o caso mais notório Sinead O'Connor e 'NOTHING COMPARES 2 U', se você olhar com atenção, descobrirá muitas canções que eram dele e que você tinha certeza de que não eram, tamanho era o talento dele.

Reza a lenda que no estúdio/casa/templo Paisley Park erguido por ele em sua cidade natal, há um cofre comumente referenciado como 'THE VAULT' - O COFRE onde há material inédito guardado para garantir aos que administram seu espólio uma aposentadoria tranquila já que é suficiente para umas duas ou três vidas sem repetir nada, apenas material inédito.

Verdade? Quem sabe? Prince era conhecido por ser prolífico, as gravadoras viviam as turras com ele pois mais de uma vez ele tentou lançar álbuns triplos, quádruplos ou mais de um álbum por ano deixando os executivos em pânico.

Só sei que com sua perda e de outros da mesma estatura dele, vivemos num mundo mais sem graça, chato e sem cor mas, eu sigo ouvindo seus discos e, com sorte, na outra vida poderei ouvir suas músicas, seus discos e, se ele deixar, bater um papo sobre como ele foi importante para mim.

May we all live 2 C a better dawn.

19 de dez. de 2019

Music that you can embrace

This one goes in English 'cause I really want a good friend of mine to be able to read it thus, apologies to my local friends, deal with it my dears.

Some time ago, whilst having some - quite a lot must say hahaha - drinks at my place we were listening to vinyl records which have become, in the recent years, quite fashionable if not posh.

Well, I'm from a generation that grew up to vinyl records, there were no such things as streaming, download or internet radios. If you were really into music the only way to get in touch with new releases and new bands was through a few local magazines or, if you could afford it, imported ones such as NME and others.

The main conduit for getting new music was going to the record shops located in what we call GALERIA DO ROCK - something like ROCK MALL in a free translation - which were actually two different 'malls': one indeed more specialized in rock on its purest or hardest version and other more specialized in indie bands, gothic and other assorted music and which was my preferred spot.

But before going there you had to know exactly what you wanted, records back then were way too expensive and, not surprisingly at all and still true today, local stores sold only what the major record labels wanted so the bands and artists you liked were most of the time out of the range of your wallet.

What we used to do was getting as much information we could on the band or artist we wanted and only then go to the mall and to specific stores not to buy the record itself since that would require sometimes a whole year of savings but ask the owner to 'tape' the records we wanted.

We would inform him the records we wanted taped, he would name his price - the cassete tape would either be ours or bought from him at a very reasonable price - and tell us to come back in a few days or weeks depending on what we had ordered, rare albums would take more time whilst more 'popular' ones would be ready in a couple of days.

Those tapes would then be passed from hand to hand till sometimes they got so worn out that they sounded like a broken radio. From those tapes we would then select the bands we liked the most and then save money to buy the actual record, in vinyl.

We would then pass on the records we bought kinda in a way of a book club and that's when you got in touch with a whole lot of new bands, it was a time of LISTEN TO THIS, LISTEN TO THAT and so on, access to music was so difficult that we valued each and every chance we got back then.

Not saying that the internet, streaming and others killed music, I really love it cause it is practical and you don't have to carry a CD case with the music you want to hear during the day what could be quite tiring, anyone who had a portable CD player knows what I'm talking about.

You can now get in touch with new music in a fast and easy way but you still have to do some research even if the streaming algorithm is there to push you into new bands based on what you listen, that is the machine telling you what to listen to and even though it is quite tempting and easy, I still believe that the best way to get in touch withe new music is doing that search yourself, use the machine logic in your favor but most of all read magazines and online publications about music, follow bands and artists on social media and mainly, talk to people that love music as much as you, nothing can replace or ever take place of human contact, talking to other people about music and sharing tastes, opinions and impressions, that is something no machine will ever be able to do.

And that is something vinyl will never loose. Even though digital and online music made our lives much easier, the ritual of touching and album, taking the record out of its sleeve, placing it on the turntable, picking up the needle gently and slowly dropping it on that thin space before the first track is magical, ritualistic, is a bond that digital music will never be able to reproduce.

Or, as my great Scottish mate would say, that's music you can embrace...

19 de set. de 2011

paying the tongue

Meio atrasado mas vai valer, tá valendo e tava lendo os amigos e vai rolar comentário sim, tenham calma que meu santinho aqui é de ba(i)rro.

Quem leu? Pois é, fomos lá, eu com os quatro pés pratrás pois apesar de achar nosso Luso assim um primor e tudo que se faz nele (ou quase, menos cantoras MPB contralto[s e baixos]), acho que trazer dos outros pra ela, como disse lá, é pecar, matar, torcer a porca e não o rabo.

Fomos. Paguei a língua em cada centavo, culpa, culpa, culpa, máxima. Foi docaraleo, gozante, lindo e ainda que algumas versões escapassem pela tangente assim, corridas mesmo, aquele engasgo que força a coisa a descer é necessário, foi sim um sucesso.

Principalmente devido ao elenco que é PHoda e aos músicos que de tão competentes me deixavam na dúvida se era mesmo ao vivo o lance ou tinha um CD lá atrás virando sem parar. Nada! São músicos (e gatos, e gostosos, e tesudos e todasqué!) e de primeira linha, mas era a música do filme pulando ali na minha frente, sim, ao vivo e no final tive de ficar em pé com BRAVOS e clap clap clap sem fim.

Vão ver antes que saia daqui e eu quero ir de novo. A magia de Hedwig está além de idiomas, fato e a montagem nacional deixa a narrativa clara, mais leve, dinâmica e ainda que perca a dramaticidade, vale como lava-rápido d'alma, sai leve, solto, lindo já sou, oras!!

Mais: http://www.hedwig.com.br/site/ e um clipe dessa coisa tesuda que é o espetáculo. Goze também, vai ver.




24 de mai. de 2011

25 de fev. de 2011

frases incríveis da canção brasileira

 
'Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo...'
 
Como assim? Leva pra TV ou chama o exorcista!

22 de jan. de 2011

coming up

Meu ouvido andava por demais cansado e tudo que era novo eu rejeitava simplesmente por preguiça de me dar ao trabalho de ouvir. O antenado musicalmente aqui em casa sempre foi Wans, há em casa um' biblioteca' vasta sobre o assunto, compilada por ele. Se vocês querem conhecer bandas ou artistas novos perguntem a ele pois o conhecimento do menino vai muito, mas muito longe e acho mesmo que ele deveria escrever mais sobre música em seu BW.

Mas, como já disseram por aqui, realmente sair do emprego me fez um bem enorme e, um dos benefícios que se mostrou, além de eu escrever mais, foi ter voltado a escutar coisas novas. Enfim, não é sobre isso que falo hoje mas ainda é sobre música.

Por mais que esteja ouvindo coisas novas (e que são maravilhosas), ainda ouço minhas bandas 'velhas' e, delas, a favorita é esta aqui:





Pessoalmente, acho que é uma banda subestimada no contexto geral do chamado 'britpop' pois acabaram engolidos pelo Blur e Oasis que são excelentes mas não possuiam a sutileza e o aspecto 'cru' do Suede em muitas canções.


Alguns fatos interessantes:


- No começa da carreira, participaram da banda Justine Frischmann e Mike Joyce. A primeira saiu para formar o Elastica 




e o segundo foi nada além de baterista do The Smiths (pausa para reverência solene)



- Ricky Gervais foi empresário da banda bem no começo


- A capa do primeiro disco:



Foi censurada nos EUA pois era considerada ambigua e obscena.


- O vídeo acima de 'The drowners' precisou ser refeito para a o mercado americano pois foi considerado forte demais para a família estadunidense


Porque falo disso? Explico. A partir de Maio/2011, o Sude vai se reunir novamente e tocar, em três dias consecutivos, um disco por dia a saber:


19/05 - 'Suede'


20/05 - 'Dogmanstar'


21/05 - 'Coming up'


Nunca me arrependi, até hoje, de ter deixado meu emprego. Vou fazer empréstimos, vender o corpo, fazer boquete, vender quentinha mas eu preciso ir ao menos em um desses shows senão morro.


Aceito doações, faço faxina, lavo, passo, cozinho, costuro, durmo no/com o emprego, vou vender um rim, pelo amor de Deus!!! Alguém me ajude!!!

lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...