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7 de abr. de 2020

BRASOC


Nunca um livro me pareceu tão real quanto 1984 de George Orwell.

Duvida? Vejamos então.

Temos um governo que renega e deseja ardentemente reescrever e reinterpretar o passado sob a luz de sua ideologia fomentando o negacionismo e que seus opositores deturparam a história em benefício próprio.

Confere.

Temos um governo que está desmontando a educação e cultura rengando qualquer manifestação cultural ou educacional que seja contrária a seus ideais de sociedade, desestimulando a ciência e qualquer área de estudo que seja relacionada ao pensamento, crítica social ou humanidades dando prioridade a outras áreas que sejam mais 'produtivas' e tragam um benefício real a nação.

Confere.

Temo um governo que unificou toda uma parcela considerável da sociedade contra um inimigo inexistente mas que está sempre alerta para derrotar a nação e acabar com o modo de vida que conhecemos. Essa luta é inexorável, 24x7 e não pode jamais arrefecer.

Confere.

Temos um governo que promove 'minutos de ódio' diariamente nas redes sociais contra os inimigos da pátria, do povo, da família e da sociedade angariando uma turba ensandecida que está disposta a matar ou morrer pelo seu país.

Confere.

Temos um governo que condena e renega a imprensa livre porque a considera vendida, não isenta, tendenciosa, mentirosa e suja. É a maior fonte de notícias falsas que existe mas nega tudo com veemência mesmo quando pegos em flagrante e botam a culpa na imprensa pérfida que distorce todos os fatos e conclamam a sociedade a não lhe dar ouvidos, apenas às fontes chanceladas pelo governo.

Confere.

Temos um governo que promove a desigualdade social como liberdade, cada um tem um papel na sociedade e deve desempenhá-lo com orgulho pelo bem da pátria sem desejar ser o que não é e nunca poderá ser.

Confere.

Temos um governo que vai na direção oposta de qualquer fato comprovado e que controla sua narrativa com mão de ferro desmerecendo, humilhando, descredenciando, ofendendo e ameaçando quem se opõe a ele ou fala verdades inconvenientes.

Confere.

Temos um governo centrado numa figura mítica que representa o ideal supremo da nação, o mito, o salvador, o messias, uma figura acima de qualquer julgamento e que deve ser seguida sem questionamento ou argumentação.

Confere.

Viu como estamos vivendo já na BRASOC?

Você que não se deu conta ainda....

6 de abr. de 2020

Eu te amo meu Brasil

Hino Bandeira Flâmula Brios Velório Caixão.

Brasileiro é algo saído de um laboratório estranho, de alguma combinação misteriosa que deu um povo meio nem lá nem cá mas que sabe seu lugar sem igual no mundo.

Carlota bateu as tamancas ao sair daqui para não levar da terrinha nem um mísero grão de pó e nós que descendemos de quem ficou estamos até hoje batendo essa mesma poeria de nossos sapatos.

Nunca tivemos assim um senso de nacionalismo tipo o Made in USA salvo na sazonalidade de eventos como copas do mundo, olimpíadas e afins quando a nação vira canarinho e parece lembrar que vive debaixo da mesma bandeira. Passado isso, voltamos a viver em pequenos brasis.

Durante a ditadura - e sim, foi uma DITADURA por mais que seu presidente diga o oposto - num frêmito ufanista, todos cantávamos EU TE AMO MEU BRAZIL EU TE AMO, era a época do AMEO-O OU DEIXE-O que ajudava o regime a manter o povo em rédea curta e exaltava os valores nacionais mascarando as barbáries que os milicos cometiam debaixo do verde e amarelo onde rios de sangue corriam mansos.

Agora, vivemos a mesma coisa repaginada através do desgoverno Bolsonaro, BRAZIL ACIMA DE TUDO-DEUS ACIMA DE TODOS com a adição desse conteúdo teocrático apavorante. Fustigando as massas com fervor nacionalista, Bolsonaro vai enfiando goela abaixo sua agenda neoliberal, conservadora e 'cristã', PÁTRIA ARROMBADA BRAZIL.

O mais triste nisso tudo é que se antes já éramos um povo tímido e até mesmo envergonhado em ostentar símbolos nacionais, expressar nosso amor ao país que nos pertence, com a eleição do messias fomos exilados de vez dessa prerrogativa.

Há de entender - e não sou eu que irei explicar isso, há gentes mais capacitadas para isso - porque nunca tivemos esse orgulho nacional salvo em ocasiões isoladas. A melhor explicação penso que a deu Nelson ao nos alcunhar de eternos vira-latas mas, acho que nossa vergonha anda de mãos dadas com nosso orgulho porque ao mesmo tempo em que achamos brega usar as cores nacionais, batemos no peito e adoramos o reconhecimento de sermos brasileiros.

Temos orgulho em sermos brasileiros mas não em sermos do Brazil porque ser brasileiro é uma ideia, um conceito que vai além de fronteiras, bandeiras e cartas magnas enquanto o país é algo obscuro e fadado a ser associado a coisas menos edificantes e de que sim devemos nos envergonhar ou seja, somos brasileiros mas não somos do Brazil, renegamos essa associação como se brasileiro fosse algo alem da pátria, uma condição eterna que independe de fronteiras, um estado de espírito.

Essa dissociação de pátria/nacionalidade nos persegue e creio que nos perseguirá durante muito tempo ou para sempre, quem sabe? Não existe um Brazil mas vários e digo isso não de maneira sociológica ou antropológica mas com a ideia de cada um nós carrega um país dentro de si que é totalmente distinto do conceito de nação que deveríamos ter como um todo.

E o pior é o roubo que o conservadorismo fez de nós mesmos, do orgulho em sermos brasileiros como disse mais acima. Deturparam de tal modo que passamos a associar nossas cores, bandeira, hino e tudo mais a moralismos, religião e vertente ideológica a ponto de execrarmos tais símbolos pátrios como se fossem parte de um rito de exorcismo.

Acho que passou da hora de roubarmos de volta esses símbolos que eles nos tiraram e deturparam mas, para isso, precisamos que o Brazil em mim possa falar com o Brazil em vocês e que todos esses Brazis possam falar entre si e numa só voz gritar BASTA!

lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...