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28 de set. de 2022

o pior de nós

Não é preciso ir muito longe na rede para encontrar casos de violência, racismo, homofobia, machismo e tudo mais que representa o que há de pior em nós como sociedade.

Chega a ser alarmante a quantidade casos que brotam do chão todos os dias, faz com que a gente pense o que aconteceu? Onde erramos? Como pode?

Bom, lamento dizer mas pode sim e é bem fácil de explicar.

Passamos muito tempo com a cabeça enterrada na areia acreditando na mentira do Brasil diverso, inclusivo, miscigenado, sincrético, país de gente feliz e pacífica, que mentira!

Éramos uma panela de pressão, cheia e que vinha cozinhando há mais de 500 anos, já não era sem tempo explodir. O Brasil dos últimos quatro anos é o Brasil de fato! Essa é a cara do brasileiro, não aquela dos cartões postais.

O brasileiro de verdade nunca saiu da casa grande e segue achando o país sua grande senzala, estamos em 2022 mas mentalmente, mal saímos do colonialismos e seguimos repetindo os mesmo comportamentos de nossos descobridores, sem tirar nem por. O brasileiro aprendeu desde cedo a ser mentiroso e evitar conflitos, é o cara que sai das situações com lábia e jeitinho, se dá para resolver com um churrasco e uma breja, então tudo bem!

Nunca paramos para discutir nossos fantasmas, preferimos fazer deles enredo e música e carnaval o que não está errado mas não resolve a questão. Nunca fomos uma nação pacífica, como podemos ser uma nação de paz se construímos tudo isso e seguimos construindo tudo isso em cima de cadáveres? A diferença é que no período colonial fazíamos isso de forma consciente com a benção da igreja ansiosa por salvar almas e todo um aparato ideológico que justificava as atrocidades como progresso. Hoje, simplesmente fazemos de contra que não existe mais mas usamos as mesmas ferramentas de antes com o agravante de que preferimos fazer vista grossa.

Nunca saímos da colônia, essa é a verdade. Enquanto o mundo girava, seguíamos pensando da mesma forma, só aprendemos a disfarçar melhor, somos um país de mentirosos patológicos e, se há algo de bom que Bolsonaro fez, foi acabar com essa mentira safada e deixar tudo em pratos limpos.

Bolsonaro é sim a cara do Brasil. Senhor de engenho, coronel, o tio do pavê, essas pessoas que estão aí hoje não surgiram do nada, elas sempre estiveram aí só mentiam muito bem, eram nossos pais, mães, tios e tias, amigos e amigas, colegas de trabalho, vizinhos. Eram pessoas que em nossa frente riam, abraçavam, beijavam mas que, por dentro, queriam mesmo nos ver mortos, isolados, sem direitos, marginais e sem voz.

Pessoas que sempre estiveram conosco, desde 1500, só mudaram de nome e endereço mas seguem fielmente a cartilha do colonialismo e, com Bolsonaro, viram sua voz ganhar as ruas e finalmente podem sentir-se à vontade para cometer suas barbaridades sem medo afinal, se o mais alto mandatário aceita então qual o mal e replicar?

Acho que deveríamos ter duas independências, a original e outra por termos finalmente descoberto a face horrendo do cidadão brasileiro, levaremos um bom tempo para nos ajustar e arrumar isso se é que vamos conseguir, essa ferida estava infeccionada há séculos mas só agora arrancamos o curativo e começamos a tratar, talvez haja uma chance e não seja preciso a eutanásia, cedo para dizer mas pelo menos sabemos que estamos doentes o que já é um começo.

Resta saber se teremos a capacidade de cura ou vamos preferir deixar que tudo gangrene e apodreça...

26 de set. de 2022

positivo/negativo

 


É horrível que estejamos nas vésperas de uma eleição e que, ao invés de discutir temas importantes para nosso futuro, estejamos é discutindo mitos, messias e salvadores da pátria e incapazes de conciliar nossas diferenças ou sequer abertos para uma possibilidade de diálogo sobre questões que mexem profundamente com nosso cotidiano atual e futuro.

Triste termos de escolher o menor entre dois males ainda que, obviamente, um deles seja 'o mal' personificado e o outro seja apenas não tão ruim.

Ainda que o atual mandatário represente tudo que de pior existe em nós como sociedade e flerte abertamente com um autoritarismo em voga no mundo, a alternativa a ele é apenas um reflexo à esquerda ainda que, como disse, na atual conjuntura, seja melhor que mais quatro anos de barbárie.

A questão é sermos reféns de duas opções que pouco trazem algo de novo, um ar mais fresco e ideias mais novas, vamos votar num para não deixar o outro vencer e isso é péssimo! Mostra o quanto estamos perdidos enquanto sociedade e como a política deixou de ser algo importante em nossas vidas para virar apenas uma imensa briga de condomínio.

Quem segue e vota em Lula (eu incluso) padece do mesmo messianismo que inflama o Bolsonarismo, podemos negar e dizer e jamais mas é, aceitemos que também tratamos Lula como mito, messias e salvador, a diferença é que ele, para nós, é o verdadeiro messias enquanto o outro é o anticristo, é uma linha muito tênue que separa os dois e não em termos de ideologia ou consciência social e de classe mas em termos de seguir cegamente e idolatrar a pessoa e o que ela representa e não sua atual capacidade de tratar o país com seriedade e respeito.

O messianismo de Lula foi a gênese do messianismo de Bolsonaro, ficamos aqui nos perguntando de onde saiu esse ser, como pode ter acontecido isso e outras questões afins e a resposta é muito simples: fomos nós!

Passamos quase duas décadas cultuando uma figura, uma ideia, removemos do plano terreno e colocamos num panteão com incensos e cânticos e isso, na política, é extremamente perigoso. Acreditamos que havíamos salvado o Brasil e que seriam apenas anos de rosas e vinhos mas, o outro lado aprendeu a fabricar mitos e lendas e não nos demos conta de que o Brasil é uma ilha de boas intenções rodeada de Bolsonaros por todos os lados.

Nós criamos Bolsonaro, simples assim. Ao não darmos atenção aos sinais de culto que o petismo e o lulismo viraram demos de mão beijada o caminho para a extrema direita empossar seu messias e agora ficamos pasmos sem entender e ainda assim não aprendemos pois vamos novamente ter de escolher entre dois messias, oxalá mais a frente aprendamos que presidente da república não deve ser messias mas apenas competente.

Vou votar 13 porque não posso conceber mais quatro anos de 22 mas, desejo ardentemente que ele não se candidate e que outra pessoa tome rédeas e que seja alguém novo e longe dos extremos para tentarmos começar a curar as feridas que seguem inflamadas. Precisamos de políticos com ideias, determinados e comprometidos com pautas humanitárias e sociais e não pais, mães ou ídolos, precisamos parar de tratar um prestador de serviços públicos como santo e salvador e encarar que a era do messianismo tem de acabar o quanto antes.

Precisamos nos livrar dos Lulas e Bolsonaros, precisamos parar de tratar a política como campo de salvação e passar a tratar dela como campo de mediação e discussão e qualquer messianismo não dá conta disso pois é por demais centrado em sua figura central e não no grupo que o segue, quem segue messias está fadado e cometer erros crassos e depois chorar a perda da razão, entregar nossas ideias e ideais a um salvador é morte certa porque não existem salvadores que não sejam nós mesmos.

A era dos messias precisa acabar, precisamos crescer e aprender que não somos mais crianças, parar de fazer birra e assumir que a responsabilidade pelas coisas e pelo país é nossa e não deles, parar de discutir esquerda e direita e entender que depois da eleição tanto faz qual lado porque, no final das contas, quem paga a conta somos todos nós independente de qual lado estejamos.

Que em quatro anos não estejamos elegendo santos mas pessoas.


9 de mai. de 2022

o bobo

 


Triste ver como, enquanto nação, caímos num esquecimento, párias mundiais ao lado de tantos outros regimes de extrema direita vistos com maus olhos pela comunidade internacional devido aos seguidos desmandos e barbaridades sem fim.

A reputação nossa de nação mediadora e de peso no cenário internacional mesmo não pertencendo ao seleto clube dos podres de ricos foi ralo abaixo sob a batuta de pátria, família e deus e vai levar um tempo para voltarmos a recuperar isso mesmo que tenhamos outro sentado lá no planalto.

O estrago feito em quatro anos foi terrível e imenso, instaurada a ditadura fálica o país vive sob a égide do estupro social, da família de bem e do atira primeiro e pergunta depois. No Brazil atual o que importa não é igualdade mas mérito, não é você que pobre, é você que não se esforça, não é você que é bixa, é você que precisa ser bixa mas dentro de casa, não é você que fuma crack, é você que é vagabundo, deus ajuda quem cedo madruga e quem sai pra bater em travesti e matar viado.

O isolamento não é apenas mundial mas territorial, estamos isolados de todos, incapazes de quebrar a barreira de mentiras e narrativa disforme que impregnou a todos e concluir que não é matando a bixa que o pai de família vai por comida na mesa, não é matando o ladrão que o cidadão de bem vai ter mais segurança, não é armando a pessoa que ela vai aprender a se defender, não é cortando o acesso que as pessoas vão parar de acessar.

O véu conservador desceu pesado e não serão todos que serão capazes de tirá-lo em Outubro porque ele adere na pele feito cola, tem gente que vai preferir morrer do que ter algum tipo de justiça social novamente, tem gente que vai preferir matar do que ter um presidente que promova um pouco mais de igualdade, tem gente que vai acreditar piamente nas mentiras porque elas foram ditas por tanto tempo que agora são verdades.

Tem gente que prefere assim...

26 de abr. de 2022

O contador de histórias

Todo mundo adora uma boa história, se for bem contada então ainda melhor.

Não é a toa que a história, de forma geral, acaba sendo contada por quem vence grandes batalhas ou por quem sabe contar melhor o seu lado dos fatos ou seja, quem controla a narrativa, controla a história.

Não é preciso ir muito longe para comprovar isso, basta dar uma olhada na Rússia de Stálin, China de Mao, Alemanha de Hitler e, porque não, Brasil de hoje.

A melhor maneira de fazer com que as pessoas acreditem em algo é controlar a narrativa, fazer com que apenas o seu lado da história seja levado a sério e tomado como verdade incontestável, deixemos de lado debate, argumentos ou análise, confie no que estou dizendo, eu sei do que falo e posso provar mesmo que essas provas sejam estapafúrdias.

O controle da narrativa não acontece da noite para o dia, nem Jesus conseguiu isso que dirá presidentes e afins. Isso ocorrer de forma lentar e persistente, é um trabalho dedicado feito mais simples pela agilidade e pouca veracidade das redes sociais; antes, se você quisesses saber se algo era verídico ou não, teria de se debruçar sobre o assunto, ler vários jornais, análises, discutir até chegar em alguma conclusão enquanto hoje, se está no Google ou aquele youtuber ou influencer falou com certeza deve ser verdade, não é preciso se dar ao trabalho de analisar, a informação já vem pronta e sem abertura para contestação, aquilo é uma verdade e você não precisa se preocupar em analisar porque isso já foi feito para você, apenas ouça e aceite.

O Bolsonarismo aprendeu essa lição muito bem e está muito na frente enquanto a esquerda segue tentando entender como fazer isso. Desde antes de assumirem o poder, os Bolsonaristas já utilizavam a posse da narrativa como seu meio de consolidar suas ideias e planos e, mesmo quando questionados, jamais deixaram a narrativa sumir ou mudar e, no final das contas, a mentira contada mil vezes acaba virando verdade.

Através da construção de uma narrativa única e que não admite contestações, o Bolsonarimos criou raízes que não podem mais ser arrancadas, em torno de um projeto de governo e país embasado em valores nacionalistas, tradicionais e religiosos, ele se ergueu feito colosso e farol para todos que não acreditavam mais numa sociedade justa e que preferem a meritocracia ao invés de igualdade e que, convenhamos, é a cara do brasileiro médio.

O controle da narrativa está cimentado, vejam como as redes sociais Bolsonaristas não perdem tempo em contestar quaisquer fatos ou acontecimentos com outras versões dos fatos sempre citando a liberdade de expressão, opinião e de que são perseguidos por expressarem seus ideais, não há comprovação, não há argumento apenas o discurso de que são perseguidos sem informar de que fazem o mesmo ou, quando confrontados com provas irrefutáveis, usam as mesmas desculpas, foi tirado de contexto, não deixaram margem para explicação e se vitimizam apontando o dedo para a patrulha ideológica.

Bolsonaro e seus seguidores assumem esse tom messiânico em suas narrativas, não existe contexto aplicável, não existe debate de ideias, apenas as mesmas histórias contadas com palavras diferentes e não importa se não correspondem aos fatos porque estes precisam dobrar-se a narrativa e não o oposto. Então pouco importa se eles defendem a tortura, se defendem o preconceito, o racismo, o machismo ou qualquer outra barbaridade, dentro da narrativa Bolsonarista isso não importa porque não são os fatos que importam mas a narrativa e ela está sob controle.

Não seria de espantar que esse controle fique ainda mais ferrenho com a proximidade das eleições e muito pior num eventual segunda mandato o qual, se vier, talvez a história que será estudada no futuro seja bem diferente da que conhecemos afinal, o que seria mudar a história para quem a está escrevendo?

25 de abr. de 2022

O horror na porta de casa

Existe uma possibilidade de termos um segundo mandato de Bolsonaro mesmo com todas as pesquisas indicando que sua reeleição seja muito incerta. Além de controlar a máquina estatal, ele detém a narrativa por mais absurda que seja ante os fatos, quem o segue não está preocupado com a veracidade dos fatos ou perigo às instituições e democracia, acredita piamente no capitão e vive em uma realidade paralela onde apenas o que ele diz é verdade inconteste.

Se um primeiro mandato serviu de abre-alas para o governo conservador e extremista, um segunda mandato lhe dará uma abertura sem precedentes para consolidar a autocracia tão sonhada e, porque não, dobrando a lei e instituições a seu bel prazer, perpetuar-se no poder seja através de um golpe rasgado (pouco provável mas não impossível) ou da eleição de alguém pode ele indicado que dê continuidade ao plano de limpar o país da corja ideológica comunista.

O projeto de poder Bolsonarista plantou sementes fortes neste primeiro mandato, aparelhou os órgãos governamentais e afins para atendessem ao plano messiânico da família miliciana barrando quaisquer possibilidades de aferição ou apuração de desvios ou má conduta restando apenas a judicialalização do Estado para tentar bloquear os exageros absolutistas do messias, não se trata de um Estado sujeito aos desmandos da mais alta corte mas esta tapando buracos feitos pelo governo na tentativa de desestabilizar as estruturas e tomar o resto que lhe falta para consolidar seu poder.

Num eventual segundo mandato, Bolsonaro poderá aumentar sua influência no judiciário e, com respaldo das urnas, passar a próxima fase de seu plano nefasto banindo por completo qualquer frente ideológica, política, cultural ou social que lhe faça oposição alegando agira dentro da lei e no melhor interessa da nação como fez ao perdoar seu fiel escudeiro semana passada.

Mas, o risco maior de um segunda mandato recai sobre a normalização do Bolsonarismo e seu líder, não se trata apenas de pregar para os convertidos, coisa que mesmo a esquerda parece não saber até hoje fazer mas, tanto já xingamos, falamos mal, memes, panelaços, tanto já foi atribuído ao governo Bolsonaro e a ele mesmo através de seus mandos e desmandos, falas e fake news que nada mais o amedronta, nada mais cola e assim, ele se sente livre para fazer cada vez pior já que não há qualquer previsão de penalidade a curto prazo, em qualquer outra democracia que se preze, ele já teria sido deposto mas, aqui, estamos jogando pôquer com o demônio que é sempre matreiro, Boslsonaro não apenas dá as cartas como regula as apostas e rouba descaradamente sem que ninguém reclame.

O Bolsonarismo vive em uma realidade paralela onde as leis da física trabalham de forma distinta, ele constrói a narrativa e se apega a ela de forma ferrenha difamando quem se atreve a contestar seus fatos distorcidos, acusando essas pessoas de não serem patriotas, serem contra o país e desejarem implantar o comunismos vide seu discurso na ONU de um tempo atrás onde afirmou que pegou um país em vias de virar comunista.

Conforme se aproximarem as eleições, esse discurso vai ganhar mais e mais força, os ataques serão mais baixos e sangrentos e não ficaria impressionado se ele mais uma vez forjasse um atentado, todo mundo adora um mártir. Bolsonaro não precisa apresentar plano de governo para ser reeleito, basta seguir com sua estratégia atual e apenas intensificar seu discurso de que está numa cruzada contra o mal, seu eleitorado fará o resto...

6 de jan. de 2021

não há vacina para sua doença

 


A OMS, através de sua resolução de 17/05/1990, aboliu a homossexualidade como doença além de alterar a nomeação retirando o sufixo ‘-ismo’ que denotava a orientação sexual como patologia. Igualmente, o CFP em sua resolução 01/99 instrui que a homossexualidade não é uma doença, distúrbio ou perversão não demandando assim tratamento que vise sua ‘cura’ e/ou reversão.


Mas, os que nos odeiam e perseguem, amparados pelo manto conservador do Bolsonarismo, insiste em fomentar e apoiar 'profissionais' ou os assim chamados ‘psicólogos’ (que deixam suas convicções religiosas interferir em sua profissão o que é lamentável além de condenável) no tratamento de pessoas LGBTQIA+ que, seja por qual for o motivo, lutam para aceitar sua orientação sexual.

Essas pessoas precisam sim de apoio psicológico mas não para deixar de ser o que são e sim no processo de aceitação de sua natureza e orientação sexual para que possam tornar-se funcionais e felizes superando os traumas que lhes foram impostos pela sociedade, família e amigos e entendendo que não há crime ou doença em ser LGBTQ, que qualquer que tenha sido a origem da criação, assim fomos feitos e não há o que corrigir.

As tentativas de reverter a orientação sexual resultará apenas em um pessoa fragmentada, miserável e infeliz, não se pode mudar a natureza do que somos simplesmente porque a religião que vocês pregam assim o diz, vocês partem de um pressuposto que o homossexual é uma criatura miserável e infeliz e que precisa de ajuda para deixar ‘essa vida’ e ser um membro digno da sociedade e, porque não dizer, seguidor dos preceitos desse seu deus de ódio e intolerância sofismado por escrituras que que vocês distorcem e adaptam às suas necessidades.

Porque tanto ódio? Porque essa perseguição incansável? Porque esse medo tão gritante? Só posso intuir que ele não esteja apenas embasado em conceitos religiosos mas num pavor patológico do que é diferente, daquilo que desafia as regras que ninguém os obriga a seguir salvo o temor da danação eterna e, se for este o caso, trago péssimas notícias, estamos tão fadados a ela quanto vocês que pregam tamanho ódio e praticam atos pouco cristãos aos seus próximos, não é a nossa alma que está em risco mas a sua.

Esse seu medo de nós advém de alguma questão muito mal resolvida quanto a sua própria identidade e condutas sexuais presas e restritas a conceitos e normas seculares e temporais que caducaram há tempos sem que se tenham dado conta disso. A natureza questionadora e libertária do homossexual, que usa sim a sexualidade como meio de desbravar e demarcar territórios onde o heteronormativo padece, enquadrado por todos os lados por movimentos que não mais aceitam ficar sob seu jugo, lhes é assustadora, trai o status quo da assim chamado família tradicional sendo que esta também há muito já deixou de existir.

É lamentável para não dizer sórdido sua associação da homossexualidade com pedofilia e demais distúrbios sexuais graves quando os maiores perpetradores de tais abusos são heterossexuais sendo estes também que lotam as clínicas clandestinas de aborto enquanto casais homoafetivos estão mais do que dispostos a aceitar os filhos que vocês não desejavam ter.

Da mesma forma, essa sua tentativa de inversão onde nós somos o malévolos e perseguidores e vocês, as vítimas, é outro jogo pérfido e baixo pois como pode a minoria perseguir a maioria? Vocês estão há séculos perseguindo não apenas a nós mas todos aqueles que não se encaixam no seu conceito estúpido e intolerante, a sociedade lhes é favorável pois se lhes questionam, basta acenar com a danação eterna e acusar aqueles que buscam os direitos inalienáveis de todos ser humano de golpistas, inimigos da fé, ameaça a sociedade, ditadores de gênero.

Pensem comigo apenas um instante, quem está perseguindo quem? Quem tem a seu favor toda a estrutura de uma religião empresarial e aparato do estado? Quem tem espaço na mídia e está sempre atacando a nós? Quem é intolerante? Quem deseja ver a homossexualidade banida e tratada? Quem deseja um estado teocrático onde tudo o que for diferente do pregado por vocês deve ser excluído e excomungado?

Eu posso olhar no espelho com tranquilidade e paz na alma, e vocês?

30 de nov. de 2020

prato feito

 



Antes de qualquer coisa, deixo claro que não tenho a solução para esse ou qualquer problema e que as opiniões que expresso aqui são minhas e tão somente minhas, sinta-se livre para concordar, discordar e parar de ler se for o caso.

Ainda estamos na 'ressaca' desse caso horrendo, parece meio chover no molhado falar dele e de como indignou a todos nós, parece pouco seguir falando dele, parece nada não falar e deixar o Carrefour soltar notas de desculpa e inserções em horário nobre de seu presidente branco europeu fingindo um horror lido nas placas pois era incapaz de decorar um texto simples ou mesmo falar de improviso que teria sido mais humano e sincero.

O horror maior entretanto veio de quem governa, de quem mama nas tetas do presidente, lhe lambe o cajado e as botas cheias de merda. Não existe racismos no Brasil! Que coisa maravilhosa, gente! Somos talvez a única nação no mundo que erradicou esse câncer! Serei forçado a votar no coiso por esse feito tão incrível! Racismo no Brasil? Onde? Estão importando coisas de fora para tumultuar a sociedade, Brasil é um país misturado, um caldeirão cultural e racial, somos todos pretos e pardos e índios e brasileiros.

E vem o cidadão de bem comentar nas redes e sites que estão fazendo massa de manobra, que o cara era meliante, tinha ficha, era agressor, assassino condenado, batia na mulher, era estuprador e outros, tudo para justificar que ali foi apenas a lei do retorno, que ele teve o que mereceu e que coisa boa não deveria estar fazendo senão, não teria morrido, essas coisas que todo cidadão de bem adora repetir para não ter de encarar a triste realidade dos fatos.

O caso Carrefour não é isolado, acontece todos os dias em todo lugar mas a gente faz de conta que não acontece, não vê. O Carrefour tem histórico: em 2009, funcionários da unidade de Osasco espancaram um homem negro sob alegação de que ele estaria tentando roubar o carro que era dele mesmo. Em 2018, um homem negro deficiente foi espancado na unidade de São Bernardo do Campo porque abriu uma lata de cerveja dentro da unidade. Entre 2017/18, uma mulher negra e dependente química foi espancada e estuprada numa unidade do Rio de Janeiro e fora os caso do cachorro que foi morto por um segurança da loja e daquele outro caso de uma pessoa que morreu dentro da loja que seguiu funcionando normalmente tendo apenas coberto o corpo com guarda-sóis.

O Carrefour aparece porque é uma empresa grande, gigante, internacional mas casos iguais ou piores que acontecem diariamente em outros estabelecimentos passam batido por nós e pior, de tanto vermos casos assim acabamos normalizando sua ocorrência, mais um, acontece sempre como qualquer outra coisa numa cidade grande e num país como o nosso.

O pior é que lutar contra isso é uma tarefa ingrata, tipo enxugar gelo porque boicotar a empresa pode parecer um ato viável mas na verdade pouco tem de efeito porque as pessoas seguem comprando na rede e não seria apenas boicotar o supermercado mas as marcas que fazem negócio com ele e que também tem culpa no cartório mas se fazem de isentas porque não vão perder bilhões em vendas. Não adianta pressionar o Carrefour, temos de pressionar a Unilever, a Coca-Cola, a Nestlé e todas as grandes marcas que também pecam por omissão e tem sim casos de racismo, homofobia e outros em seus catálogos, uma tarefa praticamente impossível já que boa parte das marcas que consumimos estão nas mãos dessas e outras empresas que controlam tudo que consumimos mundialmente.

Além disso, há o fator social e político, quando o governo se faz de besta e prefere proferir absurdos, sandices e imbecilidades ao invés de encarar de frente o problema, incita a parcela da sociedade que pensa igual a fazer a mesma coisa e normalizar e relativizar casos assim tomando sempre a vítima como culpada e duvidosa, se apanhou ou morreu é porque coisa boa não era, se fosse gente de bem não teria acontecido nada, se fosse gente branca de bem, obviamente.

Enquanto aceitarmos tacitamente declarações estapafúrdias de governantes imbecis e pedidos de desculpa corporativos vazios cheios de medo da queda nas ações e não de culpa, estaremos no mesmo barco que o Carrefour e todos os que acham que a vítima é sempre culpada.

30 de out. de 2020

brincando de presidente

 


Eu nasci gay graças a todas a forças do universo e, se existe algum tipo de reencarnação, voltarei ainda mais gay porque voltar hétero e escroto como o nosso 'presidente' é praga que nenhuma alma merece, melhor ir logo arder nos fogos eternos do inferno seja ele qual for.

Não temos um presidente, temos um comediante medíocre que segue um repertório datado e que surte efeito apenas para seus convertidos, uma plateia de mortos-vivos que se apegam a um modelo de sociedade cambaleante e moribundo com unhas postiças e dentes moles de forma histriônica e violenta pois sabem que seu mundo está com os dias contados e esse tipo de governo é um suspiro, um vento adicional para seus pulmões caquéticos e cheios de poeira histórica.

Bolsonaro é um palhaço cansado, maquiagem borrada pelo tempo num picadeiro roído pelas traças da história, só consegue arrancar risos de seu público quando reforça as mesmas piadas que passam de geração a geração nas mesas de festas de fim de ano familiares, festas de firma quando as gravatas foram parar nas testas e os sapatos nas mãos, churrascos que reúnem parentes que se veem em ocasiões especiais apenas para perguntar sobre as namoradinhas, namoradinhos, dizer que a sobrinha está ficando um mulherão, o sobrinho está ficando meio boiola, é pavê ou pra cumê, mulher minha não faz isso, vira homem porra enquanto as carnes vão assando além do ponto na grelha junto com as aspirações de uma sociedade que perdeu seu caminho e, desesperada, voltou-se para um mascate piadista de quinta categoria.

Bolsonaro não virou boiola por causa do guaraná, ele não pode virar gay porque não aguentaria um dia sequer como gay, trans, bi, queer ou qualquer um de nós, não duraria cinco minutos como um de nós porque ser LGBTQ no Brasil é sobreviver todo santo dia, não é matar um leão mas fazer de tudo para não ser morto por ele a cada minuto. Bolsonaro não saberia ser gay nem se quisesse, ele não tem capacidade para entender qualquer vivência fora de seu picadeiro de piadas exauridas, se passasse um dia, minutos que fosse, pediria arrego, choraria feito uma criança e pediria colo, desculpas, sumiria para qualquer buraco fundo e nunca mais daria as caras no mundo. Não poderia jamais 'virar boiola' porque não sobreviveria a uma vida gay, para ele ser gay é isso, virar algo que não é normal, um interruptor que podemos ligar e desligar ao nosso prazer, faz troça da gente porque em seu mundo binário, rígido e severo, não pode haver nada que não seja macho alfa forte dominante e zeloso de sua masculinidade, padrões de rosa e azul sem meios termos.

Bolsonaro faz piada com a gente porque essa é a única maneira de lidar com seu pavor de que sejamos humanos, gente, cidadãos e que tenha de nos tratar como tal. Para ele, 'virar boiola', 'jogar água fora da bacia' e todo repertório de piadas infantis e imbecilóides faz sentido enquanto patrono dos tiozões país afora de chinelo Raider, short de tactel, óculos na ponta do nariz e celular na mão, camiseta de time para completar o clichê. Como não pode fuzilar todos nós ou colocar num campo, faz piada porque fazer piada é humilhar o outro, diminuir, fazer dele uma não-pessoa, com seu discurso burlesco grotesco, incita que o assédio e humilhação sigam em frente porque, se o chefe pode, eu também posso e assim, dá-lhe mais e mais crianças, adolescente e adultos tendo se passar por humilhações diárias pelo simples fato de serem e existirem.

Para Bolsonaro, a presidência não é um cargo, uma responsabilidade mas o recreio da escola, a turma do fundão, governar o país por quatro anos é, para ele, um eterno churrasco de família onde ele pode, sem medo de represálias, falar suas asneiras e atrocidades enquanto a nossa carne vai assando lentamente sob o fogo de seu fascismo ardente.

1 de jun. de 2020

Bolo Fascista Simples (qualquer gado consegue fazer)



1 capitão messiânico demente
3 filhos cheios de ódio
1 neoliberal
1 ministro da educação burro
1 ministro dos direitos humanos fascista
1 gabinete de fake news
6 dúzia de desinformação
Internet a gosto

Modo de preparo:

Primeiro, com um golpe, retire a primeira presidente mulher do país, coloque em seu lugar um morto-vivo e aos poucos, vá marinando esse mistura com ameaças de comunismo e esfacelamento da família tradicional, moral e costumes.

Separe o capitão messiânico e vista-o com as roupas de autêntico, fala o que pensa e salvador da pátria. Misture a 57 milhões de imbecis que compram a ideia de brazil great again e, com pitadas de trump, eleja.

Depois, acrescente os três filhos e faça com que eles governem mais que o capitão e assegure que sempre estejam questionando a democracia, as instituições, promovendo o caos e incitando o ódio. Acrescente um pouco de milícia para dar gosto e uma ou duas pitadas de verborragia anal para encorpar.

Bata o ministro neoliberal que deseja ver as minorias mortas ou restritas aos seus guetos com a ministra dos direitos humanos que só enxerga rosa e azul e quer prender governadores e prefeitos, quando pegar liga, acrescente o ministro da edução que não sabe escrever, faz apologia ao nazismo e quer fechar o STF. Bata bem até obter uma massa homogênea por mais difícil que seja.

Unte a forma do plano piloto com a pasta de fake news, pode ser difícil de achar mas procure que você encontra. Polvilhe com farinha de desinformação e leve a internet pelo tempo que for necessário.

Pronto! Seu bolo Bolsofascista pode ser servido para acompanhar as mortes da pandemia ou a carne fresca comunista que está sempre disponível e em preço mais do que razoável.

21 de mai. de 2020

Quem ri por último?

No dia em que batemos um recorde nefasto, mórbido e horrendo, em que aparecemos num terceiro lugar mundial pavoroso, em que uma criança foi morta por estar em casa e seu corpo vagou por uma cidade voando feito anjo esquivo e esquecido até pousar na gaveta fria de um IML.

Nesse dia horrendo que deveria ser banido para sempre de nossas lembranças e da história, o assassino da república riu ao vivo para seus asseclas e fez piada.

Sem medo. Sem vergonha. Sem culpa. Sem arrependimento. Sem mácula. Sem noção.

Riu de todos os mortos, de suas famílias, dos profissionais que estão lutando dia e noite para tentar frear essa doença. Riu de quem está passando fome, sem trabalhar, sem grana, sem esperança, sem família, sem vida.

Rasgou o país ao meio e limpou sua imundície na constituição. Tirou seu membro milícia verde amarelo pátria amarga brasil e esfregou na cara de todos nós. Rindo. Jocoso. Palhaço. Piadista. Gozou de todos nós sem qualquer vestígio de consciência ou pudor.

Mostrou de uma vez por todas que não é humano, nunca foi, nunca será. É um nada, um vazio, um oco, um buraco sem fundo onde tudo que cai é dissolvido e some para nunca mais. Nem mesmo animal ele é porque animais possuem inteligência, o assassino da república possui demência.

Riu. Riso frouxo de quem está feliz com as mortes de tanta gente. É o palhaço que ri do circo em chamas sem saber que depois vai ficar sem ter onde morar. Para ele, não existe outra versão dos fatos que não seja a dele e de seu clã abjeto e odioso.

O assassino da república riu. Está feliz. Está pleno afinal, todo bom sociopata sente-se bem ao caminhar em cima de cadáveres.

E nós? Como estamos? 

Estamos morrendo. Segundo o assassino da república, uns irão tomar cloroquina, outros tubaína e nós, bem, nós seguiremos tomando onde sempre tomamos desde que ele foi eleito.

Não vou compartilhar o vídeo do assassino da república pois não desejo dar a ele mais esse prazer.

Deixo então essa reflexão bela e atual do João Silvério Trevisan que é bem melhor.

A RESISTÊNCIA DOS VAGA-LUMES

"Vencidos o medo de ser e a resignação de antigamente, oprimidos em estado de purpurinização não precisam pedir licença aos guardiões do poder heteronormativo, nem bajular aqueles supostos parceiros, como se a sobrevivência dos nossos desejos, afetos e amores dependesse deles. Quanto maior for a compreensão de que no território do desejo não existem mestres nem patrões, tanto maior será a eficácia dos sujeitos em estado de construção de suas singularidades. Se existe a escuridão opressiva ao nosso redor, nossa função é brilhar. Exatamente como os vaga-lumes, que só brilham se houver escuridão e são tanto mais vaga-lumes quanto mais escuro estiver o entorno. Talvez pareça estranho que sua luz precise das trevas para ser luz (...). Mas aí exatamente se encontra aquela capacidade de renascer das cinzas, como fantasmas iluminados, que emitem sinais de liberdade na noite. (...) Não por acaso, é justamente no meio das trevas que se efetua a dança viva dos vaga-lumes. (...) Através da dança renitente de vaga-lumes purpurinados, diremos sim no meio da noite atravessada pela execração que os senhores do poder emitem para nos ofuscar. Assim, a opressão que tenta sufocar nosso desejo, ela mesma será o motor da nossa luz e da nossa dança de vaga-lumes na noite. Quanto mais escuridão dos opressores, maior será a luz emitida pela purpurina dos oprimidos."
João Silvério Trevisan
(DEVASSOS NO PARAÍSO, 4ª edição, pp. 577/8)

11 de mai. de 2020

A carne mais barata

Toca o telefone.

O Rei do Corona, Nelson, bom dia!

Bom dia, Nelson, tudo bem aí? Jair aqui.

Ô seu Jair, tudo bem! E o senhor?

Indo, indo, essa zona toda aí, tá complicado né? A gente entende né? Mas, tá osso.

Nem me fale, seu Jair! Nem me fale, aqui a coisa tá feia mas, a gente vai levando que o Brasil não pode parar.

Não mesmo! Bem isso, ô Nelson, eu tô aqui na luta, tu sabe, to aqui levando sopapo todo dia mas eu tenho uma carreira né, Nelson, tenho um compromisso, tenho palavra, não sou de fugir de briga não! Tu sabe que sou das antigas, Nelson! Comigo não tem essa de mimimi, taoquei?

Opa, seu Jair!O senhor sabe, aqui todo mundo é amigo né? Pode contar sempre!

Eu sei, Nelson, eu sei! Vocês são ponta firme, queria ter mais gente assim aqui mas...

E que manda hoje, seu Jair? O de sempre?

Não, hoje não, Nelson. Vai ter um churrasco aqui em casa, coisa pequena sabe, só pros amigos e familia, os mais chegados, pra comemorar aí a pandemia, taoquei? To zoando viu? Antes que alguém ouça e venha torcer o que eu digo.

Ô seu Jair! Aqui tem disso não! Tem mais de juntar os parceiros mesmo, família, coisa sagrada! Esse povo tá querendo acabar com a gente mas com o senhor somos mais, por Deus! O que o senhor precisa?

Tava aqui pensando, uma carne boa mas nada caro hein, Nelson! Não sou de esbanjar! Tem de ser coisa simples!

Claro, seu Jair! E põe na sua conta?

Não, põe não Nelson, vou passar o corporativo que eu tô com saldo lá, gastei nada dos vinte e quatro mil, vai lá mesmo.

Beleza! E o que vai ser?

Hummm, tava pensando em talvez uns filés, asinha que o povo curte, linguiça que o povo gosta muito, frango, um pão de alho, talvez uma picanha, como tão os preços aí?

Olha, recebemos essa semana um lote bom, viu? Carne boa de pobre, tem de preto também e favelado, são as mais em conta que eu tenho.

Vixe! Não, também não precisa ser tão barata né, Nelson! Mas separa aí un meio quilo de carne de pobre, um e meio de carne de preto e uns três de favelado que vou congelar pra depois, quando rolar um evento pra juiz ou alguém do congresso a gente serve.

Perfeito! E pro churras?

Que mais tu tem aí?

Chegou picanha covid-19, de primeira! Coisa fina e num preço bom! Tem também asinha de velho UTI num preço bom, carne macia eu garanto, a ventilação mecânica deixa a carne aerada. Ah! Tem também uma linguiça especial recheada de corona e auxílio emergencial que não saiu, novidade!

Opa! Vou querer, separa aí então, duas picanha covid, uns dois e meio de asina de UTI e uns três de linguiça corona com esse auxílio que nunca saiu.

Feito! Que mais, seu Jair?

Sei não, fala que mais tu tem aí.

Tem uma costelinha de viado espancado, sem HIV, comprovado! Macia que derrete na boca! Tem uns bifes de comunista sovados que estão uma beleza, sangrando ainda mas é carne boa, tudo de universidade esquerdopata.

Nada de maconheiro, né?

Não! Nada disso, seu Jair!

E essa carne de viado? Vou virar viado não né? kkkkkkk

Vai não, seu Jair, carne de viado limpinha, tudo virou macho na porrada kkkkkkk

Separa aí dois de cada pra mim então.

E uns contra, vai?

Boa! Tá bom esse contra aí?

Artigo de primeira! Contra de petista! Coisa fina, criado em cativeiro, o senhor nunca provou nada assim.

Sei não hein, melhor deixar, servir coisa de petista, vai dar azia no povo.

Tem chuleta, que tal uma chuleta?

Pode ser, como tá essa?

Um doce! Chuleta boa, de imprensa comunista malhada, só deixar marinando num caldo de ódio e depois por no fogo baixo, fica uma beleza!

Vê aí uma peça então, ô Nelson!

E o pãozinho de alho? Vai?

Vai! E eu sou homem de fazer churrasco sem pão de alho? Tá me estranhando, ô Nelson?

Hahahaha! Não, seu Jair, que é isso! Tem um aqui especial, que a gente só vende pra cliente especial que nem o senhor, um pão de alho amassado pelo gado que segue a gente, se o senho comer um, não vai querer outra coisa.

Boa! Manda aí o suficiente pra umas quarenta pessoas.

Ok! Que mais?

Carvão! Porra, Nelson! Carvão, como vai ter churras sem?

Hahahaha, verdade! Tem aqui um do bom, recém chegado da Amazônia, coisa boa, vai queimar devagar e dar até um aroma especial na carne, de brinde, como o senhor é um freguês especial aqui, vai levar uns cortes resfriados de alcatra indígena, coisa muito, mas muito fina, pra quem entende!

Eita, Nelson! Aí tu me estraga hahaha, vão falar que eu tô fazendo pouco da pandemia e tals.

Relaxa, seu Jair, deixa esse povo falar, eles tem inveja do senhor porque o senhor sabe que o país precisa ir pra frente, tem de mudar!

Ô Nelson, assim eu choro aqui, rapaz.

Que é isso, seu Jair! Aqui o senhor manda!

Fecha essa conta aí, taoquei? Quanto deu essa merda?

Deixa eu ver aqui, pera aí, seu Jair.

Não me esfola! Faz um preço legal, Nelson!

Pode deixar, aqui o senhor sempre vai ter o melhor preço, pro senhor, seu Jair, aqui é o senhor que manda!

Tá bom, Nelson, quero só ver.

Então, deu aí, seu Jair, uns vinte e cinco mil mortos, seriam trinta mas eu faço por vinte e cinco.

Vinte e cinco, Nelson! Tá querendo me fuder? Que porra é essa Nelson?

Calma, seu Jair!

Calma é o cacete! 

Olha, o senhor pode pagar metade dos mortos agora e a outra metade em quarenta e cinco, que tal? E ainda mando de brinde um engradado de cachaça curtida nas lágrimas das famílias da pandemia, que tal?

Porra, Nelson! Tá caro isso aí mas, come essa cachaça e pagando em duas, vai, bora fechar essa merda, taoquei?

Entrego no mesmo endereço?

Claro! Queria entregar onde ô arrombado?

Hahahaha, seu Jair.

Hahahahahaha

Quando tu entrega?

Hoje mesmo até o final do dia.

Boa, por isso compro aí, Nelson, e recomendo pros meus amigos, vocês são o açougue da família brasileira!

Que é isso, seu Jair, estamos aqui pra isso!

Beleza, olha, quando vier entregar, pede pra chamar o Luxo que eu vou estar fora, ele recebe tudo, taoquei?

Sim, senhor! Pode ficar tranquilo.

Obrigado, Nelson!

De nada, seu Jair, sempre às ordens.

Fim da ligação.

6 de mai. de 2020

O Paladino de papel

CALA A BOCA!

SOU EU QUE MANDO!

A CONSTITUIÇÃO SOU EU!

E DAI?

Um presidente da república deveria, em tese, ser um líder, um zigurate, um governante, aglutinador, falível obviamente posto que é humano mas, capaz de exercer tal cargo com o comedimento e compostura que ele demanda fazendo das tripas coração para controlar suas emoções e sentimentos mesmo ante a pior das situações, isso é política.

Não é o caso do messias.

Descontrolado, irritado, incapaz de conter seus ímpetos quando confrontado ou contrariado, totalmente instável emocionalmente, beirando um ataque de raiva e nervos, sempre espumando e armado para atacar os inimigos que só ele enxerga.

Bolsonaro é um cão raivoso que precisa urgentemente ser sacrificado, não tem mais salvação, antes que contamine mais e mais pessoas com sua raiva cega. Ele só tem inimigos e propaga a seus apóstolos que devem tratar todos do mesmo jeito, qualquer um que nao vista as cores pátrias e aceite seu julgamento como final e inquestionável, deve ser abatido e posto de lado.

Bolsonaro é um animal acuado, perigoso, está sendo cutucado com a vara curta de verdades que ele não quer ouvir afinal, para ele só existe uma verdade, a dele, qualquer outra coisa é sacrilégio. Esse animal foi alçado ao maior cargo do país por uma elite que precisava de um salvador, um paladino que lutasse pelos valores pátrios que foram roubados pelos comunistas, socialistas e inimigos da família.

O capitão era seu campeão, o cavaleiro em armadura brilhante e cavalo branco, vindo do horizonte para acabar com a bandalheira e por ordem na casa mas, o paladino estava m ais para aquele tio do churrasco que depois de encher a cara faz piada sem graça e constrangedora até ir embora ou ser posto pra fora. Caiu de gaiato num jogo que não sabia jogar achando que seria fácil e que faria tudo do seu jeito, acabara a velha política e ele iria impor rotina de caserna no país, talkey? Só que depois, descobriu que o jogo era para gente grande e não moleque, a coisa era séria, não era de brinquedo e, desesperado, começou a tacar pedra em tudo e todos e diariamente meter um louco diferente.

Bolsonaro está brincando de governar, é um incapaz, um imbecil que só consegue se fazer ouvir quando berra, ofende, xinga, ataca e faz piada grosseira, ele ainda acha que está no churrasco da família, de chinelo, camiseta de time de futebol, cerveja na mão e óculos na ponta do nariz para ler as coisas no celular. É aquele parente chato que fica compartilhando vídeo ridículo no zap da família e sempre perguntas das namoradinhas com aquele ar matreiro e uma piscada de olho.

Quando reclamam dele, ele manda se foder, calar a boca, manda a merda e diz que no tempo dele não tinha tanta frescura, se você discorda dele ele te chama de viadinho, de comunista e de maconheiro, na ditadura não tinha disso não. É aquele adulto amargurado, ciente de que sua vida não foi sequer um quarto do que poderia ter sido e de que a mediocridade é sua grande herança e marca na vida, depois de morto será mais uma lembrança que vamos varrer para debaixo do tapete.

Bolsonaro, com sua boca de ânus, não consegue ficar um dia sem falar merda, sem atacar alguém, sem ofender e causar desconforto, é o jeito dele, autêntico, as pessoas gostam porque nunca tiveram um presidente assim, que manda a real, ele é um reflexo de nós como sociedade, a voz do povo. Bolsonaro é o brasileiro que saiu da caverna ainda incapaz e andar ereto e, de clava em mão, ataca tudo que vê pela frente pois perdeu o trem da história e não sabe e não quer entender o mundo que o rodeia, ao invés de se adaptar, prefere que todos voltem com ele para a caverna onde tudo era melhor e conhecido, está disposto a descer o sarrafo em todos para que isso aconteça.

Resta saber se vamos assistir impassíveis ele nos enterrar em merda ou se vamos fechar sua boca de fossa antes que ele cague todo o país (se já não for tarde demais)

5 de mai. de 2020

sem mil

cem mil. cem mil. cem mil.

e o povo segue mugindo, lambendo as botas do messias.

e o povo segue na rua porque acha que é só uma gripe.

cem mil. cem mil. cem mil.

e o presidente segue ensandecido pregando o fim da democracia e o fim da sociedade, ele quer um feudo, um reino, um gueto, não um país.

cem mil. cem mil. cem mil.

e o povo segue com a bandeira verde e amarela suja de merda, cagada por eles com seus brados de AI-5 e golpe, comem merda e arrotam bosta, colocam suas bocas no ânus do  mito sedentos pelo maná de fezes que ele defeca todos os dias em suas bocas famintas.

cem mil. cem mil. cem mil.

e as pessoas estão mijando sobre as covas dos mortos, rindo das famílias, fazendo troça de quem está lutando pela vida e dizendo que não se pode fazer um país sem quebrar algumas cabeças.

cem mil. cem mil. cem mil.

e as pessoas saem vestidas em festa pedindo a morte geral, do país, querem matar a nação para fazer nascer uma utopia horrenda, Heil Jair! Vistam suas suásticas!

cem mil. cem mil. cem mil.

e o brasil morreu, morte horrível, morreu lenta e dolorosamente, câncer, tumor, corroeu tudo quando deixou aquele homem e sua família maldita entrar e morreu rindo, cantando o hino nacional, vestido das cores nacionais, fechados com o presidente, salve, salve.

cem mil. cem mil. cem mil.

e o demente federal aplaude, abraça e espalha o vírus do totalitarismo sem medo, com orgulho, fleuma e sem vergonha de ser ditador. 

cem mil. cem mil. cem mil.

e não tem problema porque só existe morte quando convém ao presidente, quando ela for a favor de seus planos para o brasil, deus acima de todos e acima dos mortos, eu sou o estado e a constituição é meu papel higiênico, vejam como eu limpo minha bunda messiânica com ela.

cem mil. cem mil. cem mil.

e o messias quer mais, quer duzentos, trezentos, quinhentos mil ou um milhão porque esses mortos serão os alicerces sobre os quais ele erguerá seu novo brasil, sua nação soberana great again, america, america, god shed his grace on thee, bate continência pro presidente alaranjado e muda a cor da bandeira para star spangled banner, make fascismo great again.

cem mil. cem mil. cem mil.

mas para o messias, não há morte que seja suficiente, messias que é messias só fica satisfeito quando todos estiverem mortos sob seus pés e servindo eternamente sua vontade nazista suprema, ele é o caminho, a verdade e a luz de todos os finais de túneis.

cem mil. cem mil. cem mil.

não tem problema, sempre podemos fabricar mais fascistas.

30 de abr. de 2020

E daí?

E daí? Isso aí esta super dimensionado, é histeria.

E daí? Teve outras gripes que mataram muito mais, qual o problema?

E daí? 2009 e 2010 teve crise semelhante e não teve tanto pânico.

E daí? Esse vírus trouxe uma certa histeria, o remédio não pode ser pior que a doença, senão mata o paciente.

E daí? Não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar.

E daí? O povo vai saber que for engando pelos governadores e pela mídia.

E daí? Não dá pra fazer mais do que estamos fazendo.

E daí? Tenho passado de atleta, não sentiria nada, talvez uma gripezinha ou resfriadinho.

E daí? Há uma histeria, querem quebrar o Brasil, não acho que vai chegar a esse ponto de morrer muita gente.

E daí? Muitas mortes nem são devido ao coronavírus mas estão colocando que é.

E daí? Todo mundo vai morrer um dia, vai fazer o que?

E daí? Vai morrer gente? Vai! Mas faz parte da vida, uns vão morrer mesmo, vai fazer que?

E daí? Vírus é igual chuva: você vai se molhar mas não vai morrer afogado.

E daí? Povo está com frescura, tá com medinho de pegar vírus.

E daí? O vírus parece que está indo embora.

E daí? Não sei da quantidade de mortos, não sou coveiro oras!

E daí? Quer que eu faça o que? Eu sou Messias mas não faço milagre!

E daí? E daí? E daí? E dai? E daí?

Mas não tinha ninguém pra ouvir ou responder ou chamar de mito. Ele pregava para um país desolado, povoado de gente morta.

23 de abr. de 2020

O país do futuro


Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Ainda que tal frase não contemple todas as possíveis interpretações considerando que nem sempre com quem andamos pode, necessariamente, representar quem somos ainda mais em tempos de redes sociais e convívio isolado sob ameaça constante de um contágio, tal citação expressa de forma coerente outra afirmação de que os iguais, acabam por atrair-se.

Atá aí, nada demais.

É do humano agrupar-se desde antes de sermos bípedes, de polegar opositor, falantes e sedentários então, fazer parte, tomar parte, ser parte, existir em grupo é condição inerente de nossa definição como pessoas, através do grupo temos nossa validação como gente, como seres existentes, o grupo nos corrobora o fato de estarmos aqui e sem ele, somos apenas uma ideia de gente, uma concepção criada, inventada e dada como real apenas por nós e pela percepção unilateral de nós mesmos. Sem a validação do outros, não existimos.

Agora, tomemos então essa campanha do 'governo federal' para geração de empregos num cenário pós-pandemia (como se fosse preciso disso para gestar um programa que dê cabo do desemprego, enfim) já que os números mais otimistas, esbarram nas casas de milhões para contar os desempregados.

O Brazil é um país pluricultural, diverso até sua raiz, multi-étnico, somos o resultado de uma receita de ingredientes incertos e até hoje, creio que ainda corremos atrás de algo que seja ou possa ser chamado de identidade nacional.

Mas, para os governantes, somos um país europeu, branco até no DNA e a foto que ilustra a campanha é um grito forte de como o atual governo pensa a sociedade e deixa bem claro para quem está governando. Que temos um governo racista, misógino, homofóbico, conservador e negacionista nunca foi dúvida mas, ao ver o governo levando a termo seu projeto de implantar uma sociedade utópica é simplesmente de revirar o estômago.

Num país que ainda luta para reconhecer sua população afrodescendente e onde grande parte ainda se considera como branca e renega qualquer miscigenação ou origem que não seja caucasiana, que tem entre a população afrodescendente os maiores índices de mortes violentas e encarceramento, é clara a mensagem que a foto transmite: a sociedade não é para vocês, é para os brancos, cis, heterossexuais de classe média alta, os mesmos que saem em carreata em plena pandemia, dizem que o vírus em um complô vermelho e pedem os militares no poder e AI-5.

Logo, aparecerá algum bode expiatório, um estagiário ou assistente assumindo a culpa e dizendo que usou a foto do Google ou que a agência é responsável, que não foi feita pesquisa e que não viram ou deram fé o que é típico deste governo CTRL-C CTRL-V.

Não se iludam, eles sabem muito bem o que estão fazendo.

20 de abr. de 2020

O ódio que você plantou

Eu te odeio.

Sim, eu te odeio.

Nunca pensei que falaria isso para alguém porque durante minha vida, o ódio quase sempre foi um sentimento que vinha de fora e que eu tinha de lidar da melhor forma possível mas, não permitia que ele fizesse morada em mim pois o amor sempre é mais forte, deixar o ódio vencer era abrir mão do amor que fui obrigado a esconder e viver sem dizer o nome e eu nunca abriria mão do amor porque ele é tudo que nos salva e que nos resta.

Mas vocês conseguiram, tiraram o amor de mim, levaram ele embora e eu acho que nem me dei conta. Foram aos poucos substituindo ele pelo ódio e eu nem percebi, como isso aconteceu? Onde foi parar meu amor que levei tanto tempo para construir? Para onde vocês o levaram? Que fizeram com ele? Quais torturas o submeteram?

Hoje eu me pego odiando e é uma sensação horrível, me vejo desejando o mal a quem conheço e não conheço, rompendo laços que julgava eternos e cuspindo na face de quem eu julgava querer bem, quando isso aconteceu? Porque deixei que vocês me tornassem esse poço de ódio que nunca pensei sentir?

Essa é a sua vitória, roubar de nós o amor, a esperança, o desejo de que podemos ser mais, de que aprendemos com nosso passado, que a história nos ensinou algo e que não repetiremos os erros grosseiros que nossos antepassados cometeram.

Vocês venceram, roubaram de nós o país, o hino que talvez eu nunca mais tenha coragem de cantar, a bandeira que não serei capaz de honrar, as cores que jamais serei capaz de vestir, o orgulho que quase tive e a esperança que nem vi nascer. Vocês roubaram de mim um país e agora, sou um nômade, um sem teto, sem pátria, sem destino, sem nada.

Eu odeio vocês, Essa é a herança que vocês nos deixaram, o ódio, mataram nosso amor e colocaram o ódio no lugar porque apenas o ódio é o que vocês entendem, o genocídio, a exclusão, não pode haver quem ame porque se há, vocês estarão errados em odiar então vamos todos odiar porque no ódio  nos tornaremos irmãos, eu odiando você e você odiando a mim. Viva o país! Pátria Amarga, Brazil!

Eu odeio vocês. Vocês amam odiar então, através de uma lógica nefasta, quando dizem EU TE ODEIO dizem EU TE AMO então, se eu odeio vocês eu amo e está tudo bem porque odiar é IN, é bom, é moda é faz bem vide o presidente de fel que foi eleito para odiar a todos com a caneta na mão.

E vamos odiar! Vamos sair em carreata buzinando e pedindo a volta da ditadura porque foi o ápice do ódio então nada melhor para ensejar os dias de hoje. Vamos bloquear acessos a hospitais e outros serviços para demonstrar nosso ódio, como ele é forte, como é horrendo, como é altivo, como nos une e nos aproxima.

Vamos pedir um AI-5 porque democracia é para quem ama e quem ama é fraco e tem de ser eliminado, somente o ódio nos torna fortes. Vamos pedir fechamento do Congresso, Senado, STF e tudo mais porque são instituições que zelam pelo amor e pela justiça e o ódio não pode ter isso em seu governo. O ódio só pode ter um mandatário e ninguém ou nada pode se dispor contra ele.

Vamos gritar contra todos os que falam contra o presidente mito porque ele é um enviado de Deus mas não o Deus amor mas o pai patrão que veio para castigar e punir, espalhar as sementes do ódio entre seu rebanho raivoso. Vamos agredir, ofender, perseguir e humilhar todos que não pensam como nós pois são inimigos da nação, querem o fim da pátria, são comunistas e esquerdopatas desejosos de tingir a bandeira de vermelho e acabar com a família transtornada brasileira.

Vamos odiar! Porque o ódio alimenta quem o possui e quem tem posse manda, onde já se viu um país de amor onde todos são tratados de forma igual e podem se beneficiar de direitos iguais. Como é possível que o serviçal tenha direitos? Essa quarentena me tirou os direitos básicos de ter uma empregada, babá e outros que tem por obrigação manter as coisas funcionando enquanto os cidadãos de bem decidem o futuro da nação, não importa se esse futuro não será bom para todos, será bom para a parcela que merece e isso basta!

Vamos odiar! Vamos odiar porque o capitão soltou a ordem do dia e ela é vocês contra todos porque ele está certo e vocês também e quem se colocar no caminho, paciência, não se pode fazer um país justo sem quebrar algumas cabeças melhor ainda se for durante a pandemia porque velhos e outros doentes estão apenas atrasando o messias e seu plano para o Grande Brazil. Todos vão pegar o vírus, oras! Então se alguns milhares vão morrer que seja, desde que sobrem os eleitos, os que merecem fazer parte da utopia neo-fascista do clã Bolsonarista.

Odiemos sem medo! Sem fronteiras! Sem controle! Apenas o ódio pode construir um grande país!

E eu te odeio, ah, como eu te odeio, meu patriota! Debaixo dessa bandeira de sangue eu te odeio como um irmão, quero te odiar até o dia em que morrer e, se houver vida após, te odiarei de lá. Essa é a dádiva que você me deu, odiar sem limites, eu te agradeço por abrir meus olhos, por me fazer ver que o amor é uma farsa, um engodo, que apenas o ódio pode nos levar a algum lugar.

Obrigado pelo ódio que estou sentindo, pela benção de odiar hoje e poder odiar amanhã, por ter me tornado esse cancro de fel que todo dia destila seu veneno pestilento sem medo ou remorso. Já nem me lembro de quando amei, de como era amar, para que servia ou como era, o ódio preencheu tudo e o presidente merece créditos pois foi o grande arquiteto desse ódio descomunal que nutrimos uns pelos outros e por tudo mais.

Mas, eu tenho uma dúvida, meio besta até e peço que você não me odeie menos por isso. Quando esse ódio acabar e ele vai acabar porque o ódio tem o péssimo hábito de consumir a si próprio, que faremos? Lembraremos de como é amar? Ou colocaremos outra coisa no lugar, um outro ódio ou presidente? Como vai ser?

Não sei.

Só espero que ao acabar tudo isso e o ódio se for, ainda nos lembremos como amar caso contrário, seremos todos criaturas vazias vagando por uma terra desolada que um dia se chamou Brazil,

16 de abr. de 2020

Carta aberta ao COVID-19

Sr Corona eu ando aqui pensando em que faremos quando o senhor nos deixar porque com o senhor ainda temos um inimigo que joga limpo e que, a grosso modo, está apenas fazendo o trabalho que a natureza lhe designou. 


Eu sei que o senhor não faz o que faz por gosto e mais porque, igual aquela fábula do sapo e do escorpião, está em sua natureza, tudo bem! Mas, quando senhor for embora teremos de seguir vivendo com o Bolsovid-17 e contra o qual não achamos até o momento qualquer vacina ou tratamento porque esse vírus se instala nas pessoas e as transforma em mortos-vivos que mugem MITO sem parar e não param de usar as redes sociais. 


Eu fico apreensivo sabe, Sr. Corona, porque assim, o senhor está cobrando um preço alto mas logo vamos encontrar um meio de conviver consigo enquanto a pandemia Bolsonaro é meio que sentença de morte para todos sem qualquer grupo de risco. 


Não sei se o senhor teve tempo de ouvir os pronunciamentos dele ou acompanhar suas redes sociais, entendo que esteja assoberbado de trabalho no momento mas, se tiver um tempo, peço que gasta uns minutos com isso só para entender em que buraco o senhor se meteu e nos meteu fazendo valer aquela máxima de que nada é tão ruim que não possa piorar mas, honestamente, o senhor poderia ter esperado mais un três anos ou a queda do mito para chegar por aqui não é? Ou fizemos algo muito ruim (sem contar a eleição do messias) para tamanho desagravo? Sei que não devíamos reclamar, veja o Egito que teve aquelas pragas mas, elas vieram em intervalos e nós recebemos tudo de uma vez, não me parece muito justo, só acho. 


Enfim, gostaria de saber se o senhor pretende ficar muito tempo só para ter uma ideia do que fazer e quando entrar em pânico, se for ficar muito tempo a gente se ajeita como der, somos um povo acostumado a ser tratado como esgoto então de boa mas, se for mesmo ficar mais tempo como perguntei, queria saber se o senhor poderia fazer uma visitinha lá para o Bolsonaro e sua família, sabe como é, prestar seus respeitos e tal, acho que seria de bom tom de sua parte e ajudaria a gente porque o senhor já estamos sabendo como tratar mas o Bolsonaro está meio complicado. 


Um abraço!

Inspirado pelas publicações de João Silvério Trevisan em sua página no Facebook

8 de abr. de 2020

MADE IN CHINA

O ego inflado e inflamado dos patriotas agora ataca a China como grande vilã da pandemia. demandam pedidos de desculpa e até mesmo que indenizem a todos por ter espalhado essa doença.

Entendo.

Como não podem culpar seu mito que, cambaleante, tenta achar um meio de lidar com a crise sem deixar de ser quem é, identificam um culpado de fora e nele jogam toda a sua frustração e ódio, melhor que assumir para si e publicamente que estão sob o mando de um presidente incapaz, inepto e que foi alçado ao governo sem saber bem como faria aquilo.

Atacar a China expõe o lado mais frágil e pernicioso dos patriotas, o sentimento de que o Brazil é uma super potência saída diretamente dos tempos saudosos da ditadura, celeiro do mundo, pulmão do planeta, o mundo precisa de nós e não o contrário então, podemos nos dar ao luxo de desprezar qualquer potência mundial.

A China é a segunda economia mundial e responsável por grande parte de nossas exportação principalmente de soja e carnes. Um governo que se preocupa tanto com a economia a ponto de não se importar em sacrificar vidas humanas para manter a balança comercial funcionando deveria, em tese, tentar a todo custo manter excelentes relações com um de seus principais parceiros comerciais ainda mais em tempos de crise mas, não é o caso do (des)governo Bolsonaro que  prefere ceder aos rompantes de sua base ideológica.

Por mais de uma vez, o 'gabinete da confusão' promoveu crises graves com a China e a última, causada pelo Ministro (?) da Educação (??) em conluio com os rebentos esquizofrênicos do messias, pode render prejuízos graves se os bombeiros de plantão não agirem rápido - Mandetta correu para desfazer o mal estar afinal precisamos da experiência da China em lidar com a pandemia e de seus insumos e equipamentos médicos.

Como se não bastasse o governo confuso que joga com a desinformação, seu séquito de nacionalistas compraram a briga e, nas redes sociais, passaram a subir um boicote a tudo que for que de origem chinesa e, como disse mais acima, demandar um pedido formal de desculpas.

Lamento dizer que esse boicote, se pegar, vai deixar poucas opções de compra para vocês já que praticamente tudo que consumimos tem algo vindo ou com a participação da China em sua feitura ou composição. Outro ponto interessante, se vão mesmo boicotar produtos chineses, sugiro então pararem de comprar naquelas galerias de lojas box onde tudo que é vendido é de origem chinesa, aqueles produtos que vocês não tem como comprar os originais mas adoram ostentar as cópias como se assim fossem, aquelas capinhas de celular e todo tipo de bugiganga que vendem ali, passem a comprar os produtos de revendedores autorizados e mesmo assim, ao mirar no verso ou etiquetas vocês darão de cara com um MADE IN CHINA.

Também parem de frequentar a Rua Santa Ifigência e adjacências afinal 99,9% do que se vende lá vem do país comunista que vocês odeiam e culpam pela pandemia. Não comprem mais roupas no Brás nem na José Paulino, não comprem mais nada e parem de consumir macarrão, empinar pipa, pedir porte de arma que usa pólvora e esqueçam fogos de artifício na virada do ano.

E se for para pedir desculpas, que tal pedir a Holanda que se retrate por ter inventado a escravidão? Que tal pedir aos EUA que se desculpem pela crise de 1929 e de 2008 e pela bomba de Hiroshima? E a Alemanha por meter o mundo em duas guerras seguidas? E Portugal por ter mandado para cá somente os degredados? Que tal pedir a França que se desculpe pelos massacres nas guerras coloniais? E pedir ao Brasil que se desculpe aos índios e negros pelos séculos de assassinatos e exploração?

Que tal, para encerrar, vocês que votarem nesse demente que está nos levando para o abismo cantando o hino nacional, nos pedirem desculpas por terem colocado a todos nessa roubada?

Só acho. 

lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...