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1 de jun. de 2020

Bolo Fascista Simples (qualquer gado consegue fazer)



1 capitão messiânico demente
3 filhos cheios de ódio
1 neoliberal
1 ministro da educação burro
1 ministro dos direitos humanos fascista
1 gabinete de fake news
6 dúzia de desinformação
Internet a gosto

Modo de preparo:

Primeiro, com um golpe, retire a primeira presidente mulher do país, coloque em seu lugar um morto-vivo e aos poucos, vá marinando esse mistura com ameaças de comunismo e esfacelamento da família tradicional, moral e costumes.

Separe o capitão messiânico e vista-o com as roupas de autêntico, fala o que pensa e salvador da pátria. Misture a 57 milhões de imbecis que compram a ideia de brazil great again e, com pitadas de trump, eleja.

Depois, acrescente os três filhos e faça com que eles governem mais que o capitão e assegure que sempre estejam questionando a democracia, as instituições, promovendo o caos e incitando o ódio. Acrescente um pouco de milícia para dar gosto e uma ou duas pitadas de verborragia anal para encorpar.

Bata o ministro neoliberal que deseja ver as minorias mortas ou restritas aos seus guetos com a ministra dos direitos humanos que só enxerga rosa e azul e quer prender governadores e prefeitos, quando pegar liga, acrescente o ministro da edução que não sabe escrever, faz apologia ao nazismo e quer fechar o STF. Bata bem até obter uma massa homogênea por mais difícil que seja.

Unte a forma do plano piloto com a pasta de fake news, pode ser difícil de achar mas procure que você encontra. Polvilhe com farinha de desinformação e leve a internet pelo tempo que for necessário.

Pronto! Seu bolo Bolsofascista pode ser servido para acompanhar as mortes da pandemia ou a carne fresca comunista que está sempre disponível e em preço mais do que razoável.

21 de mai. de 2020

Quem ri por último?

No dia em que batemos um recorde nefasto, mórbido e horrendo, em que aparecemos num terceiro lugar mundial pavoroso, em que uma criança foi morta por estar em casa e seu corpo vagou por uma cidade voando feito anjo esquivo e esquecido até pousar na gaveta fria de um IML.

Nesse dia horrendo que deveria ser banido para sempre de nossas lembranças e da história, o assassino da república riu ao vivo para seus asseclas e fez piada.

Sem medo. Sem vergonha. Sem culpa. Sem arrependimento. Sem mácula. Sem noção.

Riu de todos os mortos, de suas famílias, dos profissionais que estão lutando dia e noite para tentar frear essa doença. Riu de quem está passando fome, sem trabalhar, sem grana, sem esperança, sem família, sem vida.

Rasgou o país ao meio e limpou sua imundície na constituição. Tirou seu membro milícia verde amarelo pátria amarga brasil e esfregou na cara de todos nós. Rindo. Jocoso. Palhaço. Piadista. Gozou de todos nós sem qualquer vestígio de consciência ou pudor.

Mostrou de uma vez por todas que não é humano, nunca foi, nunca será. É um nada, um vazio, um oco, um buraco sem fundo onde tudo que cai é dissolvido e some para nunca mais. Nem mesmo animal ele é porque animais possuem inteligência, o assassino da república possui demência.

Riu. Riso frouxo de quem está feliz com as mortes de tanta gente. É o palhaço que ri do circo em chamas sem saber que depois vai ficar sem ter onde morar. Para ele, não existe outra versão dos fatos que não seja a dele e de seu clã abjeto e odioso.

O assassino da república riu. Está feliz. Está pleno afinal, todo bom sociopata sente-se bem ao caminhar em cima de cadáveres.

E nós? Como estamos? 

Estamos morrendo. Segundo o assassino da república, uns irão tomar cloroquina, outros tubaína e nós, bem, nós seguiremos tomando onde sempre tomamos desde que ele foi eleito.

Não vou compartilhar o vídeo do assassino da república pois não desejo dar a ele mais esse prazer.

Deixo então essa reflexão bela e atual do João Silvério Trevisan que é bem melhor.

A RESISTÊNCIA DOS VAGA-LUMES

"Vencidos o medo de ser e a resignação de antigamente, oprimidos em estado de purpurinização não precisam pedir licença aos guardiões do poder heteronormativo, nem bajular aqueles supostos parceiros, como se a sobrevivência dos nossos desejos, afetos e amores dependesse deles. Quanto maior for a compreensão de que no território do desejo não existem mestres nem patrões, tanto maior será a eficácia dos sujeitos em estado de construção de suas singularidades. Se existe a escuridão opressiva ao nosso redor, nossa função é brilhar. Exatamente como os vaga-lumes, que só brilham se houver escuridão e são tanto mais vaga-lumes quanto mais escuro estiver o entorno. Talvez pareça estranho que sua luz precise das trevas para ser luz (...). Mas aí exatamente se encontra aquela capacidade de renascer das cinzas, como fantasmas iluminados, que emitem sinais de liberdade na noite. (...) Não por acaso, é justamente no meio das trevas que se efetua a dança viva dos vaga-lumes. (...) Através da dança renitente de vaga-lumes purpurinados, diremos sim no meio da noite atravessada pela execração que os senhores do poder emitem para nos ofuscar. Assim, a opressão que tenta sufocar nosso desejo, ela mesma será o motor da nossa luz e da nossa dança de vaga-lumes na noite. Quanto mais escuridão dos opressores, maior será a luz emitida pela purpurina dos oprimidos."
João Silvério Trevisan
(DEVASSOS NO PARAÍSO, 4ª edição, pp. 577/8)

11 de mai. de 2020

A carne mais barata

Toca o telefone.

O Rei do Corona, Nelson, bom dia!

Bom dia, Nelson, tudo bem aí? Jair aqui.

Ô seu Jair, tudo bem! E o senhor?

Indo, indo, essa zona toda aí, tá complicado né? A gente entende né? Mas, tá osso.

Nem me fale, seu Jair! Nem me fale, aqui a coisa tá feia mas, a gente vai levando que o Brasil não pode parar.

Não mesmo! Bem isso, ô Nelson, eu tô aqui na luta, tu sabe, to aqui levando sopapo todo dia mas eu tenho uma carreira né, Nelson, tenho um compromisso, tenho palavra, não sou de fugir de briga não! Tu sabe que sou das antigas, Nelson! Comigo não tem essa de mimimi, taoquei?

Opa, seu Jair!O senhor sabe, aqui todo mundo é amigo né? Pode contar sempre!

Eu sei, Nelson, eu sei! Vocês são ponta firme, queria ter mais gente assim aqui mas...

E que manda hoje, seu Jair? O de sempre?

Não, hoje não, Nelson. Vai ter um churrasco aqui em casa, coisa pequena sabe, só pros amigos e familia, os mais chegados, pra comemorar aí a pandemia, taoquei? To zoando viu? Antes que alguém ouça e venha torcer o que eu digo.

Ô seu Jair! Aqui tem disso não! Tem mais de juntar os parceiros mesmo, família, coisa sagrada! Esse povo tá querendo acabar com a gente mas com o senhor somos mais, por Deus! O que o senhor precisa?

Tava aqui pensando, uma carne boa mas nada caro hein, Nelson! Não sou de esbanjar! Tem de ser coisa simples!

Claro, seu Jair! E põe na sua conta?

Não, põe não Nelson, vou passar o corporativo que eu tô com saldo lá, gastei nada dos vinte e quatro mil, vai lá mesmo.

Beleza! E o que vai ser?

Hummm, tava pensando em talvez uns filés, asinha que o povo curte, linguiça que o povo gosta muito, frango, um pão de alho, talvez uma picanha, como tão os preços aí?

Olha, recebemos essa semana um lote bom, viu? Carne boa de pobre, tem de preto também e favelado, são as mais em conta que eu tenho.

Vixe! Não, também não precisa ser tão barata né, Nelson! Mas separa aí un meio quilo de carne de pobre, um e meio de carne de preto e uns três de favelado que vou congelar pra depois, quando rolar um evento pra juiz ou alguém do congresso a gente serve.

Perfeito! E pro churras?

Que mais tu tem aí?

Chegou picanha covid-19, de primeira! Coisa fina e num preço bom! Tem também asinha de velho UTI num preço bom, carne macia eu garanto, a ventilação mecânica deixa a carne aerada. Ah! Tem também uma linguiça especial recheada de corona e auxílio emergencial que não saiu, novidade!

Opa! Vou querer, separa aí então, duas picanha covid, uns dois e meio de asina de UTI e uns três de linguiça corona com esse auxílio que nunca saiu.

Feito! Que mais, seu Jair?

Sei não, fala que mais tu tem aí.

Tem uma costelinha de viado espancado, sem HIV, comprovado! Macia que derrete na boca! Tem uns bifes de comunista sovados que estão uma beleza, sangrando ainda mas é carne boa, tudo de universidade esquerdopata.

Nada de maconheiro, né?

Não! Nada disso, seu Jair!

E essa carne de viado? Vou virar viado não né? kkkkkkk

Vai não, seu Jair, carne de viado limpinha, tudo virou macho na porrada kkkkkkk

Separa aí dois de cada pra mim então.

E uns contra, vai?

Boa! Tá bom esse contra aí?

Artigo de primeira! Contra de petista! Coisa fina, criado em cativeiro, o senhor nunca provou nada assim.

Sei não hein, melhor deixar, servir coisa de petista, vai dar azia no povo.

Tem chuleta, que tal uma chuleta?

Pode ser, como tá essa?

Um doce! Chuleta boa, de imprensa comunista malhada, só deixar marinando num caldo de ódio e depois por no fogo baixo, fica uma beleza!

Vê aí uma peça então, ô Nelson!

E o pãozinho de alho? Vai?

Vai! E eu sou homem de fazer churrasco sem pão de alho? Tá me estranhando, ô Nelson?

Hahahaha! Não, seu Jair, que é isso! Tem um aqui especial, que a gente só vende pra cliente especial que nem o senhor, um pão de alho amassado pelo gado que segue a gente, se o senho comer um, não vai querer outra coisa.

Boa! Manda aí o suficiente pra umas quarenta pessoas.

Ok! Que mais?

Carvão! Porra, Nelson! Carvão, como vai ter churras sem?

Hahahaha, verdade! Tem aqui um do bom, recém chegado da Amazônia, coisa boa, vai queimar devagar e dar até um aroma especial na carne, de brinde, como o senhor é um freguês especial aqui, vai levar uns cortes resfriados de alcatra indígena, coisa muito, mas muito fina, pra quem entende!

Eita, Nelson! Aí tu me estraga hahaha, vão falar que eu tô fazendo pouco da pandemia e tals.

Relaxa, seu Jair, deixa esse povo falar, eles tem inveja do senhor porque o senhor sabe que o país precisa ir pra frente, tem de mudar!

Ô Nelson, assim eu choro aqui, rapaz.

Que é isso, seu Jair! Aqui o senhor manda!

Fecha essa conta aí, taoquei? Quanto deu essa merda?

Deixa eu ver aqui, pera aí, seu Jair.

Não me esfola! Faz um preço legal, Nelson!

Pode deixar, aqui o senhor sempre vai ter o melhor preço, pro senhor, seu Jair, aqui é o senhor que manda!

Tá bom, Nelson, quero só ver.

Então, deu aí, seu Jair, uns vinte e cinco mil mortos, seriam trinta mas eu faço por vinte e cinco.

Vinte e cinco, Nelson! Tá querendo me fuder? Que porra é essa Nelson?

Calma, seu Jair!

Calma é o cacete! 

Olha, o senhor pode pagar metade dos mortos agora e a outra metade em quarenta e cinco, que tal? E ainda mando de brinde um engradado de cachaça curtida nas lágrimas das famílias da pandemia, que tal?

Porra, Nelson! Tá caro isso aí mas, come essa cachaça e pagando em duas, vai, bora fechar essa merda, taoquei?

Entrego no mesmo endereço?

Claro! Queria entregar onde ô arrombado?

Hahahaha, seu Jair.

Hahahahahaha

Quando tu entrega?

Hoje mesmo até o final do dia.

Boa, por isso compro aí, Nelson, e recomendo pros meus amigos, vocês são o açougue da família brasileira!

Que é isso, seu Jair, estamos aqui pra isso!

Beleza, olha, quando vier entregar, pede pra chamar o Luxo que eu vou estar fora, ele recebe tudo, taoquei?

Sim, senhor! Pode ficar tranquilo.

Obrigado, Nelson!

De nada, seu Jair, sempre às ordens.

Fim da ligação.

23 de abr. de 2020

O país do futuro


Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Ainda que tal frase não contemple todas as possíveis interpretações considerando que nem sempre com quem andamos pode, necessariamente, representar quem somos ainda mais em tempos de redes sociais e convívio isolado sob ameaça constante de um contágio, tal citação expressa de forma coerente outra afirmação de que os iguais, acabam por atrair-se.

Atá aí, nada demais.

É do humano agrupar-se desde antes de sermos bípedes, de polegar opositor, falantes e sedentários então, fazer parte, tomar parte, ser parte, existir em grupo é condição inerente de nossa definição como pessoas, através do grupo temos nossa validação como gente, como seres existentes, o grupo nos corrobora o fato de estarmos aqui e sem ele, somos apenas uma ideia de gente, uma concepção criada, inventada e dada como real apenas por nós e pela percepção unilateral de nós mesmos. Sem a validação do outros, não existimos.

Agora, tomemos então essa campanha do 'governo federal' para geração de empregos num cenário pós-pandemia (como se fosse preciso disso para gestar um programa que dê cabo do desemprego, enfim) já que os números mais otimistas, esbarram nas casas de milhões para contar os desempregados.

O Brazil é um país pluricultural, diverso até sua raiz, multi-étnico, somos o resultado de uma receita de ingredientes incertos e até hoje, creio que ainda corremos atrás de algo que seja ou possa ser chamado de identidade nacional.

Mas, para os governantes, somos um país europeu, branco até no DNA e a foto que ilustra a campanha é um grito forte de como o atual governo pensa a sociedade e deixa bem claro para quem está governando. Que temos um governo racista, misógino, homofóbico, conservador e negacionista nunca foi dúvida mas, ao ver o governo levando a termo seu projeto de implantar uma sociedade utópica é simplesmente de revirar o estômago.

Num país que ainda luta para reconhecer sua população afrodescendente e onde grande parte ainda se considera como branca e renega qualquer miscigenação ou origem que não seja caucasiana, que tem entre a população afrodescendente os maiores índices de mortes violentas e encarceramento, é clara a mensagem que a foto transmite: a sociedade não é para vocês, é para os brancos, cis, heterossexuais de classe média alta, os mesmos que saem em carreata em plena pandemia, dizem que o vírus em um complô vermelho e pedem os militares no poder e AI-5.

Logo, aparecerá algum bode expiatório, um estagiário ou assistente assumindo a culpa e dizendo que usou a foto do Google ou que a agência é responsável, que não foi feita pesquisa e que não viram ou deram fé o que é típico deste governo CTRL-C CTRL-V.

Não se iludam, eles sabem muito bem o que estão fazendo.

lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...