18 de jan. de 2021
silver
15 de dez. de 2020
do que se pode ou não tocar e sentir (as mesmas coisas?)
E existe isso, essa coisa cegamudasurda que descarece desses sentidos cinco para fazer-se aqui, algo maior e que depende tanto de atos menores, simples, ínfimos, micro, nano. Mas ímãs que somos, ao invés de grudar o que presta, atuamos nos polos opostos afastando o que se deve e aproximando o que não presta, sina certa da raça, buscar o que sempre esteve na mão achando-o anos-luz distante apenas para na hora sem volta arreganhar bocas e olhos para a verdade quando ela ri de nossa cara ante o tempo perdido.
Mudar? Fácil demais, sim, é, basta pouco, um gesto, um ato(mo), um segundo, milésimo, um oi, olá, te amo, saudades e quero te ver e, um pouco mais de esforço, nada demais, só um pouco mais de boa vontade, de querer mesmo, e essas palavras tomam carne, membros e troncos, abraços, beijos, mãos e olhos. Então, sugiro que no ano próximo que de novo só tem o nome, façamos por merecer essas palavras em vida, em hóstia sacramentada, louvada, transubstanciada, metafisicadeada, empurrando goela abaixo de alguns dos 365 dias modorrentos que seguirão a certeza de que amamos quem nos ama e que desejamos mais proximidade dos que estimamos.
Deixemos as palavras para os léxicos, para os políticos, para as novelas e para nós escritores que sabemos seu real valor, que elas sejam veiculo de trazer para cá, para dentro, para os (a)braços seus, meus, nossos e vossos que são amigos amados e que as lembranças trazem cada vez que conclamadas um gosto doce na boca, um ar novo ao sangue, um olhar de dias melhores, de tempos mais lindos, mais de tudo ainda que seja do mesmo se esse mesmo for com as pessoas certas; não é tédio, nem aborrecido quando à volta estamos com quem conta.
Saiamos mais de nossos trinômios ou equações sem solução para buscar um no outro o ‘x’ da questão, em nós mesmos pouco resolve se a adição depende de mais um e nunca menos um ainda que preciso é ser inteiro mas esse inteiro só faz ser quando agregado aos demais. Por isso mesmo quero mais de todos vocês no ano que vem, vem vindo, chegando, sorrateiro, matreiro, esperto, de faca na mão para dar o golpe de misericórdia no agonizante, cansado, de guerra e nós de batalha.
Prometer? Nunca, não vou pois promessa é divida e dessas já estou cheio das que nunca paguei mas, fica o esforço cimentado de que arrancarei a pele dos ossos para ser mais a vocês e que vocês sejam mais a mim, sem cobrar nada que amizade não é agiota nem cheque especial ou cartão. Tudo se vai de uma forma muito fácil e rápida, meus caros, olho para o lado e vejo gente que não é mais ou que foi um dia e hoje é menos que uma sombra platonesca na vida enquanto eu, do lado de cá da caverna, não sei como trazer de volta para a vida iluminada aqui fora e, nesses momentos, em fato, não há que se fazer muito além de estender a mão, ombro e dar a quem precisa paciência, amor, um afago e aquele sorriso legendado ‘eu sei, eu sei’.
Fantoches de nós mesmos, cortemos as cordas e apontando o dedo ao pupeteiro feito aquele passarinho gritemos ‘Nunca mais!’. Antes que a terra e o universo nos repossua, sejamos felizes, é simples, fácil, nada custa e nem dá assim tanto trabalho, nós é que gostamos de complicar.
14 de dez. de 2020
d(ê) passagem
A viagem é feita de tempo onde os caminhos se cruzam de forma que nos parece aleatória mas, em verdade, tecem tramas delicadas entre nossas vidas engendrando momentos que perduram em sorrisos leves e olhares vagos, daqueles perdidos ao longe na ânsia de trazer de volta aquele tesouro que foi e que vive apenas mornamente acolhido em nossas lembranças.
Talvez o alicerce seja feito dos sonhos que morreram, não dos que nem mesmo deram o primeiro ar no mundo, mas daqueles que o fizeram e feito chama mágica arderam numa supernova, os melhores pois a beleza decaí e restam apenas os cacos para rememorar seus feitos gloriosos. Passamos o resto e o fim da vida tentando colar de volta esses pequenos pedaços de luz, vã tentativa de recompor o caleidoscópio original, ficamos mirando luzes distorcidas tentando identificar nelas aquele amor há tanto ido, aqueles dias perfeitos, aqueles momentos saídos do forno.
Não, esses que ardem vezes mais forte e se consomem em menos da metade do tempo são os que efetivamente deixam as marcas, as rugas, as cicatrizes que mesmo depois de curadas ainda formigam emulando o ferimento original. Se temos algo que deve fenecer são esses sonhos, melhor que vê-los viver para tornarem-se paródias de si e de nós, velemos então esses mortos e os bebamos, que a angústia não seja de perdê-los, mas de tê-los sentido tanto e, sob a pele, ter-nos imiscuído deles.
Eu temo o meu caminho, principalmente quando me desvio dele não por medo de me perder, mas pela sensação apavorante de conhecer outros, onde poderiam me levar e retornar ao meu velho conhecido eu sentindo que seus buracos são mais fundos do que pensei e pior, foram cavados por mim. A insatisfação gerada gesta em meu ventre alimentada pelos lenitivos artificiais, até quando, eu não sei.
Quando voltei ao meu caminho hoje, havia um mal-estar, uma sensação ruim e percebi que havia enterrado parte de meus sonhos, entristeci e ainda me encontro, julgo, velando, mas de rabo de olho eu vejo que o rei morto já possui a seu lado rei posto, aguardando respeitosamente que se desça ao solo o falecido para sentar em mim feito trono e demandar que faça o que devo fazer, seja o que tenho de ser e siga onde devo ir.
E então, aquele sorriso delicado que falei no começo aparece, converte o choro de triste em saudoso e move meus olhos para o horizonte, aquele lugar que insiste em me enviar sonhos e mais sonhos reis, queira eu ou não.
Nesse quesito meu querer vale quase nada, me resta ser súdito, fazer reverência e dizer 'Amém!'.
9 de dez. de 2020
ângulos
Há um estranhamento constante, um não encaixar, não falta de empatia mas de simpatia e são conceitos muito diferentes, creia-me. Falta-me a segunda diversas vezes e não por alguma patologia mas apenas por não ter realmente dilatação escrotal suficiente para deglutir certos comportamentos, temas, assuntos, atitudes e convenções que a grande maioria assume como normais ou comuns ao bom convívio. Talvez o entendimento de tal quesito seja diametralmente oposto para mim e os demais o que, se não é adequado (aos outros), não me parece ruim (a meus olhos).
Assim, declinei educadamente muitos convites para confraternizar com pessoas recebendo de quem me fez o convite presencialmente, um átimo de olhar e ar surpreso, as entrelinhas perguntavam por que mas o que saiu foi um ‘ahhhh’ disfarçado de decepção e talvez exigência de justificativas já que minha recusa foi lacônica, sem recorrer a grandes elaborações ou figuras de linguagem. Pensando após, ainda cheguei a ponderar se deveria, pelo bem do status quo, ter aceito mas ir de boa vontade a algo como festa temática (Baile no Havaí, trajes floridos compulsórios – quem me conhece já realizou a ojeriza que tal cenário me causou) com pessoas que de mim sabem nada e cujo convívio diário é tão profundo quanto uma poça d’água, me parece algo simulado senão dissimulado de ambas as partes.
Façamos então um adendo breve aqui: o fato de serem pessoas representa algo, obviamente! Porém, considerando o conjunto de valores, ideias e conceitos que levo dentro de mim essa representatividade desfaz-se no ar pois não há aderência entre nós, não há eixo comum ou área destacada.Veja, não digo que lhes desgosto, sou avesso ou dedico desafeto, apenas que não há representatividade e assim, não há congruência. Alguns podem retrucar que tal coisa carece de convivência e tempo e que se não existe o movimento de um lado dificilmente se poderá encontrar do outro mas, para que tal movimento existe deve haver uma predisposição inicial que motive a quebra da inércia e, por definição, todos os corpos tendem a permanecer e conservar a suas.
Ser humano pode ser assim cheio de falhas e talvez nem mesmo seja adulto tal comportamento mas certamente é meu, autêntico e maduro o suficiente para a esta que é a parte que me cabe neste latifúndio.
8 de out. de 2020
a arte de dizer adeus
Uso o termo adestrado pois criado me parece meio falso já que criar ao menos a mim implica realmente gerar algo onde antes nada havia ou se havia era uma cacofonia disforme incapaz de um rumo ou sentido. Assim, entendo que adestrados soa mais adequado já que, apesar de alguma parte de nós ser nossa mesmo independente do meio ou outras circunstâncias, recebemos o que nossos pais entendem ser o melhor treinamento possível para enfrentar depois as mazelas da vida e, nessa receita não há ingredientes certos ainda que existam cartilhas aos borbotões tentando ensinar como fazer isso do modo mais correto quanto possível a aí, entram os modismos e conceitos novos que mudam como as dietas das celebridades.
Em certos momentos divago sobre o que resultou do experimento que meus pais fizeram e constato que apesar das falhas, sejam elas de fábrica ou adquiridas no percurso por mim mesmo ou como resultado de um adestramento equivocado, o resultado acabou sendo bem satisfatório o que é mais do que se pode dizer de muitas pessoas por aí.
Enfim, voltando ao que motivou esse texto, somos adestrados sobre muitas coisas mas vejo uma falha incomensurável em todo esse treinamento, não somos em absoluto treinados para as despedidas sejam elas de qualquer tipo. Nunca nos prepararam para dizer adeus ou simples até logo, não fomos programados para esse ato de desapegar o que entendo ser uma falha irremediável e irreparável.
Não desejo intuir que a despedida deve ser encarada levianamente ou de forma fria e corriqueira mas, se fôssemos desde tenros anos treinados para lidar com ela, creio que teríamos muito menos problemas quando dela nos acercamos pois quando isso chega o sentimento em geral é de vácuo, perdidos no espaço entre os espaços tateando por sobre escombros afiados que vão aos poucos lascando pedaços de vida que levamos tanto tempo para erguer restando, no final do processo, uma porcelana trincada e de valor duvidoso.
Sempre adiamos o despedir ou o antecipamos quando descontentes com algo ou alguém loucos para livrar-nos daquele inconveniente e inocentes de que o inconveniente é a despedida em si e não sermos mais tolerantes entre nós. A despedida é essa pequena morte que nos afasta dia a dia e come pedaços inteiros de nossas vidas sem que nos demos conta até que chega a despedida derradeira e geralmente já não há lá muito tempo sobrando para recuperar as despedidas que deixamos para trás.
Não somos definitivamente criaturas do adeus, nem de pausas breves e não sei como nos enganamos tão bem a ponto de crer que o somos, imbecis puros isso sim! Somos seres do afeto, do acalanto, do expressar a quem merece esse merecimento e de entender e acatar quem dele não faz conta afinal, não somos nós o circuito defeituoso mas quem não o vê assim. Ao agir como todos extirpamos de nós essa essência pura que ameniza as despedidas desde as diárias até as mais doídas e indesejadas sendo nessas últimas quando nos sentimos real efetivamente mais humanos, mais gente, mais nós e menos coisas.
Gostaria que fosse verdade para mim mas não o é, quiçá para as próximas gerações mais evoluídas e menos medrosas de lidar com seus sentimentos. Para mim, a despedida é ainda um gosto ruim na boca, aquele murro que você não esperava nunca, a palavra que nunca mais será dita, o erro que jamais será reparado e o amor que nunca mais será compartilhado ou demonstrado.
Resta então apenas deixar essas palavras aqui na esperança de que você que partiu, está prestes a partir ou pensa em fazê-lo veja de onde quer que venha a estar que as minhas falhas como pessoa jamais representaram seus defeitos como adestrador e se algum dia mordi a mão que me alimentou, não foi intencionalmente mas é do adestrado quase um dever programado nos genes retribuir assim a quem sempre lhe proveu o que, em absoluto, diminui ou ofusca o amor que lhe dediquei.
Se é preciso nos despedir, o farei da melhor forma possível se é hora para isso e com o passar do tempo quem sabe n'algum lugar menos víscera como este em que vivemos não possamos então dizer 'olá' ao invés de adeus...
17 de jul. de 2020
a vida, esse sopro
5 de jun. de 2020
A inocência do COVID
21 de mai. de 2020
Quem ri por último?
14 de mai. de 2020
Fim de quarentena
Quando acabou a quarentena. Não sabia se era exclamação, interrogação, vírgula, ponto e vírgula, reticências ou ponto final.
Quando acabou a quarentena, sai correndo nu pelas ruas e fui preso por mãos afoitas que não sabiam mais como era tocar um corpo. Cumpri perpétua que durou até o primeiro gozo.
Quando acabou a quarentena, abriu aquela champanhe barata que guardava feito relíquia sagrada. Ligou o som, aumentou o volume e bebeu, cantou, gritou, da janela, em uníssono com todos os outros que também celebravam. Ébrio, dançou pela casa, rodopiou, derramou a bebida no tapete cansado de guerra, proferiu palavras de ordem e já se acercando do cansaço, masturbou-se e dormiu. No dia seguinte, acordou de ressaca. Banho frio, café forte, jornais matutinos noticiando a volta do normal. Vestiu-se e munido de ânimo, abriu a porta para encarar essa nova normalidade que chegara, a vida morreu, longa vida a vida. Olhou para a rua e, com um tremor incontrolável, fechou a porta e voltou para dentro de casa. Despiu-se, encolheu-se no sofá enquanto a televisão lhe trazia aquele admirável mundo novo.
Quando acabou a quarentena, tomou banho, fez barba, escovou dentes, desodorante e perfume. Vestiu a melhor roupa, cueca nova, sapato novo, tudo zero afinal, ele a rua iriam desvirginar, carecia fazer a corte; há tempos estavam em namoro platônico, soltando suspiros pelos pulmões e asfalto. Deu uma última olhada no espelho só por garantia e, dono de segurança inabalável construída durante a quarentena, saiu ao encontro da amada. Morreu atropelado ao colocar os pés na rua, o sangue escorreu pelo asfalto quente, o trânsito nervoso saindo da quarentena reclamou, as pessoas aglomeraram para ver algo que não viam há tempos. Alguns juravam ter visto água correndo junto com o sangue. Talvez um encanamento aberto. Talvez a rua chorando o amado e pedindo desculpas afinal, era de sua natureza.
9 de abr. de 2020
O medo de nós mesmos
Talvez o COVID tenha apenas derrubado uma ilusão de liberdade e autonomia que pensávamos ter envoltos em nossas batalhas diárias por uma vida que nunca foi nossa e que agora descobrimos não ser a que queríamos.
Já vivíamos em isolamento feliz sem reclamar disso, fechados em nossas casas, trancafiados atrás de portas, fechaduras, travas e cadeados vendo o mundo passar pelas telas do computado, celular e TV e aceitávamos isso como parte da modernidade facilitadora da vida, benesses tecnológicas facilitadoras.
Quantos de nós efetivamente sabiam como foi o dia uns dos outros, tinha uma genuína preocupação com isso para além de curtir ou repostar uma foto ou comentário? Aquele bom dia que não saía da boca, aquele aperto de mãos que não vinha nunca, aquele olhar que jamais chegava. A imersão digital que nos alimentava a vida supria com folga a necessidade de toque e contato humano relegando este a ocasiões específicas e pontuais.
Ainda nos víamos, conversávamos, sorríamos e olhávamos uns para os outros mas sempre sob um olhar on-line considerando aquela pessoa a nossa frente algum tipo de emulação de seu eu digital, nos perguntando intimamente se aquela simulação era parte do feed das redes e concluindo, de forma nada empírica, que por dentro o que havia era um pão há muito bolorento.
A pandemia colocou abaixo esse simulacro de civilidade forçando nossa vista para o interior jogado para baixo do tapete da vida, acabamos confrontados com nós mesmos e com o outro e descobrimos que nem ele, nem nós éramos quem imaginávamos ser. Trancados dentro de nossas casas, acabamos tomando uma consciência de que nosso corpo é finito em si, suas necessidades são outras totalmente diferentes das que o cotidiano externo clamava e nossas vidas independem de algum tipo de fé irrestrita numa ideia vaga de que as coisas são como são e de que tudo se resolve por si.
Confrontados com a clausura forçada, descobrimos que há vida dentro da vida que tínhamos, uma vida que não sabíamos, que desaprendemos, que esquecemos e tivemos de reaprender a usar. Seremos os QUARENTENIALS, os filhos da pandemia e sairemos dela com outros modos e hábitos. Talvez sejamos testemunhas do pós-internet pois se por um lado a rede ajudou muitos de nós a não enlouquecer, acabou mostrando nossa dependência um do outro e como a hierarquia social que julgávamos justa era apenas uma falácia.
No melhor cenário, sairemos disso com algum tipo de noção renovada da importância do convívio humano ainda que, num primeiro momento, temerosos de ter essa contato. No pior cenário, passaremos a ser criaturas isoladas e que valorizarão a individualidade real e virtual ainda mais concluindo que o suficiente para sermos felizes é termos apenas a nós mesmos o que, grosseiramente, não está assim tão longe da verdade.
O que não morrerá e certamente aumentará é o medo que temos uns dos outros, esse medo não apenas pela violência social que nos aparta e afeta mas o medo congênito de que o outro sempre é uma ameaça de algum tipo a nossa integridade, sanidade e autenticidade enquanto indivíduos. Se antes vivíamos esse medo de forma comedida e um tanto educada, polindo as arestas sociais que nos afetavam e tolhendo o contato com pessoas que se apresentassem como potencialmente nocivas, no mundo pós-pandemia teremos de somar a esse medo o medo de que esse outro competindo pelas mesmas coisas que nós também pode ser arauto de doença e morte e por isso mesmo deve ser isolado e afastado tanto quanto for possível.
A herança da pandemia será essa, o medo desnudo e irrestrito, justificado do outro que passa a representar uma ameaça real e não mais imaginária e desse medo nascerá o homo pandemicus que saberá lidar com essa convivência virótica melhor que seus antecessores.
A ver.
10 de mar. de 2020
E o palhaço, o que é?
[pausa]
Dólar, dólar, dólar, se tu vais a cinco quem fica na metade do caminho entre Disney e o inferno somos nós, aqui já estamos abraçando o capeta há tempos já, abraçar o capeta é o passatempo preferido do brasileiro depois de matar bixa, bater em mulher e mandar preto, favelado e pobre pra cadeia. Tudo em nome de deus, da moral e bons costumes, família transtornada brasileira, música pra matar brasileira. Lá vem o cruzado patriota dos confins da terra mãe em seu alazão clonado, estandarte europeu e espada de cromo, voz imberbe como se chupasse as mamas do país em busca de um leite esgotado.
[interregno]
Patriotas. Patetriotas. 15/03 nas ruas, lambendo os beiços e o rabo do messias, cruz de malta, de leite de macho maltado, ejaculado na boca dos servos idólatras que só tem boca para beber o leite fétido do sêmen jorrado dessa fonte pútrida. Fecha congresso, fecha senado, fecha stf, fecha tudo seu milico, bate continência pro capitão, do mato, do asfalto, do planalto. Fecha tudo talquei e abre essas pernas sociedade que vou lhe estuprar, arrombar, abrir, deflorar, acharam eu era a bela viola mas por dentro sou cão sarnento, rábido, rápido, criado na base de notícias falas e confusão geral, alimento dos deuses que vocês criaram em cada tweet, like e repost. Ave César! Affff César...
[break]
Mas e Marielle? Uma banana
E o PIB? Banana nanica
E o dólar? Banana ouro
E o Queiroz? Banana da terra
E o PT? Banana maçã
E a imprensa? Banana split
E o governo? Bananas
[appendix]
hétero não leva lâmpadas na cara
hétero não esconde seu amor
hétero não precisa calar seu amor
hétero não precisa pedir desculpas por existir
hétero não precisa ter medo de ser feliz
hétero não precisa medir suas palavras
hétero não precisa dizer que não sente nada
hétero não precisa comungar em pecado
hétero não precisa entrar na justiça pra casar
hétero não precisa dar nomes ao seu amor
hétero não precisa inventar coisas do amor
hétero não precisa mentir sobre a vida
hétero não precisa esconder as feridas
hétero não precisa fingir nessa vida
hétero não precisa rezar pelo simples
hétero não precisa ler a lei para ter justiça
hétero não precisa ter medo dos canas
hétero não precisa fugir dos sacanas
hétero não precisa enterrar sentimentos
hétero não precisa ter medo do sexo
hétero não precisa advogado pra garantir seu amor
hétero não precisa de moeda corrente
hétero não precisa ter medo de gente
hétero não precisa chorar calado
hétero não precisa sorrir falso
hétero não precisa ter medo da gente
só precisa aceitar que a gente
só quer ser gente igual a todas as gentes
24 de jan. de 2020
Rita Lina
16 de jan. de 2020
Paquiderme
Parecia que em cada um desses buracos de sol as pessoas iam, a qualquer momento, sair com mãos ao alto rogando ao astro que lhes dissesse o caminho a seguir, jogasse para longe as nuvens de suas vidas nubladas e lhes desse um alento muito alem do seu alcance enquanto corpo celeste, ocupado demais com danças astrais para dar conta de desejos terrenos e, de certa forma, ciumento de ter sido roubado de seu heliocentrismo, melhor deixar essa raça ao seu destino, deveria pensar.
5 de dez. de 2019
Fim de festa - e festas não foram feitas para durar
Fatalmente, conforme os dias que anunciam a morte do ano se achegam, num processo de morte similar mas nem tanto vamos fazendo aquela pesagem do que foi o ano que está indo pra cova, retrospectiva, lista de acertos e erros, culpas e acusações, lamentos e alegrias. Balanço, fecha a conta e passa a régua e essa conta tem de fechar ou não tem de fechar e se não fechar, bem, recauchutamos o que sobrar dela em metas para o novo que já chega.
Às vezes acho pernicioso fazer esses balanços, me passa uma sensação de finitude e meio derrota, como se tivéssemos apenas esse ano para dar certo, fazer certo, viver certo mas, por outro lado, penso que esse sentimento de encerramento e fechamento é benéfico pois nos faz encarar o que foi bom com gosto e um sorriso - quando possível - e o que não foi tão bom como provável sucesso no ano que vai nascer.
Eu tenho uma dificuldade imensa em fazer esse balanço, pode ter alguma compulsão ou TOC mas eu fico relembrando tudo e tentando não esquecer de nada. O que foi bom, ótimo, excelente? O que foi ruim? O que fiz certo e o que fiz errado? Não consigo lembrar a cor da cueca que vesti hoje pela manhã, como lembrar de trezentos e sessenta e cinco dias? Minha família é pródiga naquela doença que rouba e devora memórias, poderia ser ela já me sondando e roubando as minhas aos poucos mas acho que é mesmo essa falha de por em pesos o que se passou comigo.
Mas, se posso dizer as coisas boas que se passaram - não vou falar das ruins porque segundo aquela autor russo as infelicidades, cada um de nós as tem a sua maneira, mantenhamos então a elas na esfera do privado - poderia dizer:
Em Julho fui na FLIP 2019 com meu querido amigo Roberto Muniz Dias onde participei do lançamento da antologia A RESISTÊNCIA DOS VAGALUMES da editora NÓS:
Essa antologia, organizada pela Cristina Judar e Alexandre Rabelo, é de extrema importância considerando o cenário de obscurantismo que se acerca de nós no atual (des)governo e conta com nomes de peso como podem ver na imagem acima.
O lançamento em Paraty - e depois em SP - serviu para expor nosso trabalho e abrir um foco de resistência e, fora esse evento e livro foda, flanar pela FLIP com Roberto, encher a cara no bar de vinhos, comer e participar de mesas diversas conhecendo autor@s divers@s foi e sempre é uma experiência foda ainda mais para quem escreve.
Sai de lá feliz e falido porque devo ter comprado metade da feira mas livros são, algumas vezes, melhores que pessoas.
Também tive o prazer de ver duas peças do Roberto montadas aqui em SP:
Roberto é meu amigo há mais tempo do que já posso lembrar e tem construído uma carreira sólida na dramaturgia, partilhamos das alegrias e tristezas de escrever e seguimos tentando deixar nosso nome em algum lugar nem que seja para falarem mal da gente.
Depois de me incorporar as estatísticas em Julho, o tempo passou a sobrar e foi com esse tempo extra que vi algumas belezas na 43 MOSTRA DE CINEMA - devo ter visto uns 27 ou 28 filmes:
Fora o que vi em casa em Dvd ou streaming, pelo Letterbxd - onde tenho conta, a soma é de 142 filmes vistos, nada mal penso eu. Já do lado da leitura, acho que bato a meta de ler 45 livros esse ano, já estou no 44 e 45 que você pode acompanhar no Goodreads.
Depois veio o convite do Alexandre Rabelo para ajudar ele na coordenação do MIX LITERÁRIO que integra a programação do MIX BRASIL em sua 27 edição este ano:
Foi um evento foda que ocupou a Biblioteca Mario de Andrade, para mim foi um tesão do caralho ter ajudado na organização do evento, das mesas, conhecido gente incrível que está produzindo literatura de qualidade e de resistência e, se puder e me quiserem, estarei lá ano que vem com certeza! Acabei descobrindo um lado meu que não conhecia de organizar e produzir.
O mais foda foi ter mediado mesa com Santiago Nazarian, Samir Machado de Machado e Cidinha da Silva, confesso que gelei quando Rabelo me pediu pois exceto por Cidinha eu mal conhecia as obras dos outros dois mas, me preparei bem e acho que a mesa foi um sucesso além de ter conhecido Santiago - fã do Suede, trocamos altos papos, se é fã do Suede não tem como não ser gente boa - e Samir cujo TUPINILANDIA está na lista de leitura para em breve.
Meu segundo livro de contos deveria ter saído ainda este ano mas, devido a alguns imprevistos, tive de adiar para 2020 - e Cristina Judar sabe o quanto me ajudou nesse processo todo aliás não só ela mas Alexandre Rabelo também. O livro está pronto, projeto gráfico foda feito pelo Fabiano Souza, tudo certo, só batalhar a publicação e, ano que vem, meti na cachola que vai ser meu ano na literatura, tenho mais material pronto, um ou dois romances em andamento e outro sem fim de ideias que eu estou bolando não apenas sozinho mas com outras pessoas.
Falando nisso, esse ano nasceu o ORGULHO CAST podcast no qual eu, Paulo Sergio e Fabiano Cardoso falamos de livros e literatura LGBTQIA+, a ideia nasceu como resposta a tudo isso que está acontecendo no país e resolvemos abrir essa frente para mostrar que a gente pode até sofrer mas jamais seremos calados! O podcast é quinzenal trazendo, a cada episódio, um livro diferente com os comentários e opiniões dos três.
Acho que de forma resumida foi isso, tive perrengues? Claro que tive mas nada que fosse demais, se entrar nessa conta de fim de ano, apesar de tudo, não posso me queixar de 2019, das pessoas que conheci, dos amigos que ainda tenho, das coisas que fiz, dos porres que tomei, de tudo que comi, de tudo li e do meu amor pra vida que é Wanderson Wans, 17 anos de vida comum e junta e misturada.
Pode vir 2020, pode vir que eu tô bem pronto!
8 de fev. de 2015
sunday
lembranças aleatórias não relacionadas com a infância
Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...
-
E=mc² ou os fatos são como são avessos à passagem do tempo, normas ortografopragmáticas, ortopédicas, modismos, midialismos ou telefonem...
-
último trem, último carro, último beijo, último sexo, último prato, último dia, última noite, último parto, última morte, último disco, últi...
-
Não sou dado a intelectualismos ainda que me ache razoavelmente culto mas quilômetros à distância de ser um intelectual e, o que é afinal se...










