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26 de set. de 2022

positivo/negativo

 


É horrível que estejamos nas vésperas de uma eleição e que, ao invés de discutir temas importantes para nosso futuro, estejamos é discutindo mitos, messias e salvadores da pátria e incapazes de conciliar nossas diferenças ou sequer abertos para uma possibilidade de diálogo sobre questões que mexem profundamente com nosso cotidiano atual e futuro.

Triste termos de escolher o menor entre dois males ainda que, obviamente, um deles seja 'o mal' personificado e o outro seja apenas não tão ruim.

Ainda que o atual mandatário represente tudo que de pior existe em nós como sociedade e flerte abertamente com um autoritarismo em voga no mundo, a alternativa a ele é apenas um reflexo à esquerda ainda que, como disse, na atual conjuntura, seja melhor que mais quatro anos de barbárie.

A questão é sermos reféns de duas opções que pouco trazem algo de novo, um ar mais fresco e ideias mais novas, vamos votar num para não deixar o outro vencer e isso é péssimo! Mostra o quanto estamos perdidos enquanto sociedade e como a política deixou de ser algo importante em nossas vidas para virar apenas uma imensa briga de condomínio.

Quem segue e vota em Lula (eu incluso) padece do mesmo messianismo que inflama o Bolsonarismo, podemos negar e dizer e jamais mas é, aceitemos que também tratamos Lula como mito, messias e salvador, a diferença é que ele, para nós, é o verdadeiro messias enquanto o outro é o anticristo, é uma linha muito tênue que separa os dois e não em termos de ideologia ou consciência social e de classe mas em termos de seguir cegamente e idolatrar a pessoa e o que ela representa e não sua atual capacidade de tratar o país com seriedade e respeito.

O messianismo de Lula foi a gênese do messianismo de Bolsonaro, ficamos aqui nos perguntando de onde saiu esse ser, como pode ter acontecido isso e outras questões afins e a resposta é muito simples: fomos nós!

Passamos quase duas décadas cultuando uma figura, uma ideia, removemos do plano terreno e colocamos num panteão com incensos e cânticos e isso, na política, é extremamente perigoso. Acreditamos que havíamos salvado o Brasil e que seriam apenas anos de rosas e vinhos mas, o outro lado aprendeu a fabricar mitos e lendas e não nos demos conta de que o Brasil é uma ilha de boas intenções rodeada de Bolsonaros por todos os lados.

Nós criamos Bolsonaro, simples assim. Ao não darmos atenção aos sinais de culto que o petismo e o lulismo viraram demos de mão beijada o caminho para a extrema direita empossar seu messias e agora ficamos pasmos sem entender e ainda assim não aprendemos pois vamos novamente ter de escolher entre dois messias, oxalá mais a frente aprendamos que presidente da república não deve ser messias mas apenas competente.

Vou votar 13 porque não posso conceber mais quatro anos de 22 mas, desejo ardentemente que ele não se candidate e que outra pessoa tome rédeas e que seja alguém novo e longe dos extremos para tentarmos começar a curar as feridas que seguem inflamadas. Precisamos de políticos com ideias, determinados e comprometidos com pautas humanitárias e sociais e não pais, mães ou ídolos, precisamos parar de tratar um prestador de serviços públicos como santo e salvador e encarar que a era do messianismo tem de acabar o quanto antes.

Precisamos nos livrar dos Lulas e Bolsonaros, precisamos parar de tratar a política como campo de salvação e passar a tratar dela como campo de mediação e discussão e qualquer messianismo não dá conta disso pois é por demais centrado em sua figura central e não no grupo que o segue, quem segue messias está fadado e cometer erros crassos e depois chorar a perda da razão, entregar nossas ideias e ideais a um salvador é morte certa porque não existem salvadores que não sejam nós mesmos.

A era dos messias precisa acabar, precisamos crescer e aprender que não somos mais crianças, parar de fazer birra e assumir que a responsabilidade pelas coisas e pelo país é nossa e não deles, parar de discutir esquerda e direita e entender que depois da eleição tanto faz qual lado porque, no final das contas, quem paga a conta somos todos nós independente de qual lado estejamos.

Que em quatro anos não estejamos elegendo santos mas pessoas.


25 de abr. de 2022

O horror na porta de casa

Existe uma possibilidade de termos um segundo mandato de Bolsonaro mesmo com todas as pesquisas indicando que sua reeleição seja muito incerta. Além de controlar a máquina estatal, ele detém a narrativa por mais absurda que seja ante os fatos, quem o segue não está preocupado com a veracidade dos fatos ou perigo às instituições e democracia, acredita piamente no capitão e vive em uma realidade paralela onde apenas o que ele diz é verdade inconteste.

Se um primeiro mandato serviu de abre-alas para o governo conservador e extremista, um segunda mandato lhe dará uma abertura sem precedentes para consolidar a autocracia tão sonhada e, porque não, dobrando a lei e instituições a seu bel prazer, perpetuar-se no poder seja através de um golpe rasgado (pouco provável mas não impossível) ou da eleição de alguém pode ele indicado que dê continuidade ao plano de limpar o país da corja ideológica comunista.

O projeto de poder Bolsonarista plantou sementes fortes neste primeiro mandato, aparelhou os órgãos governamentais e afins para atendessem ao plano messiânico da família miliciana barrando quaisquer possibilidades de aferição ou apuração de desvios ou má conduta restando apenas a judicialalização do Estado para tentar bloquear os exageros absolutistas do messias, não se trata de um Estado sujeito aos desmandos da mais alta corte mas esta tapando buracos feitos pelo governo na tentativa de desestabilizar as estruturas e tomar o resto que lhe falta para consolidar seu poder.

Num eventual segundo mandato, Bolsonaro poderá aumentar sua influência no judiciário e, com respaldo das urnas, passar a próxima fase de seu plano nefasto banindo por completo qualquer frente ideológica, política, cultural ou social que lhe faça oposição alegando agira dentro da lei e no melhor interessa da nação como fez ao perdoar seu fiel escudeiro semana passada.

Mas, o risco maior de um segunda mandato recai sobre a normalização do Bolsonarismo e seu líder, não se trata apenas de pregar para os convertidos, coisa que mesmo a esquerda parece não saber até hoje fazer mas, tanto já xingamos, falamos mal, memes, panelaços, tanto já foi atribuído ao governo Bolsonaro e a ele mesmo através de seus mandos e desmandos, falas e fake news que nada mais o amedronta, nada mais cola e assim, ele se sente livre para fazer cada vez pior já que não há qualquer previsão de penalidade a curto prazo, em qualquer outra democracia que se preze, ele já teria sido deposto mas, aqui, estamos jogando pôquer com o demônio que é sempre matreiro, Boslsonaro não apenas dá as cartas como regula as apostas e rouba descaradamente sem que ninguém reclame.

O Bolsonarismo vive em uma realidade paralela onde as leis da física trabalham de forma distinta, ele constrói a narrativa e se apega a ela de forma ferrenha difamando quem se atreve a contestar seus fatos distorcidos, acusando essas pessoas de não serem patriotas, serem contra o país e desejarem implantar o comunismos vide seu discurso na ONU de um tempo atrás onde afirmou que pegou um país em vias de virar comunista.

Conforme se aproximarem as eleições, esse discurso vai ganhar mais e mais força, os ataques serão mais baixos e sangrentos e não ficaria impressionado se ele mais uma vez forjasse um atentado, todo mundo adora um mártir. Bolsonaro não precisa apresentar plano de governo para ser reeleito, basta seguir com sua estratégia atual e apenas intensificar seu discurso de que está numa cruzada contra o mal, seu eleitorado fará o resto...

6 de jan. de 2021

não há vacina para sua doença

 


A OMS, através de sua resolução de 17/05/1990, aboliu a homossexualidade como doença além de alterar a nomeação retirando o sufixo ‘-ismo’ que denotava a orientação sexual como patologia. Igualmente, o CFP em sua resolução 01/99 instrui que a homossexualidade não é uma doença, distúrbio ou perversão não demandando assim tratamento que vise sua ‘cura’ e/ou reversão.


Mas, os que nos odeiam e perseguem, amparados pelo manto conservador do Bolsonarismo, insiste em fomentar e apoiar 'profissionais' ou os assim chamados ‘psicólogos’ (que deixam suas convicções religiosas interferir em sua profissão o que é lamentável além de condenável) no tratamento de pessoas LGBTQIA+ que, seja por qual for o motivo, lutam para aceitar sua orientação sexual.

Essas pessoas precisam sim de apoio psicológico mas não para deixar de ser o que são e sim no processo de aceitação de sua natureza e orientação sexual para que possam tornar-se funcionais e felizes superando os traumas que lhes foram impostos pela sociedade, família e amigos e entendendo que não há crime ou doença em ser LGBTQ, que qualquer que tenha sido a origem da criação, assim fomos feitos e não há o que corrigir.

As tentativas de reverter a orientação sexual resultará apenas em um pessoa fragmentada, miserável e infeliz, não se pode mudar a natureza do que somos simplesmente porque a religião que vocês pregam assim o diz, vocês partem de um pressuposto que o homossexual é uma criatura miserável e infeliz e que precisa de ajuda para deixar ‘essa vida’ e ser um membro digno da sociedade e, porque não dizer, seguidor dos preceitos desse seu deus de ódio e intolerância sofismado por escrituras que que vocês distorcem e adaptam às suas necessidades.

Porque tanto ódio? Porque essa perseguição incansável? Porque esse medo tão gritante? Só posso intuir que ele não esteja apenas embasado em conceitos religiosos mas num pavor patológico do que é diferente, daquilo que desafia as regras que ninguém os obriga a seguir salvo o temor da danação eterna e, se for este o caso, trago péssimas notícias, estamos tão fadados a ela quanto vocês que pregam tamanho ódio e praticam atos pouco cristãos aos seus próximos, não é a nossa alma que está em risco mas a sua.

Esse seu medo de nós advém de alguma questão muito mal resolvida quanto a sua própria identidade e condutas sexuais presas e restritas a conceitos e normas seculares e temporais que caducaram há tempos sem que se tenham dado conta disso. A natureza questionadora e libertária do homossexual, que usa sim a sexualidade como meio de desbravar e demarcar territórios onde o heteronormativo padece, enquadrado por todos os lados por movimentos que não mais aceitam ficar sob seu jugo, lhes é assustadora, trai o status quo da assim chamado família tradicional sendo que esta também há muito já deixou de existir.

É lamentável para não dizer sórdido sua associação da homossexualidade com pedofilia e demais distúrbios sexuais graves quando os maiores perpetradores de tais abusos são heterossexuais sendo estes também que lotam as clínicas clandestinas de aborto enquanto casais homoafetivos estão mais do que dispostos a aceitar os filhos que vocês não desejavam ter.

Da mesma forma, essa sua tentativa de inversão onde nós somos o malévolos e perseguidores e vocês, as vítimas, é outro jogo pérfido e baixo pois como pode a minoria perseguir a maioria? Vocês estão há séculos perseguindo não apenas a nós mas todos aqueles que não se encaixam no seu conceito estúpido e intolerante, a sociedade lhes é favorável pois se lhes questionam, basta acenar com a danação eterna e acusar aqueles que buscam os direitos inalienáveis de todos ser humano de golpistas, inimigos da fé, ameaça a sociedade, ditadores de gênero.

Pensem comigo apenas um instante, quem está perseguindo quem? Quem tem a seu favor toda a estrutura de uma religião empresarial e aparato do estado? Quem tem espaço na mídia e está sempre atacando a nós? Quem é intolerante? Quem deseja ver a homossexualidade banida e tratada? Quem deseja um estado teocrático onde tudo o que for diferente do pregado por vocês deve ser excluído e excomungado?

Eu posso olhar no espelho com tranquilidade e paz na alma, e vocês?

5 de jan. de 2021

sobre amor, romantismo, relacionamentos, normatividade e outros

 


Pessoas são complexas e, por conseguinte, relacionamentos são complexos desde que o tempo é tempo, desde que passamos a conviver em sociedade ou, se você prefere, desde Adão e Eva tretaram e foram expulsos do Éden.

Todos os modelos de relacionamento são uma construção ou desconstrução social, uma convenção que se aceita ou questiona (condenar é coisa de fascistas, se você condena qualquer tipo de relacionamento, afeto, sexo ou amor, melhor ir lá fazer arminha com o messias) conforme o entendimento de cada um de nós sobre o que é adequado sendo esse tipo de ato em si, um reflexo da bagagem sócio-cultural-familiar-religiosa da qual viemos, uns conseguem ter uma abertura de pensamento e compreender e até mesmo abraçar novos modelos de relacionamento, outros não conseguem romper com essa bagagem e preferem seguir modelos mais tradicionais, normativos e baseados em conceitos e regras normativas que ditam costumes desde que o mundo resolveu ser gerido e não vivido.

Dizer quem está errado e quem está certo em aceitar, questionar, viver, não viver quaisquer tipos de relacionamento não cabe a nenhum de nós, só se você prefere usar a forma de amar alheia como instrumento de subjugar, humilhar e excluir quem ama e se relaciona diferente do normativo maximizando a diferença em nome de uma igualdade que nivela a todos por baixo.
Os modelos tradicionais de relacionamento seguem existindo, jamais deixarão de existir pois são a base e pilar da sociedade mundial (raras exceções) e um excelente método de controle social, moral, político e econômico. Não digo que sejam modelos falidos porque se o fossem, já teriam sido extintos há séculos, a evolução é lenta mas implacável e, com isso em mente, quem ousa contestar tais modelos normativos, os padrões, age em nome da evolução da espécie e é execrado porque representa o novo e, como diz a canção, o novo sempre vem.

Mas, isso não quer dizer que os novos modelos de relacionamento irão sepultar os tradicionais e instaurar algum tipo de 'ditadura orgástica', podem ficar tranquilos que ninguém vai propor uma reforma agrária sexual ou contestar heranças. O que os novos modelos de relacionamento contestam é a visão obsoleta e viciosa de que amar alguém significa emitir nota fiscal, certificado de compra e termo de garantia de felicidade eterna e não se enganem, eu já fui totalmente conservador em termos de relacionamentos, amor e sexo e hoje, cheguei num ponto em que demoli essas crenças e me libertei das amarras que a sociedade desde sempre me infligiu.

A monogamia é bela enquanto item romântico, valorizada nas artes e mídia como valor máximo de lealdade e dedicação de uma pessoa para com outra o que é uma falácia vendida como ouro para manter as pessoas felizes e unidas, pelo bem da sociedade e da tradição, essas coisas que só fazem a gente andar para trás.

O conceito de monogamia é uma construção social perpetuada pela religião e sociedade para manter, acima de tudo, poder e dinheiro dentro dos mesmos círculos assim como a pobreza e a miséria igualmente presas em seus respectivos círculos. Criou-se um conceito de lealdade e traição culpando sentimentos naturais humanos e chamando de pecado e outros nomes o amor e o sexo que sentimos por outras pessoas que não sejam as que elegemos para amar num determinado momento e que deveriam, pela regra, ser a mesma pessoas que amaremos e sexualizaremos até o fim do nosso tempo de vida.

Isso é tão tóxico e perverso que chega às vias do sadismos, fico pensando se as classes inventoras dessa regra não ficam rindo a toa de nós que insistimos em aplicar esse modelo enquanto eles mesmo devem seguir outros modelos amparados pelo poder socioeconômico que lhes dá liberdade e liberalidade absolutos.

Ao insistirmos num modelo que prende uma pessoa a outra por laços e convenções, estamos matando o que de primordial existe em nós, o desejo e ele é responsável por quase tudo que nossa raça construiu, pense como seria se todos os pensadores e cientistas não pudessem dar vazão aos seus desejos? E, antes que venham questionar que são coisas muito distintas, digo que não, o desejo humano é amplo e diverso demais e enclausurá-lo apenas na dimensão do sexo e do amor é de uma limitação mental imensa.

Há uma maldade ímpar em tolher o desejo e o amor uns dos outros demandando que somos suficientes para atender e fazer uns aos outros felizes, satisfeitos e plenos, com isso, passamos a jogar a responsabilidade da felicidade no colo alheio e, quando essa pessoa falha em cumprir o acordo porque é humanamente impossível que ela possa ser responsável por nos fazer felizes, chegamos a culpa, a frustração e acusações de traição e falta de lealdade e amor quando, na verdade, todos são culpados por uma desgraça generalizada a partir do momento em que nos julgamos incapazes de chamar a responsabilidade de sermos felizes para nós mesmos.

Demandar do outro uma lealdade e contrato afeto-sexual é matar o amor em seu berço porque é muito pouco provável (não digo impossível) que durante nosso tempo de vida apenas uma pessoas consiga suprir tudo o que desejamos, sonhamos, sentimos, sexualizamos ou seja o que for e assim, voltamos ao parágrafo anterior onde a responsabilidade é culpa do outro, não nossa.

Recolher e cingir o amor e sexo a um modelo fixo e preso é a razão de cada vez mais precisarmos de psiquiatras e ansiolíticos, terapeutas que nos ensinem a amar e relacionar uns com os outros porque não temos a capacidade de entender que somos complexos e diversos demais para abarcar o amor e o sexo com apenas uma pessoa o que não significa que cada uma das pessoas que amamos, transamos e nos relacionamos, seja o mesmo tempo ou uma de cada vez, tragam uma importância única ou algum tipo de lição, aprendizado seja ele para o bem ou para o mal nos fazendo crescer e encarar alguns fatos.

Não podemos ser donos uns dos outros, para isso já existe a religião e os governos, se não pudermos ter liberdade de amar e transar como e com quem desejarmos estamos fadados e ficar batendo boca nas redes sociais e seguir fazendo o jogo de quem fica lá de cima olhando a gente se demolir. Demandar uma posse de algo que deveria ser universal é um crime hediondo.

E não pense que atesto com isso tudo que os novos modelos de relacionamento são putaria apenas, coisa de gente promíscua e que não valoriza a si e ao outro. Ledo engano esse causado pela visão monocentrada do amor e do sexo, amar e desejar mais de uma pessoa não é isso, não quer dizer que faremos de nossos corpos e almas monumentos hedonistas do prazer mas apenas que reconhecemos a liberdade absoluta de nossos corpos e de nossos afetos, que não nos vemos como amos e senhores uns dos outros mas como iguais, com os mesmos medos, amores e desejos, com o mesmo tesão e necessidade de sermos livres para amar e transar da forma que nos parece melhor e, ao mesmo tempo, de escolhermos a pessoa ou pessoas com quem desejamos ter mais do que um simples flerte ou sexo casual.

Há uma confusão quando se fala de relacionamentos abertos, poliamorosos e afins, que são pessoas que vivem em orgia constante e nada poderia ser mais distante da verdade. Podemos nos atrair e interessar por outras pessoas, ao mesmo tempo, em tempos diferentes e até nem mesmo termos alguém fixo mas, quando temos, aquela pessoas acaba se tornando um centro de tudo que vivemos e a vida que construímos com ela é maior do que qualquer outra coisa que porventura venhamos a ter com outras pessoas, ou pode até ser parte de outra coisa maior que venhamos a ter, quem sabe?

Novos modelos de relacionamento não são o fim do relacionamento mas um passo em direção a evolução dele, não quer dizer que jogamos o amor e o respeito na lata do lixo, o oposto disso pois todos que eu conheço que seguem esse modelo (eu incluso) seguem em relacionamentos longevos e harmoniosos na medida do humanamente possível e não foi a abertura ou a liberdade sexual que pôs me risco a relação ou o amor, se isso aconteceu não foi culpa disso mas de causas já pré-existentes, como dizem, impérios não caem da noite para o dia, eles começas a ruir por dentro.

Acima de tudo, o importante é encontrar o modelo de relacionamento que funciona para você e para a pessoa ou pessoas que você quer ter a seu lado, o combinado não sai caro.

O que sai muito, mas muito caro, é ficar julgando e condenando uns aos outros, que eu saiba, ninguém sai ganhando com isso...

10 de dez. de 2020

sou gay mas de família de bem

 





Lendo isto aqui me fez pensar nos gays conservadores, quem são, de onde vem, como vivem, se reproduzem.

Não que os homossexuais (ou qualquer pessoa LGBTQ) não possam identificar-se ou simpatizar com ideias e modelos conservadores, da mesma forma que o amor deve ser livre, as expressões e afinidades políticas também devem ser porem o apoio a políticos conservadores como Bolsonaro e afins só consigo digerir e chegar a algum tipo de entendimento se pressupor que essa pessoa LGBT possui sérios problemas de aceitação quanto a sua orientação sexual e/ou identidade de gênero ou então sofrer de severos distúrbios psíquicos.

Insisto em dizer que não acho errado ou condenável uma pessoa LGBT ‘de direita’ ou conservadora mesmo que, pessoalmente, entenda esse tipo de atitude como no mínimo contraditória, pois a população LGBT possui ideais e história completamente diletantes dos movimentos conservadores os quais sempre trataram a estes como minoria que deve ser mantida sob o mais rígido controle e, em sendo possível, afastado do convívio social seja ela familiar ou como beneficiário de politicas sociais inclusivas e aplicáveis ao resto da sociedade e população.

Aparentemente, estes ‘gays conservadores’ enxergam neste tipo de político pessoas corretas, honestas e de retidão moral considerando o movimento LGBT como extremistas e dispostos apenas à promiscuidade, lascívia e imposição de seu ‘modo de vida’ a todas as camadas da sociedade, ou seja, trocaram as bolas e confundem moral com política o que é receita certa para desandar qualquer coisa.

Alguns desses ‘conservadores’ atestam mesmo que a vida sexual de cada um é assunto que deve ficar restrito a alcova e não discutido abertamente o que é, lamento dizer, o mesmo que devolver ao armário e trancar a sete chaves tudo que os movimentos LGBT lograram conquistar sem falar no fato lamentável de que isolar a sexualidade deixando-a restrita ao foro íntimo é viver uma mentira, um engodo, uma farsa no melhor estilo ‘não pergunte, não fale’ como se fosse simplesmente ligar/desligar uma chave.

Entendo isto (e esta é minha opinião, fique à vontade para discordar) como um estado de negação absoluta. Como podemos tratar a sexualidade humana compartimentalizando a ela quando é parte integrante do que somos e vivemos? Ou somos LGBT apenas em alguns momentos, em alguns lugares e dentro de nossos quartos? Isso não é liberdade, é escravidão e não aceitação da sexualidade com a qual nascemos, é empoderar esses políticos que já deixaram inúmeras vezes explícitas suas opiniões sobre a população LGBT e não adianta argumentar que eles se retrataram (o que não tenho conhecimento de ter efetivamente ocorrido e, se ocorreu, não foi por constatar o absurdo que fez mas muito provavelmente forçado por alguma ação judicial pairando sob suas cabeças) pois não se trata de ter cometido um erro ou deslize mas pessoas que trataram o que somos como escória, doença e lixo social.

Ainda na mesma reportagem, esses mesmos apoiadores dizem que se identificam com estes políticos pois eles os tratam como ‘normais’, acho que aí temos algo importante a ser considerado, essa necessidade de ser tratado como normal, será que essas pessoas ainda entendem sua orientação sexual como algo nocivo e que não deve ser vivido em sua plenitude? Ainda estariam buscando encaixar-se no que a sociedade entende e aceita como normal? Engraçado como a palavra promiscuidade é usada no texto, quase com nojo e como se essa fosse a única qualidade que se possa identificar com os LGBT e que é sim um trunfo nosso pois onde leem promiscuidade (que não é direito reservado dos LGBT, tenha certeza) deveriam ler liberdade sexual. Nós LGBT sempre soubemos viver de forma muito mais livre, descomplicada e vívida nossa vida sexual e sexualidade e isso é extremamente agressivo e transgressor aos olhos da sociedade pois a liberdade sexual implica numa subversão de uma ordem normativa e previamente estabelecida com séculos de reforço religioso e social dificílimos de quebrar.

É triste que nos tempos em que vivemos, quando tantos avanços importantes para a população LGBT dançam na corda bamba, ver pessoas que parecem simplesmente ter congelado no tempo e completamente cegas para o perigo que não apenas os direitos civis LGBT correm, mas todos os direitos e liberdades em si ante a teocracia que se acerca de todos nós cada vez mais a cada dia. A solução não é, em busca de um horizonte mais tranquilo, jogar nas mãos de factoides e vomitadores de discurso de ódio disfarçado de moral e bons costumes o futuro de nossa sociedade mas de entendermos que essas pessoas são oportunistas sem agenda que estão ocupando o vácuo politico que vivemos acenando como salvadores da pátria.

Seria muito bom neste momento se todos nós déssemos uma olhadela para trás na história e quem sabe pedir conselho ao povo alemão que deve estar lamentando profundamente esse péssimo hábito da história em se repetir.

30 de nov. de 2020

prato feito

 



Antes de qualquer coisa, deixo claro que não tenho a solução para esse ou qualquer problema e que as opiniões que expresso aqui são minhas e tão somente minhas, sinta-se livre para concordar, discordar e parar de ler se for o caso.

Ainda estamos na 'ressaca' desse caso horrendo, parece meio chover no molhado falar dele e de como indignou a todos nós, parece pouco seguir falando dele, parece nada não falar e deixar o Carrefour soltar notas de desculpa e inserções em horário nobre de seu presidente branco europeu fingindo um horror lido nas placas pois era incapaz de decorar um texto simples ou mesmo falar de improviso que teria sido mais humano e sincero.

O horror maior entretanto veio de quem governa, de quem mama nas tetas do presidente, lhe lambe o cajado e as botas cheias de merda. Não existe racismos no Brasil! Que coisa maravilhosa, gente! Somos talvez a única nação no mundo que erradicou esse câncer! Serei forçado a votar no coiso por esse feito tão incrível! Racismo no Brasil? Onde? Estão importando coisas de fora para tumultuar a sociedade, Brasil é um país misturado, um caldeirão cultural e racial, somos todos pretos e pardos e índios e brasileiros.

E vem o cidadão de bem comentar nas redes e sites que estão fazendo massa de manobra, que o cara era meliante, tinha ficha, era agressor, assassino condenado, batia na mulher, era estuprador e outros, tudo para justificar que ali foi apenas a lei do retorno, que ele teve o que mereceu e que coisa boa não deveria estar fazendo senão, não teria morrido, essas coisas que todo cidadão de bem adora repetir para não ter de encarar a triste realidade dos fatos.

O caso Carrefour não é isolado, acontece todos os dias em todo lugar mas a gente faz de conta que não acontece, não vê. O Carrefour tem histórico: em 2009, funcionários da unidade de Osasco espancaram um homem negro sob alegação de que ele estaria tentando roubar o carro que era dele mesmo. Em 2018, um homem negro deficiente foi espancado na unidade de São Bernardo do Campo porque abriu uma lata de cerveja dentro da unidade. Entre 2017/18, uma mulher negra e dependente química foi espancada e estuprada numa unidade do Rio de Janeiro e fora os caso do cachorro que foi morto por um segurança da loja e daquele outro caso de uma pessoa que morreu dentro da loja que seguiu funcionando normalmente tendo apenas coberto o corpo com guarda-sóis.

O Carrefour aparece porque é uma empresa grande, gigante, internacional mas casos iguais ou piores que acontecem diariamente em outros estabelecimentos passam batido por nós e pior, de tanto vermos casos assim acabamos normalizando sua ocorrência, mais um, acontece sempre como qualquer outra coisa numa cidade grande e num país como o nosso.

O pior é que lutar contra isso é uma tarefa ingrata, tipo enxugar gelo porque boicotar a empresa pode parecer um ato viável mas na verdade pouco tem de efeito porque as pessoas seguem comprando na rede e não seria apenas boicotar o supermercado mas as marcas que fazem negócio com ele e que também tem culpa no cartório mas se fazem de isentas porque não vão perder bilhões em vendas. Não adianta pressionar o Carrefour, temos de pressionar a Unilever, a Coca-Cola, a Nestlé e todas as grandes marcas que também pecam por omissão e tem sim casos de racismo, homofobia e outros em seus catálogos, uma tarefa praticamente impossível já que boa parte das marcas que consumimos estão nas mãos dessas e outras empresas que controlam tudo que consumimos mundialmente.

Além disso, há o fator social e político, quando o governo se faz de besta e prefere proferir absurdos, sandices e imbecilidades ao invés de encarar de frente o problema, incita a parcela da sociedade que pensa igual a fazer a mesma coisa e normalizar e relativizar casos assim tomando sempre a vítima como culpada e duvidosa, se apanhou ou morreu é porque coisa boa não era, se fosse gente de bem não teria acontecido nada, se fosse gente branca de bem, obviamente.

Enquanto aceitarmos tacitamente declarações estapafúrdias de governantes imbecis e pedidos de desculpa corporativos vazios cheios de medo da queda nas ações e não de culpa, estaremos no mesmo barco que o Carrefour e todos os que acham que a vítima é sempre culpada.

22 de set. de 2020

do bem

 


cidadão do bem acordou bem, sono justo de quem sonha arminha, armado, armando, foi ao banheiro e mijodefecou um aborto social de quem não é do bem, tomou banhopuro de águas de chumbo e saiu para tomar café e dar uns tapas na mulher porque ela errou o ponto do pão e mulher tem levar uns tapas para aprender quem é o dono cidadão do bem da casa, macho prove dor, alfa e oh mega do destino familiar.

aproveitou e deus uns tapas no filho que chorava birrento porque menino de bem não chora, engole, surta por dentro, vira macho no tapa, pode até pegar bixa mas não dá o cu porque dar o cu é coisa de viado. aproveitou e beija a filha para garantir que nenhum macho de fora ia romper o santo hímen familiar, antes ele para mostrar à menina que mulher só tem um dono, o macho que lhe fez e que lhe faz, satisfeito com o cheiro de pureza foi colocar a roupa do dia para ir trabalhar e trazer o ganha pau para a família transtornada que ele tanto amava, mamava, dava tapa e comia porque era dele, do bem, mito messias vindo do arsenal de coisas que o país lhe autorizava.

vestiu o terno gravata sóbrio que cor é coisa de gay, cabelo penteado tá ok, barba aparada tá ok, sapato engraxado tá ok, camisa alava tá ok, calça com vinco tá ok, perfume importado tá ok, pau social bolas solidárias pentelhos de macho tá ok, bafo doce de predador tá ok, cu fechado que só sai não entra tá ok, brota no trabalho pro desespero dos esquerdistas e comunas de plantão.

antes, tchau na esposa bolinada para ela saber que suas carnes lhe pertencem, tapa no moleque para ele ser homem e beijo molhado na menina para ela saber que é sua, todos ali devem ajoelhar e dizer amém ao pau provedor do macho que não deixa faltar o pão e o leite. pega elevador, vizinhos junto e ele calado, só acena porque aquele prédio virou um puteiro, tem lésbica, tem bixa, tem maconheiro, já reclamou, brigou, fez escândalo mas não resolveu muito, as bixas estão se beijando na área comum, os maconheiros entrando por sua janela, as mulheres quase peladas, por ele, sentava porrada e bala em todos mas não pode, tentou ser síndico mas não deu, tentou a polícia mas não deu, tentou ser macho mas não deu, lhe podaram, ele puto jurou vingança mas macho do bem cidadão só faz das suas quando em bando e ele resolveu que era melhor procurar outro apartamento e deixar aquele para os degenerados.

na frustração de não poder colocar ordem no galinheiro, desconta no porteiro, zelador e outros que vieram de algum estado falido lá de cima do país para entupir a cidade com sua fala preguiça, seu analfabetismo latente, seu dialeto que só eles entendem e aquela subserviência falsa que ele sente o cheiro e lhe dá náuseas, esse povo só entende o dicionário da chibata, do porrete, eles só funcionam assim, ele tem de ser o macho cidadão que vai colocar esse povo no eixo.

no trabalho também os degenerados pululam, aquilo já foi uma empresa de cidadão do bem, de gente boa, branca, alva e alfa, machos mas agora até preto tem, tem bixa, tem gente que não dá pra saber se é homem ou mulher, deve ser travesti, tem preto sentado ao lado dele, falando inglês, vê se pode, tem refugiado servindo café, errado isso porque isso é emprego dos pretos e pobres, estão tirando os empregos deles e ninguém faz nada, ele assiste puto, evita contato e faz de conta que tudo bem mas por dentro sonha com outro emprego mais branco, mais limpo, onde as pessoas estão nos lugares certos porque deus fez as pessoas diferentes para fazerem diferentes coisas e não para se misturar e virar um puteiro sem dono.

fim do dia ele está exausto, macho cansado, do bem, precisa relaxar porque não é fácil ser cidadão do bem num mundo onde isso é crime, há moral, a moral é do bem, amoral é do mal, ele do bem porque sabe que é e precisa relaxar, antes de ir pra casa vai passar na casa daquela bixa, ele não é viado, só é macho, branco do bem, piroca cidadã, ele não dá o cu, não beija, a bixa só mama e ele lhe dá uns trocados, às vezes ele vacila e quase amolece mas aí dá uns tapas na bixa e ela gosta, viado gosta de apanhar, ele goza e vai embora, promete não voltar mais mas a bixa sabe mamar, sua mulher é mãe, é santa e santa não é puta só os filhos dela, quando sente que precisa vai lá na bixa ter o pau mamado e sai leve e macho.

chega em casa cansado, jantar na mesa, ele come feito leão no cio, a comida escorrendo pelos cantos da boca, olha para a mulher com ares de sobremesa, a bixa mamou mas seu pau que carne, precisa meter, na bixa não que tem doença, ela só mama, já pensou em comer a bixa mas teve medo, de doença, de gostar e virar bixa mas bixa é só quem dá, quem come não! olha para o filho, esse vair ser macho igual, nem que ele tenha de quebrar no meio ou fazer vira macho na porrada, a filha vai ser linda, se algum macho lhe puser a mão ele mata, ela é pra casar com rico, com doutro, com ele, com macho mais que ele senão ele mata.

fim de noite, ele na cama, a mulher do lado calada santa mãe coitada de um coito que nunca veio, quer comer a mãe mulher mas perde o tesão, ela já foi sua mulher, hoje é só mãe e põe ordem na casa, vai no banheiro, bate uma bronha olhando no espelho, que macho, que homem, que pau provedor, ele mantém, provê, a mulher, o filho, a filha, a bixa, os nordestinos do prédio, os pretos do trabalho, ele goza seu leite morno santo que eles precisam para viver, sem o leite do macho de bem a sociedade vai se desfazer, é o leite do macho cidadão de bem que mantém aquilo tudo coeso, inteiro, um só, ele lambe os dedos lambuzados e sente um gozo a mais, aquele era o maná, o leite divino de divinas bolas que todos precisam para viver.

vai pra cama santo e puro de gozo, pronto para fazer do amanhã mais um dia do cidadão de bem

20 de abr. de 2020

O ódio que você plantou

Eu te odeio.

Sim, eu te odeio.

Nunca pensei que falaria isso para alguém porque durante minha vida, o ódio quase sempre foi um sentimento que vinha de fora e que eu tinha de lidar da melhor forma possível mas, não permitia que ele fizesse morada em mim pois o amor sempre é mais forte, deixar o ódio vencer era abrir mão do amor que fui obrigado a esconder e viver sem dizer o nome e eu nunca abriria mão do amor porque ele é tudo que nos salva e que nos resta.

Mas vocês conseguiram, tiraram o amor de mim, levaram ele embora e eu acho que nem me dei conta. Foram aos poucos substituindo ele pelo ódio e eu nem percebi, como isso aconteceu? Onde foi parar meu amor que levei tanto tempo para construir? Para onde vocês o levaram? Que fizeram com ele? Quais torturas o submeteram?

Hoje eu me pego odiando e é uma sensação horrível, me vejo desejando o mal a quem conheço e não conheço, rompendo laços que julgava eternos e cuspindo na face de quem eu julgava querer bem, quando isso aconteceu? Porque deixei que vocês me tornassem esse poço de ódio que nunca pensei sentir?

Essa é a sua vitória, roubar de nós o amor, a esperança, o desejo de que podemos ser mais, de que aprendemos com nosso passado, que a história nos ensinou algo e que não repetiremos os erros grosseiros que nossos antepassados cometeram.

Vocês venceram, roubaram de nós o país, o hino que talvez eu nunca mais tenha coragem de cantar, a bandeira que não serei capaz de honrar, as cores que jamais serei capaz de vestir, o orgulho que quase tive e a esperança que nem vi nascer. Vocês roubaram de mim um país e agora, sou um nômade, um sem teto, sem pátria, sem destino, sem nada.

Eu odeio vocês, Essa é a herança que vocês nos deixaram, o ódio, mataram nosso amor e colocaram o ódio no lugar porque apenas o ódio é o que vocês entendem, o genocídio, a exclusão, não pode haver quem ame porque se há, vocês estarão errados em odiar então vamos todos odiar porque no ódio  nos tornaremos irmãos, eu odiando você e você odiando a mim. Viva o país! Pátria Amarga, Brazil!

Eu odeio vocês. Vocês amam odiar então, através de uma lógica nefasta, quando dizem EU TE ODEIO dizem EU TE AMO então, se eu odeio vocês eu amo e está tudo bem porque odiar é IN, é bom, é moda é faz bem vide o presidente de fel que foi eleito para odiar a todos com a caneta na mão.

E vamos odiar! Vamos sair em carreata buzinando e pedindo a volta da ditadura porque foi o ápice do ódio então nada melhor para ensejar os dias de hoje. Vamos bloquear acessos a hospitais e outros serviços para demonstrar nosso ódio, como ele é forte, como é horrendo, como é altivo, como nos une e nos aproxima.

Vamos pedir um AI-5 porque democracia é para quem ama e quem ama é fraco e tem de ser eliminado, somente o ódio nos torna fortes. Vamos pedir fechamento do Congresso, Senado, STF e tudo mais porque são instituições que zelam pelo amor e pela justiça e o ódio não pode ter isso em seu governo. O ódio só pode ter um mandatário e ninguém ou nada pode se dispor contra ele.

Vamos gritar contra todos os que falam contra o presidente mito porque ele é um enviado de Deus mas não o Deus amor mas o pai patrão que veio para castigar e punir, espalhar as sementes do ódio entre seu rebanho raivoso. Vamos agredir, ofender, perseguir e humilhar todos que não pensam como nós pois são inimigos da nação, querem o fim da pátria, são comunistas e esquerdopatas desejosos de tingir a bandeira de vermelho e acabar com a família transtornada brasileira.

Vamos odiar! Porque o ódio alimenta quem o possui e quem tem posse manda, onde já se viu um país de amor onde todos são tratados de forma igual e podem se beneficiar de direitos iguais. Como é possível que o serviçal tenha direitos? Essa quarentena me tirou os direitos básicos de ter uma empregada, babá e outros que tem por obrigação manter as coisas funcionando enquanto os cidadãos de bem decidem o futuro da nação, não importa se esse futuro não será bom para todos, será bom para a parcela que merece e isso basta!

Vamos odiar! Vamos odiar porque o capitão soltou a ordem do dia e ela é vocês contra todos porque ele está certo e vocês também e quem se colocar no caminho, paciência, não se pode fazer um país justo sem quebrar algumas cabeças melhor ainda se for durante a pandemia porque velhos e outros doentes estão apenas atrasando o messias e seu plano para o Grande Brazil. Todos vão pegar o vírus, oras! Então se alguns milhares vão morrer que seja, desde que sobrem os eleitos, os que merecem fazer parte da utopia neo-fascista do clã Bolsonarista.

Odiemos sem medo! Sem fronteiras! Sem controle! Apenas o ódio pode construir um grande país!

E eu te odeio, ah, como eu te odeio, meu patriota! Debaixo dessa bandeira de sangue eu te odeio como um irmão, quero te odiar até o dia em que morrer e, se houver vida após, te odiarei de lá. Essa é a dádiva que você me deu, odiar sem limites, eu te agradeço por abrir meus olhos, por me fazer ver que o amor é uma farsa, um engodo, que apenas o ódio pode nos levar a algum lugar.

Obrigado pelo ódio que estou sentindo, pela benção de odiar hoje e poder odiar amanhã, por ter me tornado esse cancro de fel que todo dia destila seu veneno pestilento sem medo ou remorso. Já nem me lembro de quando amei, de como era amar, para que servia ou como era, o ódio preencheu tudo e o presidente merece créditos pois foi o grande arquiteto desse ódio descomunal que nutrimos uns pelos outros e por tudo mais.

Mas, eu tenho uma dúvida, meio besta até e peço que você não me odeie menos por isso. Quando esse ódio acabar e ele vai acabar porque o ódio tem o péssimo hábito de consumir a si próprio, que faremos? Lembraremos de como é amar? Ou colocaremos outra coisa no lugar, um outro ódio ou presidente? Como vai ser?

Não sei.

Só espero que ao acabar tudo isso e o ódio se for, ainda nos lembremos como amar caso contrário, seremos todos criaturas vazias vagando por uma terra desolada que um dia se chamou Brazil,

13 de abr. de 2020

Velha roupa colorida


Que a morte vai chegar não resta dúvida, independente de cor, classe social, posses, orientação sexual, identidade de gênero, idade, nacionalidade ou o que for.

A hora de passar a régua e encerrar a conta vem de qualquer maneira.

Mas de tempos em tempos, somos confrontados com situações que nos fazem encarar a hora final com mais frequência e urgência queiramos ou não, como esses tempos de pandemia quando vidas humanas são ceifadas em baciadas sem dó ou piedade.

A bem da verdade, antes de tudo isso que estamos vivendo, pessoas morriam de moléstias diversas, algumas completamente curáveis mas cujos doentes não tinham acesso devido a barreiras sociais, políticas ou econômicas, outras sem cura independente do quão rico fosse o doente e, infelizmente, morriam por fome, inanição ou causas não naturais que, em tese, a humanidade deveria ter deixado para trás há séculos.

O que deixa a todos espantados e assustados é velocidade com que estamos morrendo agora e a incerteza de nossa invulnerabilidade ante o avanço inexorável da doença. A morte antes acenava como algum tipo de visita distante que ia acenando cada vez mais perto até não ser mais possível ignorar sua presença. A morte era um problema do outro, lamentávamos que ela havia chegado, cumpríamos os ritos de despedida e enterrávamos junto com o falecido nosso medo de que poderíamos ser os próximos.

Com a pandemia, esse medo passou a dividir a mesa conosco e, em quarentenam temos de dormir e acordar com ele ao nosso lado, fazer as refeições, tomar banho e fazer de conta que ele não está lá. A urgência da morte veio e fez casa e não parece que vai embora tão cedo e com ela, veio o pânico de que o outro pode ser o agente mortífero e não o outro que sempre enxergávamos como imbuído de más intenções e desejoso de nos ferir para compensar qualquer desejo patológico ou desfavorecimento social. O outro na pandemia adquiriu um ar mais soturno de amigo que repentinamente ficou perigoso e precisamos manter afastado.

Talvez passada a pandemia nunca mais sejamos os mesmos uns com os outros, ingressaremos na era do pós-social, não sei mas sei que se há algo que aprendemos ou deveríamos estar aprendendo com isso é como tratamos nossos idosos.

Já por costume e tradição, nós ocidentais tendemos a enxergar os velhos como um fardo, algo que deve ser descartado e colocado de lado. Nossa sociedade preza a juventude e o novo como bálsamos insubstituíveis, o que é velho deve ser posto num museu e esquecido, inscrito nos livros de história para ninguém mais ver e ouvir falar.

Com o advento da pandemia e durante o vigente governo de agenda neoliberal ficou claro que as vidas idosas são um preço aceitável a ser pago para manter a roda girando e a sociedade funcionando afinal, eles já cumpriram seu papel, deram sua contribuição e precisam agora dar espaço aos jovens que tem de construir a pátria arrasada Brazil. O governo certamente agradece esse sacrifício já que promoverá um fôlego nas contas públicas sem que seja preciso posar de vilão ante a sociedade.

As vidas idosas passaram a ser moeda de troca no jogo político e social, se antes eram um incômodo encarado por muitas famílias como obrigação da qual se incumbiam sob o medo do julgamento social, com a pandemia passaram a ser artigo de exposição e justificativa para expressões de descaso das autoridades e até mesmo entre familiares que antes estariam pouco se lixando para elas.

Na verdade, esse valor súbito das vidas idosas vem do medo que a pandemia - como está se mostrando - não se retenha nelas e passe a devorar outras vidas com a mesma voracidade. Se um velho morre por que sua vida se extingue naturalmente ante o desgaste e fragilidade impostos pelo tempo não há problema afinal, é o curso natural das coisas mas, quando uma doença agressiva começa a ceifar essas vidas e mostra que pode clamar por outras mais jovens, entregamos as vidas velhas como oferenda para ver se a doença se sacia e nos deixa em paz.

Já ouvi e creio que tenham ouvido também comentários de que deveríamos deixar os velhos morrerem e focar no salvamento dos mais novos porque os velhos já estão no fim mesmo, qual a utilidade de gastar recursos com eles? Isso diz muito sobre nós como sociedade e espero que saíamos disso com outra concepção de valor da vida humana e de como tratamos nossos idosos.

Não vai adiantar muito passarmos por isso tudo e nossos idosos seguirem abandonados em asilos e largados a própria sorte porque não tem mais qualquer utilidade para nós nem para a sociedade. Sairemos de uma pandemia apenas para entrar em outra que sempre vivemos.

8 de abr. de 2020

MADE IN CHINA

O ego inflado e inflamado dos patriotas agora ataca a China como grande vilã da pandemia. demandam pedidos de desculpa e até mesmo que indenizem a todos por ter espalhado essa doença.

Entendo.

Como não podem culpar seu mito que, cambaleante, tenta achar um meio de lidar com a crise sem deixar de ser quem é, identificam um culpado de fora e nele jogam toda a sua frustração e ódio, melhor que assumir para si e publicamente que estão sob o mando de um presidente incapaz, inepto e que foi alçado ao governo sem saber bem como faria aquilo.

Atacar a China expõe o lado mais frágil e pernicioso dos patriotas, o sentimento de que o Brazil é uma super potência saída diretamente dos tempos saudosos da ditadura, celeiro do mundo, pulmão do planeta, o mundo precisa de nós e não o contrário então, podemos nos dar ao luxo de desprezar qualquer potência mundial.

A China é a segunda economia mundial e responsável por grande parte de nossas exportação principalmente de soja e carnes. Um governo que se preocupa tanto com a economia a ponto de não se importar em sacrificar vidas humanas para manter a balança comercial funcionando deveria, em tese, tentar a todo custo manter excelentes relações com um de seus principais parceiros comerciais ainda mais em tempos de crise mas, não é o caso do (des)governo Bolsonaro que  prefere ceder aos rompantes de sua base ideológica.

Por mais de uma vez, o 'gabinete da confusão' promoveu crises graves com a China e a última, causada pelo Ministro (?) da Educação (??) em conluio com os rebentos esquizofrênicos do messias, pode render prejuízos graves se os bombeiros de plantão não agirem rápido - Mandetta correu para desfazer o mal estar afinal precisamos da experiência da China em lidar com a pandemia e de seus insumos e equipamentos médicos.

Como se não bastasse o governo confuso que joga com a desinformação, seu séquito de nacionalistas compraram a briga e, nas redes sociais, passaram a subir um boicote a tudo que for que de origem chinesa e, como disse mais acima, demandar um pedido formal de desculpas.

Lamento dizer que esse boicote, se pegar, vai deixar poucas opções de compra para vocês já que praticamente tudo que consumimos tem algo vindo ou com a participação da China em sua feitura ou composição. Outro ponto interessante, se vão mesmo boicotar produtos chineses, sugiro então pararem de comprar naquelas galerias de lojas box onde tudo que é vendido é de origem chinesa, aqueles produtos que vocês não tem como comprar os originais mas adoram ostentar as cópias como se assim fossem, aquelas capinhas de celular e todo tipo de bugiganga que vendem ali, passem a comprar os produtos de revendedores autorizados e mesmo assim, ao mirar no verso ou etiquetas vocês darão de cara com um MADE IN CHINA.

Também parem de frequentar a Rua Santa Ifigência e adjacências afinal 99,9% do que se vende lá vem do país comunista que vocês odeiam e culpam pela pandemia. Não comprem mais roupas no Brás nem na José Paulino, não comprem mais nada e parem de consumir macarrão, empinar pipa, pedir porte de arma que usa pólvora e esqueçam fogos de artifício na virada do ano.

E se for para pedir desculpas, que tal pedir a Holanda que se retrate por ter inventado a escravidão? Que tal pedir aos EUA que se desculpem pela crise de 1929 e de 2008 e pela bomba de Hiroshima? E a Alemanha por meter o mundo em duas guerras seguidas? E Portugal por ter mandado para cá somente os degredados? Que tal pedir a França que se desculpe pelos massacres nas guerras coloniais? E pedir ao Brasil que se desculpe aos índios e negros pelos séculos de assassinatos e exploração?

Que tal, para encerrar, vocês que votarem nesse demente que está nos levando para o abismo cantando o hino nacional, nos pedirem desculpas por terem colocado a todos nessa roubada?

Só acho. 

26 de mar. de 2020

Alphabeto

Lembro de certa ocasião, há anos, quando eu ainda era um jovem despreocupado e amando outro homem de maneira louca e incerta, estávamos no meu carro que ia cheio de bixas e lésbicas.

Era um modelo que à época se costumava designar como GLS acrônimo de Grand Luxo Super até onde sei. Outro carro que estava cheio de amigos nossos emparelhou com o meu e o motorista daquele comboio hétero disse: 'E esse Fiesta GLS?'

Levei alguns segundos para associar o GLS do carro com o GLS de Gays, Lésbicas e Simpatizantes que então, abarcava com folga todo os segmentos do mundo gay e então, caímos na risada. Talvez essa piada hoje não fosse motivo de riso e certamente não faria sentido ante a sigla LGBTQIA+ ou qualquer outra que estejamos usado para designar todos os matizes do movimento.

Tudo isso me veio quando li matéria de João Silvério Trevisan publicada na edição 33 da Revista Serrote onde ele questiona os limites e limitações da sopa de letrinhas que passamos a usar para identificar as identidades de gênero e orientações sexuais.

Tomando como base essa matéria (cujo conteúdo pode ser visto aqui) surge uma provocação: até que ponto a extensão alfabética para dar voz a sexualidades e identidades não normativas ajuda a dar voz ou pulveriza a luta pelos direitos?

Há aqui um paradoxo, penso eu.

Ao adicionarmos mais letras estamos efetivamente dando voz, espaço e reconhecimento a cada segmento que surge e necessita, obviamente, de representação, voz e lugar de fala e não deseja e nem deve, penso eu, delegar sua luta a outros segmentos que não entendem suas demandas ou realidade.

A questão da representatividade deve ser respeitada pois se antes convivíamos todos sob três letras, GLS ou qualquer outra designação usada de fora para catalogar e identificar os gays, fazíamos isso como parte da maioria gay cis que adotava tal sigla como suficiente para determinar nosso clã enquanto as demais identidades e sexualidades seguiam marginais e sobrevivendo das migalhas que o GLS ia conseguindo aos poucos.

Com o avanço da luta pelos direitos gays, outras sexualidades e identidades começaram a sair da sombra generalizante do movimento e passaram a demandar direitos mais específicos que atendessem suas necessidades e anseios, nada mais justo e com isso, o GLS ficou pequeno para acomodar tanta gente a passamos o LGBT, LGBTQ, LGBTQ, LGBTQIA, LGBTQIA+ e outros mais que soam como algum tipo de equação matemática impossível de ser solucionada.

O outro lado dessa moeda é a pulverização da luta pelos direitos e isolamento de grupos o que acaba gerando uma fragmentação do discurso e rachaduras muita vezes irreconciliáveis dentro do próprio movimento enquanto, do outro lado, do lado normativo, seguimos sendo vistos apenas como viados, bixas, sapatões e travestis, não se iludam que eles saibam diferenciar cada uma das letras da sigla que criamos para nós.

Com isso, a vantagem acaba ficando totalmente do lado oposto que tem maior facilidade em legislar contra nós já que seu discurso sim é unificado e não reconhece nossas divisões e sub-divisões. Pensando assim, a provocação/sugestão de Trevisan de encontrarmos alguma outra sigla, palavra ou denominação que seja capaz de abraçar e representar todos nós em cada uma de nossas sexualidades e identidades e que ainda seja capaz de aceitar adições futuras é algo a se pensar profundamente.

Inclusive o termo HOMOSSEXUAL que carrega em si um machismo derivado além de estar estritamente ligado ao sexo e não a identidade de gênero, deveríamos repensar essa palavra, aposentá-la e colocar as cabeças pensantes de todo o movimento, TODO MESMO, para encontrar ou criar alguma outra que seja mais real e afeta a todas as matizes que compõe nosso arco.

Da mesma forma, precisamos repensar a forma de militância de modo a manter as individualidades de cada célula mas unificar o discurso para fazer frente ao avanço conservador que nos devora cada dia com mais voracidade. Não seria a hora de colocarmos as 'diferenças' de lado e fazer uma frente única? Recriar essa sigla extensa que para os normativos não faz sentido algum saindo com algo que fosse mais direto e representasse a todos nós independente de qual letra pertençamos?

Posso incorrer num erro grosseiro aqui afinal, sou homem, gay, branco, cis então me foge completamente a realidade de luta de outras sexualidades e identidades. Talvez meu discurso seja uma utopia ou até mesmo uma ofensa aos mais radicais ou puristas mas, expresso estas opiniões despido de qualquer desejo de roubar a luta de quem quer que seja e imbuído do mais sincero desejo de que nos unamos para lutar contra um inimigo comum que está se aproveitando de nossas rachaduras para infiltrar seu discurso de ódio e nossa destruição.

Não valeria a pena baixarmos as armas que estamos apontando uns contra os outros e apontá-las contra esse inimigo peçonhento que nos ameaça?

24 de mar. de 2020

Negócio da China

Eduardinho estava quieto e foi lá meter o dedo no Twitter.

Foi lá zoar com a China, COM A CHINA! Veja bem!

Papai ficou calado porque não vai passar pito no filho querido e o chanceler genérico foi lá e não contente ainda pisou em cima.
Povo de direita compro a briga com a China hahahaha, até parece e aí, nos comentários nas redes sociais ficam distorcendo a realidade no melhor estilo Bolsonaro e mandando quem fala a real enfiar a opinião no CU.

Acho vocês extremamente adultos quando falam TEU CU, denotam bem a mentalidade de eleitores do MITO e patriotas da pandemia ao defenderem seus ‘pontos de vista’ de forma tão articulada.
Igualmente, fico muito feliz de ver que vocês imitam seus família de milicianos favorita ao fazer piada e ficar achincalhando a China, isso se chama preconceito caso vocês não saibam é muito provavelmente não devem saber mas tudo bem porque apóstolo do mito não tem l muita cultura mesmo o oposto disso, odeia cultura.

Quanto ao seu ufanismo (procurem), suas fontes de informação limitam-se as que são outorgadas e chanceladas pelo clã do messias, qualquer coisa em oposição a isso é de esquerda e mídia oportunista porque para vocês só existem dois lados: o de vocês e o de quem está contra vocês, só lidam em absolutos e antes que falem da ditadura comunista ou esquerdista que promove o mesmo pensamento digo que estão certos pois todo excesso é nocivo.

Agora quem começou o ataque? Foi a China? Então por ter a pandemia iniciado lá a culpa é da ditadura comunista? E se amanhã um surto se iniciar nos EUA será culpa de quem? AMÉRICA GREAT AGAIN? A China responde por uma parcela significativa de nossas exportações, se vocês patriotas histéricos acham que podemos cagar e andar para a China que um potência mundial então sugiro irem estocando tudo que puderem e começar a pensar em dólar a $8,00 porque se a China decide romper conosco que somos um rascunho de pais comparados a eles estamos na merda.

A China que vocês odeiam e malham domou a epidemia e fez mais por sua população do que o governo atual que segue preocupado com índices econômicos ao invés de pensar na sobrevivência e segurança da sua população e isso porque eles sabem que se a economia naufragar, dificilmente seu messias se segura no cargo por muito tempo.

Ao atacar a China de forma infantil e desnecessária o garoto fez merda mas vocês, tomados do espírito cego do patriotismo e do ame-o ou deixe-o dos anos de chumbo preferem ver apenas a verdade dos brios nacionais feridos, as joias da coroa ultrajadas e passam a atacar a China como se ela fosse a encarnava do mal quando na verdade é o país que mais pode ajudar a todos nós a enfrentar essa crise toda que não foi causada por ela mesmo vocês adorando acreditar nesse arquivo X de quinta categoria porque é mais fácil do que encarar que seu governo é composto de incapazes e neoliberais que estão cagando para as minorias.

Quem está fazendo tudo por dinheiro? China? BAND? Não foram eles que cortaram os salários pela metade, revogaram pensões e ainda estão pensando em como tirar do sufoco a população, eles estão pensando nos banqueiros e empresários e por isso não querem quarentena ou isolamento porque isso vai contra os sonhos de economia de Guedes e sua turma mesmo que para isso seja preciso sacrifício de uma parte-a mais pobre claro- da população.

Vocês estão cegos de verde e amarelo, estão raivosos de mito, estão doidos porque seu messias acabou se revelando um falso profeta e fica mal reconhecer isso então, vamos seguir atacando quem está torcendo contra e apoiando o messias mesmo que ele esteja levando a todos nós para o cadafalso.

18 de mar. de 2020

O doente imaginário



Quando uma pessoa é eleita presidente de um país, espera-se que além de governar bem ela tenha certa compostura pertinente ao cargo que ocupa afinal, estará representando toda uma sociedade ou boa parte dela e não apenas ela mas a ideia de nação, será a cara do país pelo período em que governar.

Obviamente que isso não é perfeito afinal, presidentes não são máquinas, são pessoas e, em sendo, estão sujeitos a falhar pouco ou miseravelmente com a diferença de que seus erros ecoam muito mais que os nossos pelas razões que acabei de expor.

Qual o parâmetro então para determinar quando um presidente erra demais?

Complicado mas, pensemos nesse vídeo do presidente concedendo uma entrevista. Não é de hoje que essas conversas ao pé do ouvido que ele concede são contraditórias, ele usa essa ocasião como plataforma de contato com seu eleitorado e despreza e ofende a imprensa que lá está quando esta lhe faz saia justa ou vem de algum jornal ou canal que ele odeia pelo simples fato de tocarem em feridas que todo político sambado está mais do que acostumado a terem abertas.

Primeiro veja o tom do presidente, ele está claramente desconfortável ao falar com os jornalistas, como se fossem algo muito pior que a pandemia que assola o país e cujo governo encabeçado por ele insiste em menosprezar;

Depois, em certo momento, alega que a histeria da pandemia vai prejudicar a economia, gerar desemprego, prejuízos e recessão mas, ao mencionar tais fatos, defende apenas os empresários e o governo que terão de arcar com rescisões, multas e amparo aos desempregados, nenhuma palavra de apoio ou consideração a quem vai sofrer muito mais com tudo isso, o desempregado em si.

Ainda no caminho da histeria pandêmica, alega que o pânico será usado como capital político por oportunistas, não digo que esteja de todo equivocado mas até agora, quem está fazendo isso é o presidente e seus seguidores.

Em outro momento, o presidente diz que a Itália é uma cidade-estado com muitos velhos e que velhos são fracos, debilitados e vão morrer mesmo então não tem o que fazer, que a Itália é tipo Copacabana que só tem velho e, se quisermos fazer uma interpretação livre ou subliminar, o presidente disse, a grosso modo, que velhos precisam morrer porque são um fardo e precisam dar lugar aos mais jovens e mais fortes para construir a nação que ele sonha para todos.

Outra pérola, segundo o presidente, a epidemia só vai passar quando parte da população adquiri naturalmente imunidade contra o vírus ou seja, seleção natural pura e simples, morte dos mais fracos e sobrevivência dos mais aptos só que nesse caso, quem está decidindo isso não é a natureza mas o governo que prefere lidar com a situação como se fosse um exagero descabido. Para não onerar ainda mais o Estado, deixemos que a natureza siga seu curso.

Depois ainda compara a pandemia com uma gestação, só se for uma gestação indesejada e impossível de ser abortada, como se a pandemia tivesse sido gestada em algum útero maligno (comunista talvez) e fosse o resultado de uma união profana.

A única razão que dou ao presidente é a de que realmente o pânico não irá nos salvar, muito pelo contrário mas mesmo essas palavras saídas de sua boca soam como escárnio e desprezo por uma situação que ele não tem capacidade de gerenciar, entender ou manusear.

Tenho certeza de que sobreviveremos a essa pandemia de um jeito ou de outro. Não tenho tanta certeza se sobreviveremos ao presidente que temos.

17 de mar. de 2020

FEBEAPA



Em uma sociedade democrática, todos tem o sagrado direito de manifestar-se livremente sobre qualquer assunto que desejem seja de forma individual ou coletiva, a carta magna assim o diz.

Então, os grupos que saíram às ruas no dia 15/03 para prestar apoio ao governo estão em pleno gozo de seus direitos, não cabe a nós ou a ninguém dizer o oposto já que, salvo a pandemia assim o proíba, dia 18/03 será a vez de outro grupo - eu incluso - tomar as ruas para protestar contra o presidente e seu governo de bananas.

O que mais surpreende não é a existência de manifestantes pró-Bolsonaro, eles sempre estiveram aí e nós sabemos disso mas, sua conduta travestida de ufanismo religioso familiar em conclamar pessoas às ruas num quadro de pandemia global que ameaça a todos sem exceção, como se esse patriotismo todo fosse blindar o sistema imunológico dos manifestantes ou, como já vi dizerem, quem tem deus no coração não vai pegar essa doença.

Amados.

Essa pandemia está gargalhando do patriotismo de vocês, está dando cambalhotas de rir do deus que vai proteger vocês da contaminação e está se mijando de dar risada do Brasil que vocês querem resgatar.

Não impressiona que grande parte dos manifestantes sejam senhores e senhoras idosas, de uma geração que cresceu pia de que a ditadura era boa, gerava empregos, não compactuava com a corrupção e zelava pela morale bons costumes. Agora resta saber se todos esses valores foram suficientes para impedir que vocês pegassem o vírus, dentro de alguns dias saberemos, não é?

Não surpreende também que as pessoas tenham ido às ruas com o lema esdrúxulo 'DESCULPE MAS EU VOU PRA RUA' ou coisas como 'O VÍRUS QUE MATA É O CORRUPÇÃO'. O capitão conclamou a tropa para irem, a adesão foi abaixo do esperado porque a tropa estava mesmo se cagando de medo de pegar a doença mas os que foram, tinham no messias seu norte afinal, ele mesmo ainda sob suspeita de estar infectado e contrariando orientação médica e de seu próprio governo, saiu para abraçar e dar a mão aos apoiadores como se a infecção fosse um preço baixo a pagar por um país melhor e para varrer do mapa os malfeitores do Congresso e STF.

Para os Apóstolos de Jair não há doença, foi uma invenção de esquerda para derrubar o capitão, veio da China comunista para corromper as pessoas de bem e tudo não passa de uma fantasia, seu messias assim o disse, oras!

Jair usou o coronavírus como moeda de troca para seus apoiadores, cagou e andou para sua responsabilidade como governante ao sair abraçando e pegando as pessoas e ainda teve a audácia de dizer que se foi infectado, o problema é dele. Oras, quem estava em quarentena era ELE! Qual parte de crime, sandice e insanidade vocês não percebem?

Capaz dos seguidores sentirem-se abençoados em serem infectados pois estavam cumprindo seu dever patriótico e contrair ou espalhar uma doença é um preço baixo a se pagar para arrumar o país. não é mesmo?

Mas o pior não é esse comportamento destrutivo e pouco digno de pessoas que vivem em sociedade.

Pior é o vírus da ignorância, estupidez e burrice que já infectou a todos os acólitos do messias, sem chance de cura, tratamento ou contenção. Pedir o fechamento do Congresso, do STF e de outras instituições democráticas, a instauração de um AI-5, intervenção militar e afins é passar atestado de doente mental em estado terminal.

Compreendo que as instituições democrática tenham contribuído para a derrocada de sua imagem e credibilidade se refastelando num sem fim de escândalos, legislando em benefício próprio e perdendo a conexão com o povo que deveriam representar e defender. A descrença geral nas instituições é consequência direta de anos e anos de desmandos e falhas grotescas mas, a bem da verdade, a culpa não descansa apenas sobre elas mas sobre nós afinal, nós somos responsáveis por formar tais casas, nós deveríamos ser mais atentos e cobrar leis e medidas que seja benéfica a todos mas, preferimos a abstenção e culpar a classe política por uma falha que é nossa também e depois, sair pedindo sua extinção como se fosse a melhor solução para todos.

Enquanto não entendermos e aprendermos que as instituições são um reflexo de nós como sociedade estaremos fadados a ser governados por imbecis, populistas, medíocres e ladrões apenas para depois, pedirmos o fechamento dessas mesmas instituições entregando o poder nas mãos de salvadores que irão, no momento seguinte, dar as costas a todos sem pensar duas vezes.

Podemos ter instituições longe do ideal, do que desejamos e que podem e devem sim melhorar e muito mas, prefiro ainda um cenário com elas desse jeito do que sua ausência pois a alternativa a isso é muito sombria e historicamente trágica mas, parece que as pessoas não querem saber disso, preferem uma saída rápida para suas frustrações e culpas ao invés de tecer uma crítica de si mesmas e cobrar como sociedade uma solução que atenda a todos de forma o mais igual quanto possível.

Quando isso vai acontecer?

Não sei dizer.

Fica complicado fazer qualquer previsão num país que ante uma crise mundial de saúde, economia em frangalhos e um desgoverno sem precedentes, prefere seguir comentando quem deve ser eliminado do BBB.

9 de mar. de 2020

O Carandiru nosso de cada dia

Creio que todos estejam a par do caso de Suzy, escrevi sobre ele aqui.

Numa reviravolta novelesca e que está alimentando a fábrica de ódio das redes sociais, o crime e sentença de Suzy vazaram numa clara infração de seus direitos constitucionais e sim, detentos ainda tem direitos mesmo que você torça o nariz para isso.

Quem vazou? Difícil saber, pode ser sido a própria Globo sedenta por mais números de audiência, Bolsonaristas cruzados imbuídos do dia 15/03 e que defendem o extermínio como solução para tudo ou até mesmo notícias falsas criadas para gerar ruído e confusão.

Partamos do pressuposto de que os fatos sejam reais e que Suzy tenha sido autora dos crimes horríveis que perpetrou e pelos quais está pagando, estão agora crucificando Dr. Drauzio apenas por ser o que todos nós deveríamos ser mas nunca somos, humanos. Ele é um MÉDICO, não é juiz nem advogado, não estava lá para entender porque ela cometeu os crimes que cometeu ou traçar um perfil dela enquanto criminosa, estava lá para mostra a realidade das pessoas trans encarceradas e sua luta pela sobrevivência e reintegração.

O crime de Suzy precisa ser entendido num contexto mais amplo considerando sua orientação sexual e identidade de gênero além de possíveis problemas psicológicos e psiquiátricos e sempre tendo em mente o trauma da família que sofreu uma perda irreparável. Associar seu crime a sua sexualidade é ratificar o discurso de ódio contra toda a população LGBTQIA+ da mesma forma que pregar que bandido bom é bandido morto, lembre que a Lei de Talião tem o péssimos hábito de acabar por deixar a todos nós em um país de cegos.

Seja como for que a informação tenha vazado, agora os cruzados do messias estão revestidos de seu ódio contra todos os criminosos e, obviamente, pregando a quem quiser ouvir que os gays são todos pedófilos, pervertidos e estupradores, Suzy lhes deu a munição que precisavam e está pagando outra sentença além da que já paga, a do tribunal virtual e neste, não há apelação ou recurso possível.

Muito provavelmente, toda a rede de apoio que se fez após a matéria do Fantástico irá se desfazer no ar com esse novo fato que veio a luz verdadeiro ou não porque Suzy já foi considerada culpada e condenada pelos juízes da internet e, se havia passado oito anos sem qualquer contato humano com o mundo exterior tenho quase certeza que passará o dobro disso isolada e repudiada.

Não estou defendendo bandido ou justificando seus crimes, se ela os cometeu há de pagar por eles como dita a lei mas fazer com que ela passe por outro julgamento onde ela nem mesmo pode se defender diz muito sobre nós como pessoas e como sociedade, fácil chutar cachorro morto. O uso descarado que a mídia social faz dessas pessoas como alimento das polarizações que vivemos faz bem apenas para nós que estamos livres e podemos nos odiar online todos os dias, o dia todo, para Suzy e outros encarcerados, a vida segue amargar como sempre foi só que pior pois agora as feridas que estavam quase fechando estão novamente abertas e não apenas de seu lado mas pelo lado da vítima também ou seja, estamos acabando com a vida de mais de uma pessoa a cada comentário.

Agora, pedir a cabeça ou o cancelamento de Drauzio é um absurdo sem tamanho e uma estratégia nojenta dos conservadores e Bolsonaristas abjetos que o estão usando como bode expiatório para sua agenda fascista seguir adiante. Drauzio nunca foi aos presídios tratar apenas detentos que cometeram ofensas leves, ele sempre tratou todos sem distinção pois seu juramento assim o diz, não importa se é um traficante, pedófilo, estuprador, assassino; se é rico, pobre, gay, trans, ou seja lá o que for, ele está la porque é um médico e um ser humano melhor do nós pois está dando ajuda e apoio a pessoas que não teriam isso em outro lugar independente de um julgamento abstrato de merecimento.

Drauzio está lá porque aqui de fora nós só lhes enviamos ódio, ressentimento, asco e esquecimento e lá dentro. eles só tem mais do mesmo e ninguém mais fará isso por eles mas, o tribunal das bestas online já condenou Drauzio porque esse tribunal não tem humanidade, só tem ódio. O júri online já proferiu sua sentença de que ele gosta de bandido, de que a Globo é um lixo (e estamos vendo vocês promovendo boicote e sem tirar o olho do BBB) e está promovendo bandido e pedófilo, como se Drauzio tivesse por obrigação cuidar apenas de quem é bom e, nesse caso, quem define quem é bom e quem é mau? Vocês com o teclado ou smartphone nas mãos?

Estamos vivendo esses tempos horrendos em que pessoas com atitudes humanas são execradas e aquelas que pregam o ódio, morte, preconceito e raiva são ovacionadas em pé. Em que um condenado não paga apenas uma pelo seu crime porque na internet ele não prescreve jamais. Em que o entendimento de uma situação se dá em cento e quarenta caracteres, sem contexto, sem bagagem, sem ver o quadro mais amplo. Em que as informações vazam conforme o benefício que podem causar ou o dano que possam infligir. Em que a veracidade dos fatos se dá pela quantidade e likes ou retweets e não pela análise profunda e reflexão. Em que jamais seremos perdoados enquanto houver wifi e um teclado por perto.

O Carandiru nosso de cada dia.

6 de mar. de 2020

Bananas e Circo



Salve senhor das bananas, mestre dos palhaços, rei do gado, bufão maior.

Nossas caras estão aí para que estapeie, para que enfie suas bananas e frutas ácidas sem dó ou piedade.

Goza em nossas fuças com seu talkey emérito, ejacula teu ódio em nós ó divino messias, abençoa nossas vidas com a piada do absurdo ó messias mito bananal.

Leva o palhaço que sabe que é palhaço para fazer de conta que não és o palhaço que sabemos que és e para mostrar que os palhaços somos nós aqui sedentos por suas bravatas.

Fala tuas mentiras que elas são doces ao nossos ouvidos, surdos de tanto recusar a verdade. Fala tuas ofensas que isso no dá mais vontade de sermos brasileiros, mais senso de pátria e de sermos um povo abençoado por Deus e amparado pelo Demônio.

Deus não é brasileiro. Nunca foi. Se fosse não teríamos um picadeiro de horrores onde você é o mestre de cerimônias. Não teríamos um palhaço caído e falido como maior dignatário da democracia nacional. Não teríamos vergonha de usar nossas cores nem de falar que somos a terra que um dia Deus abençoou e que, pelo jeito, esqueceu.

Jair. Jair. Jair.

Agora eu entendo porque nós trata assim, tens RIA no nome, já era um palhaço nato mas sem circo e ai, conseguiu a maior tenda que qualquer palhaço já conseguiu.

Vendeu seus ingressos e nós, crentes de que veríamos o maior espetáculo da terra, lotamos teu circo.

Só que não tem pipoca.

Não tem guaraná.

Não tem cachorro quente.

Não tem bala, doce nem balão.

Só tem a gente deste lado maquiado e com nariz vermelho, rindo pra não chorar.

27 de fev. de 2020

Cuidado com os idos de Março

Como era de se esperar, Bolsonaro craque do bate-assopra evitou falar com a imprensa sobre o vídeo compartilhado por ele incitando as manifestações de Março e desautorizou qualquer membro de seu gabinete a declarar abertamente apoio o que não significa que, nos bastidores, isso não ocorra.

Não se enganem, esse golpe já vem marinando há tempos desde que Bolsonaro era apenas um representante do baixo clero e foi lá que plantou a semente que esta dando frutos agora, ele paga de defensor da democracia e pátria mas ele e seu clã de milicianos estão implantando seu projeto de poder em plena luz das instituições que condenam mas não agem, como se ele fosse apenas um moleque que se pode repreender com uma admoestação e nada mais.

Em qualquer país com um mínimo de consciência democrática ele já teria sido afastado do cargo e responderia por crimes de responsabilidade vide os inúmeros ataques não apenas às instituições democráticas que, por seu cargo, jurou defender mas como a setores da sociedade que despreza e preferiria ver eliminados porém, essas mesmas instituições que deveriam zelar pela democracia e cobrar explicações do chefe do executivo, que diariamente flerta com o autoritarismo, encontram-se reféns de um movimento que não souberam mesurar advindo dos mecanismos midiáticos que a quadrilha Bolsonarista sabe manipular com maestria vendendo para a sociedade a ideia de que tais organismos democráticos estão, na verdade, impedindo o Messias de governar e agindo contra a pátria, sociedade e roubando o futuro da nação.

Bolsonaro e seus filhos são demônios do Twitter e não passam dia sem atacar de forma indireta ou contundente as instituições alegando que eles são o rompimento da velha política, do fisiologismo, da corrupção, dos abusos e relações espúrias de poder, um discurso que já foi usado muitas vezes por líderes autoritários que desejavam mudar a sociedade para implantar uma visão de mundo que não era nada agradável. Propaganda, nada mais, o clã vende bem suas ideias e depois faz de conta que nós não entendemos direito e culpa a esquerda, a imprensa e os traidores da pátria pelos mal entendidos, quem controla a narrativa, controla o futuro.

Não admira que seus apoiadores clamem por um novo AI-5, por uma nova ditadura e exaltem os militares como única esperança de resgate da nação, tal ideia foi martelada até a exaustão em suas mentes via grupos de Whats, Twitter e outros fontes 'confiáveis' de informação fazendo com que essas pessoas, que já não tinham ou possuíam um conhecimento mínimo do que foi o período mais obscuro de nossa história, renegassem tal passado e passassem a admirá-lo e, num estranho saudosismo, uma nostalgia mórbida, pregassem seu retorno como solução final para que seu Messias possa cumprir a missão que lhe foi delegada por deus e pelas famílias de bem.

E não se enganem, essas famílias de bem, esses homens honrados, muito honrados, são a mesma elite que em 1964 apoiou e ajudou o golpe, para esses não importa se a desigualdade social segue aumentando, se há precarização do trabalho, desmonte da cultura ou qualquer outra coisa, para eles o que não pode mais acontecer é pobre, negro, e periferia viajando, estudando, comprando carro e reclamando mais direitos, para eles, se o lucro aumenta com a ditadura então vamos é implantar ela para ontem.

E, para coroar o projeto de golpe, basta criar o braço armado que está configurado com as PMs de cada estado que, em tese, deveriam estar subordinadas aos governos locais mas parecem mais inclinadas a bater continência ao capitão reformado que caiu na presidência. Bolsonaro nunca negou seu apreço e apoio aos militares de qualquer patente ou grupamento vide que militarizou todo seu gabinete e, onde não pode ou logrou fazê-lo, colocou um milico para controlar e informar o que se passa.

Com essa onda de greves das PMs, Bolsonaro tem à sua disposição o aparelho armado do Estado para suprimir qualquer resistência ao projeto de governo que ele pretende implantar pois essa é sua base eleitoral junto com as elites econômicas, evangélicos e barões do agronegócio que anseiam por uma época onde possam mandar e desmandar como lhes parecer melhor, com nos idos de 64, bons tempos!

A relação espúria dos Bolsonaros com a PM em seu braço mais abjeto, as milícias, é mais evidente que óleo na água mas parece não haver vontade de ligar os pontos e conectar os fatos já que os interesses em jogo são maiores do que o assassinato de uma vereadora, o massacre das populações periféricas, o encarceramento dos mais pobres e o desmonte da tecitura de apoio às camadas menos favorecidas da sociedade.

Enquanto tudo isso se passa, as ditas instituições e oposição parecem perdidas no tempo e espaço, discutindo como lidar com o descontrole que assomou o país como se fosse alguma surpresa, não é. Como disse acima, tudo isso vem sendo marinado há tempos mas todos achamos que não poderia ser tão ruim e que se ficasse ruim, tirávamos o capitão de lá afinal, tiramos o PT, não é? Só que o capitão veio e ficou, fincou o pé e cavou fundo sua trincheira no poder e, ao parecer um descontrolado, enganou a todos nós e está mostrando as garras que julgávamos que não tinha.

De tudo isso, o mais trágico é que esse povo que gera trending topics, pede fechamento do congresso e volta do AI-5 não tem noção do que estão fazendo tamanha a cegueira que se apossou deles, como se fosse possível controlar melhor o maluco colocando-o no comando do hospício mas esquecendo que, uma vez lá, o maluco dirá que é são e que os doidos somos nós e vai mandar trancafiar qualquer um que diga o contrário.

26 de fev. de 2020

São as tropas de março fechando a democracia

Bolsonaro é craque na arte midiática da trollagem, com ela vai testando os limites da democracia e sociedade, vai sondando o que cola e o que não cola, vai vendo por onde pode ou não seguir, se erra, volta atrás e diz que a imprensa e os esquerdistas da patrulha ideológica deturparam tudo, se acerta novamente culpa os esquerdistas e acena para seu séquito que está tentando governar o país mas que não estão deixando.

Agora, com um governo caserna e que não teme expor de forma clara o que pensa sobre as instituições democráticas, articula para dia 15/03 manifestação de apoio ao presidente mas que já está adquirindo ares de golpe vide as publicações no Twitter, Facebook e o vídeo que o presidente está, até onde se sabe já que é preciso averiguar bem os fatos, compartilhando livremente pelo Whatsapp, sua plataforma preferida de governo.

O vídeo, que dizem não ter sido feito por ele ou qualquer pessoas próxima a ele - novamente a validar tal informação ainda que não ache de todo impossível que ele tenha dado seu aval apenas para negar em seguida - é de um ufanismo nefasto, puro culto a personalidade do messias salvador que sangrou pela pátria e conclama a todos os patriotas a irem às ruas na data para demonstrar apoio ao presidente, aos militares, pedir fechamento do congresso, do supremo, enfim, restaurar a ditadura que esse povo acha que vai salvar o país da falência moral e econômica.

O que mais me espante é a ala militar que aprova esse tipo de ato extremamente condenável encabelado pelo General 'Foda-se' Heleno ou seja, temos um golpe a caminho, trotando solto pela esplanada e com total anuência de quem o observa já que apenas condenar não adianta, há de tomar providências concretas e enérgicas contra esse tipo de coisa.

Por outro lado, existe uma ala mais sensata do exército que condena esse tipo de atitude e que desmente e desautoriza uma imagem feito pelos grupos apoiadores e fomentadores desse ato imbecil onde alguns dos generais aparecem como alinhados com tal ameaça ao regime democrático. Desnecessário dizer que a bancada que apóia o presidente e seu clã de milicianos está lá nas redes sociais apoiando e incitando a sociedade a seguir por um caminho sem volta e que cobrará um preço altíssimo de todos sem exceção, amigos ou inimigos.

Não posso afirmar mas tenho grave suspeita de que Bolsonaro e seus filhos dementes estejam por trás de toda essa celeuma, claro que negarão até o fim e seguem com o mesmo discurso de sempre mas, o simples fato de compartilharem mensagens que são um ataque direto às instituições que deveriam defender deixa bem claro qual seu posicionamento e desejo. Eles só não deram um golpe ainda porque ficaria muito na cara e teriam de prender ou matar uma dezena de pessoas e isso pegaria mal e então, estão comendo pelas beiradas, atacando a imprensa, incitando as pessoas contra as instituições que zelam pela liberdade de todos pintando-as como empecilhos, pedras no caminho da cruzada que eles foram encarregados por deus de emprenhar contra o desmonte da pátria armada e família transtornada brasileira.

O caminho que se desenha com a data de 15/03 é perigoso e incerto, dependendo da repercussão podemos estar apenas chancelando a ditadura branca que já estamos vivendo e autorizando um fascistas que feche o congresso, persiga a imprensa, cerre o supremo e tome para si e para seu grupo abjeto a prerrogativa de ditar os destinos do país com o apoio irrestrito da praga evangélica que enxerga no presidente um enviado por deus para banir os ímpios da nação.

Enquanto isso, a esquerda e outros opositores apenas condenam via Twitter e redes sociais os atos espúrios do clã Bolsonaro, não vejo convocação para bater de frente cotra essa onda retrógrada que varre a nação nem figuras que deveriam estar nos representando se manifestando ou formando coalizão para enfrentar a ameaça que se faz mais e mais presente. Seguimos sem rumo endeusando um homem que fez muito mas que precisa ceder lugar a novos quadros, a esquerda segue sem rumo e sem cabeça ainda presa a questões internas e um marasmo condenável enquanto os golpistas se articulam e fazem a festa sobre os escombros de nossos sonhos.

Eu queria ter algum tipo de esperança, de verdade, mas o quadro que vai sendo formado adiante é tão terrível que eu tenho calafrios só de pensar no que virá depois de 15/03 e, o que mais me espante é quantidade de gente que apoia esse tipo de coisa, como se nunca tivéssemos passado por um regime de exceção e como se fechar congresso e demais instituições fosse algo benéfico a toda a sociedade.

Estão todos tão cegos pelo discurso trollado de Bolsonaro que não conseguem ver a verdade nem quando ela estapeia suas fuças e novamente eu digo a vocês, quando derem por si será tarde demais porque ditadores não tem amigos, só tem inimigos.

lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...