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5 de mar. de 2020

O Astro

Quando li isso aqui, achei que era balela mas, lendo a matéria, constata-se que é verídico.

Não sei por onde começar a explicar o absurdo de tal situação. Será possível que está assim tão complicado encontrar profissionais qualificados que é preciso recorrer aos astros para fazer uma contratação? Ou estamos diante de uma nova forma de processo seletivo onde suas características astrológicas serão o fiel da balança para sua contratação ao invés de experiência profissional, formação e habilidades?

Se for assim, então aqueles signos considerados mais difíceis estarão fadados ao desemprego eterno ou a se tornarem 'empreendedores' como se já não bastasse o governo e sociedade para promover a precarização do trabalho com a praga do empreendedorismo.

Eu pessoalmente não creio na astrologia ainda que reconheça que essa 'pseudociência' (não confundir com ASTRONOMIA) tem milênios de história e deve ser respeitada como forma de estudo, conhecimento e auto-conhecimento mas eu não consigo crer que a elevação de uma estrela ou o trânsito de um planeta pode influenciar minha vida, atitudes, comportamento ou determinar meu destino, nem mesmo traçar as características de minha personalidade ou falhas de comportamento. Acho uma saída fácil para desculpar nossos erros e falhas enquanto pessoas dizer que somos como somos porque nosso signo assim o determina ou dizer que essa ou aquela pessoas tem os problemas que tem porque é desse ou daquele signo.

Claro, estou fazendo uma generalização quase grotesca e, como já disse, a astrologia merece sim respeito como 'ciência' do auto-conhecimento afinal, algo que está ainda vivo e presente depois de mais de quatro mil anos ou mais merece um mínimo de respeito e, se você crê e segue, lhe faz bem e lhe dá as respostas ou parte das respostas que busca, muito que bem!

Creio que meu problema com a astrologia é a questão de colocar a fé, algo que sou contrário a fazer quando confrontado com qualquer conjunto de crenças, regras, preceitos, normas, homilias ou coisas telúricas que foram construídos pelo homem e fique claro, é uma opinião minha, pessoal e eu posso e muito provavelmente estou enganado, quem sabe?

Outro ponto que me incomoda é a questão do horóscopo e sei que até mesmo alguns astrólogos torcem o nariz quando falamos disso. Dia desses, falava com um amigo que me contava sobre as previsões para seu signo e, involuntariamente, acabei desmontando sua crença naquelas previsões argumentando que o horóscopo nunca fala nada claramente, sempre lhe dá 50% de chance de que algo vá ou não acontecer ou seja, se ele acertar ótimo, se errar, também.

Pegue qualquer enunciado de horóscopo e veja como eles jogam com seu emocional e jamais afirmam qualquer coisa, apenas jogam possibilidades que lidam com o aleatório de nossas vidas e com nosso emocional. Assim, se você lê que pode haver problemas no trabalho e algo realmente acontecer, vai dizer que o horóscopo esteva certo, que os astros previram isso ao invés de tentar entender porque e como aconteceu esse problema que, muito provavelmente, teve uma causa real muito clara.

Da mesma forma, quando os astros apontam coisas boas e elas realmente acontecem, temos o sentimento de recompensa, de que o universo ou os deuses e deusas estão sorrindo para nós quando poderíamos apenas pensar que tais acontecimentos são reflexos de ações que tivemos ou, porque não, puro acaso ou sorte.

É mais o menos como dizer que hoje está um dia lindo mas pode ser que chova à tarde, entender? Qualquer uma das afirmações é verídica se ocorrer. O que mais me espanta é ver como as previsões diferem entre si, se meu signo é regido por um ou mais astros, ascendentes e coisas assim e tais fatos são, pelo que entendo, imutáveis, então, diferentes astrólogos deveriam ter a mesma interpretação de meu destino já que não poderiam alterar os desígnios astrais que me regem.

Não é o que acontece.

Hoje, para escrever este texto, li pelo menos quatro horóscopos distintos e cada um preconizada uma coisa diferente para mim, qual deles tem a razão? Qual deles fala a verdade? Se for seguir todos minha vida vai virar de cabeça pro ar.

Obviamente que o horóscopo é apenas parte da astrologia, desmerecer esse estudo dos astros e seus efeitos sobre nós e nossas vidas apenas porque or jornais, revistas e internet pululam com as mais absurdos desígnios e previsões seria tomar uma parte pelo todo.

Desde sempre tivemos uma necessidade de encontrar respostas, é humano apenas, esse desejo nos fez conceber os mais belos sonhos além dos mais terríveis pesadelos. Nessa busca, voltamos nossos olhos para os céus e passamos a buscar nos astros as respostas que tanto ansiamos, se eles realmente estão respondendo, não sei dizer. Se estão velando por nossos destinos, muito menos. Se estão nos ajudando ou atrapalhando, menos ainda. Deixo tais respostas para os astrólogos e estudiosos sérios do assunto que tem meu profundo respeito assim como as pessoas que seguem tais crenças.

No frigir dos ovos, não creio em bruxas mas que elas existem, ah, isso existem sim!




2 de mar. de 2020

Deus não está aqui

Desde que nos separamos de nossos parentes primatas na cadeia evolutiva e adquirimos consciência de que éramos parte atuante do mundo ao nosso redor, buscamos, como espécie, um sentido ou explicação para essa viagem doida que é viver.

Para explicar fenômenos naturais, astronômicos e as mazelas nossas e do mundo, passamos a atribuí-los a entidades superiores que ou nos recompensavam ou castigavam conforme nosso comportamento, fé ou ausência dela, ou apenas porque lhes apraz fazer com que nós, meros mortais, soframos para seu divertimento e lazer. Desse amálgama de crenças e conjuntos de ideias surgiram a grande maioria das religiões atuais e, porque não dizer, com elas boa parte das desgraças e guerras no mundo.

Não questiono a fé que penso ser algo mais etéreo e inerente ao humano independente se a temos numa divindade, divindades, entidades ou seja lá o que for, penso a fé como algo que transcende qualquer conjunto de crenças e delas independe já podemos associá-la a qualquer coisa terrena da mesma forma.

O que me desagrada são as religiões pois foram feitas por homens que, por sua vez, são falhos pois são humanos e assim, as religiões também o são. Acho pouco provável que as escrituras sagradas de qualquer religião tenham sido escritas por algum tipo de divindade, ditados por alguma entidade divina ou coisa que o valha, para mim, são obras ficcionais de qualidade extremamente convincente ou questionável servindo mais como parábolas e simbologias para determinar um conjunto de regras que os crentes devem seguir e os castigos caso não o façam.

Não admira que cada religião tenha dentro de si tantas divisões e sub-divisões já que tais conjuntos de escrituras estão sujeitos a interpretações por seus seguidores, quando um deles ou um grupo deles passa a discordar ou entender de forma diferente o que as escrituras pregam, temos o cisma, a heresia, o protesto e a divisão e daí por diante. Igualmente, não é raro que essas diferentes visões colidam ou tenham arestas o que acaba por causar boa parte das guerras, fomes, perseguições, chacinas, crimes e todo tipo de horror em nome do que cada um entende ser a verdadeira fé.

Não condeno quem segue ou crê em alguma religião, se lhe dá algum alento e conforto, ajuda e entender as vicissitudes da vida e o fardo cotidiano a ser carregado, fico feliz por você mas, quando a religião passa a servir de alicerce para mater, odiar, perseguir, discriminar, ofender, separar, isolar e desmerecer o outro então temos um grave problema e, infelizmente, grande parte senão a maioria das religiões parecem estarem felizes e em paz consigo e seus acólitos apenas quando perpetrando ou disseminando tais atos.

A religião é a droga mais pesada já inventada pelo homem, inventada sim pois como disse mais acima não veio de uma sarça ardente nem de algum ser etéreo que apareceu do nada ou reviveu depois de morto, veio do inconsciente coletivo que necessitava de algum tipo de almofada emocional que permitisse lidar e explicar com as coisas ruins que se passavam e, por osmose, dar graças pelas coisas boas no melhor estilo comportamental.

Somos criaturas alimentadas por estímulos, condicionados desde sempre, fomos adestrados pela tecitura social a saber que, se nos comportamos bem, teremos recompensas, se nos comportamos mau, seremos punidos de acordo e na proporção de nosso erro ou ofensa. A religião trabalha exatamente estes conceitos prometendo o paraíso e vida eterne para aqueles que são bons e o inferno e danação para quem não agir bem, elas embutem a noção de pecado para poluir nossa moral e substituí-la por outra que vai de encontro com as regras da religião lidando com a culpa como moeda de troca, o pecado como salário do medo e a absolvição como recompensa.

Obviamente que não podemos colocar todas as religiões nos mesmo balaio, há exceções mas são casos raros e que acabam pendendo mais para a filosofia do que uma crença em si, podemos dizer então que as religiões em si não são más, apenas os homens que as fizeram mas, se tais homens são falhos então as religiões também o são e então, nas brechas dessas falhas é onde o humano encontra terreno fértil para dar vazão a seu lado mais horrendo.

Por isso eu creio que deus não está aqui, nunca esteve e nunca estará, se você procura deus, o melhor caminho seria olhar para dentro de si mesmo.

10 de jan. de 2020

Quem cala consente

Antes de falar a que vim, convém fazer uma rápida explanação do que é fé e do que é religião pois são sim coisas muito distintas mas que frequentemente misturam por aí como se uma fosse parte da outra.

Fé. Não é algo concreto, é mais um sentimento ou (pre)disposição em crer em algo que supera a condição humana sem que esteja formal ou teologicamente relacionado a uma crença ou conjunto de valores específicos.

Ter fé não significa necessariamente crer em algum tipo de divindade ainda que, por conseguinte, quem segue alguma religião irá direcionar sua fé a essa ou aquela divindade ou divindades. Ter fé seria mais crer que o universo tem seus desígnios e que tudo transcorrerá como deve ser e que por mais dura que possa parecer a realidade, as leis universais físicas ou metafísicas darão cabo de tudo e de todos como for preciso.

Fé é algo imaterial e não é preciso crer em algo para ter, basta ter e pronto.

Já religião é um conjunto de crenças, regras, doutrinas, normas ou até mesmo leis que definem como a fé em determinada(s) divindade(s) deve seguir ou seja, sua fé está restrita aos ditames e costumes daquela religião em si e invariavelmente fechados a outras concepções ou noções externas tornando a fé uma coisa hermética e que se alimenta apenas desses preceitos ditados pela divindade não em si mas através de seus 'profetas' ou 'pregadores'.

Lembro que estas são visões minhas, sinta-se livre para concordar ou não.

Quando temos uma religião ou grupo de religiosos que entende seu dever, direito ou função ditar como devemos nos comportar, o que podemos ou não ouvir, ver, ler, assistir e fazer, estamos adentrando um terreno perigoso em que a religião - não a fé - passa a agir como Estado impondo suas regras a todos que não a seguem independente de quem seja.

Quem discorda é considerado inimigo daquela 'fé', é perseguido e execrado e atacado por todos os lados até se converter ou ser expulso da sociedade no melhor estilo medieval ou até pior. A religião é uma falha grotesca da humanidade que precisa ainda de algo que lhe dê algum lenitivo para questões que talvez jamais consiga responder e, se agisse apenas como amparo da alma reconfortando a quem entende precisar desse tipo de apoio, não teríamos problemas pois a religião, quando age desta forma, atua como um tipo almofada emocional.

Como disse acima, temos problemas quando a religião passa a querer ditar como devemos ser e nos comportar de forma generalizada e a religião não pode fazer isso pois não lhe cabe este papel, isso cabe a cada um de nós e ao Estado que deve zelar pelo tecido social da melhor forma possível.

A religião é feita por homens, o que sabemos de cada uma delas foi herdado de uma série de crenças e escrituras que não se sabe quem escreveu ou como foram escritas, em qual contexto ou com qual intuito e pior, tudo feito por seres humanos, as criaturas mais falhas que já pisaram na face do planeta. Como dar crédito a algo que uma pessoa, julgando-se iluminada e eleita, prega como verdade universal e inconteste? Não cabe questionar? Devemos aceitar piamente? Muitas religiões não aceitam qualquer tipo de questionamento e se o fizermos, seremos encarados como descrentes ou pagãos.

Eu só passarei a crer em alguma religião quando a divindade ou divindades que em tese a sustentam materializarem-se na minha frente corroborando cada detalhe do que está escrito, converto-me na hora sem titubear!

Mas, você pode dizer, você também vive sob um conjunto de regras que não sabe ao certo quem fez e ainda assim as segue. Justo. Porém, esse conjunto de regras não foi ditado por uma chama, arbusto, voz misteriosa e potente ou visão, são regras que resultaram de séculos e milênios de evolução social e que são feitas por pessoas eleitas por nós para mantê-las e alterá-las quando necessário, podem e devem ser questionadas e inquiridas, devem evoluir e acompanhar a sociedade que é sempre mutante, não são mandamentos cuspidos de uma montanha ou ditados por nuvens no céu.

Agora chegando ao título do post, quando temos uma religião ou grupo religioso censurando qualquer tipo de manifestação artística ou de opinião porque estas ofendem sua fé, estamos, se nos calarmos, abrindo um precedente horrível para que amanhã outras opiniões ou expressões sejam censuradas igualmente até chegarmos ao patamar de nos sentirmos coibidos de fazê-lo.

É um caminho sem volta e que parece impossível mas é real e está acontecendo ante nossos olhos e estamos todos fazendo de conta que esta tudo bem. Não está. Quando dermos por nós já será tarde demais para fazer qualquer coisa, estaremos amarrados em nome das divindades e sendo forçados a orar rosários e novenas porque a alternativa a isso será a excomunhão social ou, pior cenário, queimar em praça pública.

Acha exagero?

Lembre que já fizemos isso e muito pior em nome da religião e a história tem o péssimo hábito de repetir-se quando lhe damos as costas...

lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...