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14 de jan. de 2021

fobia homo 4

 



É triste termos de celebrar um dia do orgulho gay, gostaria de não precisar celebrar essa data, de simplesmente ter orgulho e não precisar reafirmar isto a cada segundo, minuto, hora, dia, semana, mês, ano.

É triste termos de celebrar orgulho quando isto deveria estar implícito e de tácita aceitação, não sendo necessária essa sensação de estarmos pedindo permissão para apenas sermos quem somos, nada mais ou menos.

É triste termos de celebrar orgulho quando há motivos de sobra para o oposto vide a quantidade de gays (em todo seu leque) que são vítimas de violência, humilhação, preconceito, injúrias, ofensas e todo sortilégio de infortúnios sem qualquer manifestação social de compadecimento, justiça ou solidariedade.

É triste termos de celebrar orgulho por uma conquista tão banal quanto casar, uma instituição falida há séculos, dinossauro da herança moral e religiosa mas, infelizmente, único parâmetro que temos para tentarmos construir algum tipo de família ou identidade social. Até nisso somos forçados a adotar padrões heteronormativos.

É triste termos de celebrar orgulho quando as linhas do tempo, mesmo coloridas, escondem reacionários e fóbicos em geral de plantão, prontos para cerrar os punhos e desferir um golpe certeiro assim que a alegria acabar. A incapacidade humana de respeitar e entender o próximo (não digo aceitar porque implica um sentimento de comiseração, de súplica, como se eles fossem obrigados a fazê-lo, isso não quero, não preciso, dispenso cordialmente. Eu me aceito e isso basta, de vocês apenas esses dois itens que mencionei antes deste aparte) é tão infinita quanto o universo e não temos muita certeza sobre este último.

É triste termos de celebrar orgulho chancelado por corporações oportunistas que aproveitam momentos para vender mais e parecerem simpatizantes e apoiadoras quando, passado o circo, voltam a escusar-se de fazê-lo pelos motivos mais estúpidos e mantém seus funcionários gays no melhor estilo 'façamos de conta que não sei' afinal, bicha boa é que compra seus produtos mas não aparece. Fácil fazer campanhas uma ou duas vezes ao ano e esquecer de nós nos outros dias do ano.

É triste termos de celebrar orgulho. Mas é necessário.

É necessário porque você não me respeita, não me trata com educação, não me entende, não quer que eu tenha os mesmos direitos humanos (veja que aboli o gênero ou orientação da questão já que não o 'X' da mesma) que você, como se apenas você fosse eleito para gozar de tais direitos, fossem eles seus, de posse e assim pudesse outorgá-los a quem lhe parecesse mais merecedor dos mesmos. Aliás, nem o gozo temos pois nosso gozo é escondido, tem de ser abafado, dissimulado, é marginal enquanto o seu explode em nossas caras a cada comercial de cerveja, de margarina, novelas, filmes, livros e todo mais. Seu gozo é imperativo, faz do meu algo sujo e saciável apenas como luxúria, jamais como prazer, você goza, eu [gozo].

É necessário para que você aprenda a conviver comigo fora do gueto, fora do estereótipo, fora do chavão, fora do comum. Para que você possa ver-me como seu igual, seu par, desejoso de compartilhar das felicidades e desgraças do gênero humano, não quero casar para ofender sua sociedade mas para ao menos poder abertamente viver os prazeres e dissabores de uma vida comum, cotidiana, essa mesma que você leva ai tranquila e paulatinamente.

É necessário para que você desmistifique essa noção arcaica de que sou antinatural, condenado ao inferno, vicioso, vil, sujo, indecente; todos nós somos tudo isso sem exceção, uns mais outros menos, somos humanos e temos muito mais pecados e vícios que virtudes, quem sabe o equilíbrio entre ambos não se encontre entre meu orgulho e a sua soberba. E se você pensa em comemorar seu orgulho, fique em paz, não precisa fazê-lo pois dia de orgulho hetero é todo dia erguido em cima da vergonha gay, não é pedir muito ao menos um dia por ano invertermos a mão dessa rua.

Quem sabe anos vindouros não a tornem uma grande avenida onde seguiremos na mesa direção...

13 de jan. de 2021

fobia homo 3

 



Seja lá quem for que tenha nos colocado aqui também nos dotou de algo chamado livre arbítrio o que muitos confundem com liberdade para fazer ou dizer o que bem entendem.

Não digo com isto que atos e palavras devam ser vigiados, moderados ou cerceados de alguma forma, a história é rica e pródiga em casos onde esse tipo de decisão acabou mal, muito mal. Porem, é de se esperar que após anos seguidos de aprendizado houvéssemos assimilado algo, nem que fosse o mais básico dos princípios de respeito e dignidade mas, a humanidade é craque na arte da involução e cospe com louvor nos pratos que ela mesma sujou.

Que dizer então desses que ainda insistem em usar termos como 'ditadura gay', 'gayzismo', gayzista', 'opção sexual' e outras pérolas similares que não repetirei preservando o decoro homossexual que mereço e me é de direito. Sim pois gays tem decoro e muito! Temos de ter afinal lidar com vocês, horda de dominadores, perpetuadores da espécie, bastiões do sêmen segrado, guardiões da vagina materna, não é tarefa para os fracos de moral.

Pior quando seus argumentos baseiam-se em 'notícias' as quais você nem mesmo se deram ao trabalho de averiguar e confirmar as fontes exibindo buracos maiores do que as crateras lunares mas, eu lhe entendo afinal não precisa nada disso para esculachar nós 'gayzistas', 'fascistas gays', 'maculadores da família' e, se somos 'vitimistas' (palavras suas, não minhas), o somos apenas pelas mãos da sociedade hetero normativa, essa mesma que você diz estar em extinção mas que domina e oprime todos que não se enquadram nela há milênios.

Somos todos 'vitimistas' de seu escracho, de sua falta de tato, de sua falta de respeito, de sua ignorância e preconceito, de suas leis e costumes que nos alijaram do convívio social e era por lá que deveríamos ficar, não é mesmo? Nas bordas carcomidas do seu mundo esperando os restos que vocês nos atirassem. E agora que a rua não é mais de mão única, é avenida e jamais voltará a ser viela, você grita e bate os pés dizendo que ser hetero é crime e algo em extinção? Olha, acho que precisamos ter uma conversa muito, mas muito séria sobre a evolução humana (se é que você não é criacionista) e os mecanismos perniciosos de controle que a maioria (vocês) exerceram desde sempre sobre a minoria (nós)

Mas tudo isso eu ainda sou capaz de entender e de certo modo, relevar afinal é um direito seu não gostar dos gays e achar que estamos aí para tacar fogo no puteiro, fazer sexo no meio da rua, cuspir na cara da família e lhe ser útil apenas como estereótipo e riso frouxo. Lamento que sua mentalidade seja assim tacanha mas, ainda assim, é um direito seu entretanto, se me permite um adendo, não precisamos atear fogo em puteiro nenhum porque o bordel há muito está em chamas e as putas não são paridas por gays, fazer sexo no meio da rua vocês já fazem e não precisam de nós, cuspir na cara da família também não vejo como podemos ajudar posto que isso também vocês fazem bem demais e, no quesito estereótipos e motivo de riso, bem, vocês precisam de alguém para dar um alívio em suas vidas sem graça, gosto ou cor não é mesmo?

Sim, tudo isso eu posso relevar, sem problemas mas quando você, real ou ficcionalmente, se coloca numa posição de objeto sendo que a violência gratuita contra a mulher (seja ela física ou psicológica) só faz aumentar, penso seriamente que você necessita de ajuda psiquiátrica para dizer o mínimo. Na verdade, acho que você precisa de auxilio histórico e social para entender bem quem é oprimido e quem é opressor porque não devem estar muito claros esses papeis em sua mente, algum tipo de má formação ou fiação mal feita que deva estar gerando esse tipo de pensamentos esdrúxulos.

Não se trata apenas de um direito seu de expressão mas de algo pior pois há uma interpretação totalmente errônea do que é feminismo como se fosse uma ameaça ou câncer a ser combatido e, por tabela, qualquer movimento direcionado a empoderar e trazer à luz qualquer tipo de segmento social que passou tempo demais sob o jugo da maioria é também condenável e deve ser combatido.

Minha sugestão, se você realmente pensa assim, mude para um país sob o poder do ISIS e, depois de algum tempo, venha me falar se ficou clara a diferença entre oprimido e opressor se bem que, pelo visto, capaz de você curtir e até mesmo achar a burka sua cara.

12 de jan. de 2021

fobia homo 2

 



Vivemos o ódio pleno, puro, simples e irrestrito. Somos incapazes de entender o outro, parece que ele ao abrir a boca fala em línguas e nos apavora fazendo com que nossa reação (humana e ancestral ante aquilo que não entendemos) seja primal e animal.

Destilamos essa ira toda sem distinção ainda mais nos tempos atuais quando todos querem mudar mas não sabem exatamente como ou porque fato esse que me causa pânico pois esse vácuo, disse antes, adora ser preenchido por coisas pouco sensatas mas que sabem muito bem atender esse desejo oco que estamos todos sentindo.

Incluo a mim nessa destilaria de fel nas vezes em que, no ímpeto de justificar meus pontos de vista, sou mais 'agressivo' e contundente mas, vejam bem as aspas usadas, minha agressividade não é gratuita, cega ou sem direção e menos ainda renhida ante aqueles que pensam contra mim ainda que, repito, quem lê possa achar que minhas palavras possuam muitas arestas feitas com o único propósito de ferir. Ledo engano, trata-se apenas de argumentação forte e certa surpresa em crer que após séculos de evolução e história ainda me depare com pessoas que pensam em termos tão absolutos e obscuros mas, não vá por aí pois diferente do que muitos fazem não bloqueio ou excluo já que entendo ser direito seu expressar-se ainda que dessa forma tão infeliz, desfazer a amizade (uso o termo aqui da forma mais substantiva possível, reservo a adjetivação para os que me são realmente caros) é apenas aquiescer à sua vontade e dar-lhe o manto da razão e tal jamais farei, no máximo calo e lhe delego apenas meu desprezo.

Agora, voltemos ao fato o qual ainda não atingi e pretende fazê-lo agora. Novamente, virou hábito parece, um homossexual é vítima de simples ódio, esse mesmo que disse no começo do texto. Qual a justificativa? Medo? Uma cantada mal recebida? Não. Se pela segunda então as mulheres já deveriam ter extinguido quase todos os homens e, pelo primeiro, posso entender mas não aceitar e entendo pelo fato de temer o que não aceita (como disse mais acima) ou por um desejo sublimado e não realizado sendo necessário eliminar o objeto do desejo (que poderia nem mesmo saber que o era) para apaziguar a alma atormentada.

Mas não. Não creio que tenha sido por qualquer um deles mas simplesmente pelo ódio puro, desejo de não aceitar o outro em sua liberdade que agride quem não a entende e por uma certeza absoluta de que, feito, as consequências seriam ridículas quiçá inexistentes e assim se provou já que o desgraçado que o fez saiu pela porta da frente da delegacia depois de pagar uma fiança infantil. Então eu pergunto a você que reclama da ditadura gay e de que se está endeusando o 'modo de vida gay' ainda mais quando 'pessoas' são condenados a pagar por suas injúrias e discurso de ódio e aqueles poucos que nos defendem como Jean Wyllys, quando se posicionam fortemente contra a ditadura religiosa que se impõe calmamente sobre todos nós, heteros e gays, a seu ver podem sair ilesos, qual parte desse todo você não vê?

Quantos gays você já testemunhou, viu, ouviu ou soube terem atacado violentamente algum hetero ou religioso? Quantos gays você conhece (se é que conhece algum, de novela não vale! Tem de ser da vida real!) pregam o ódio aos outros seja por serem heteros ou religiosos? Quantos gays você já ouviu falar terem pago senão com sangue o preço da intolerância? Quando atacamos esses que nos atacam, onde está a ofensa? Usamos por acaso palavras indecorosas ou pejorativas? Comparamos alguém com o aparelho excretor? Usamos de uma falsa moral para deturpar conceitos e direitos e atingir seus objetivos? Ou de tom histriônico e apelativo para justificar uma possível falta de embasamento?

Não, meu caro, isso quem fez são os moralistas fervorosos do altar de plantão, os que acham mesmo somos todos nós gays uma pilha de aparelhos excretores mal usados e que não tem como argumentar contra o fato maior de que a luta não é para tornar todos viados mas apenas para termos, como cidadãos que pagam os mesmos impostos que vocês, os direitos que de berço lhes são agraciados e que insistem em pensar como apenas vossos e não de todos.

São estes tempos que vivemos onde um gay morto não tem problema afinal somos descartáveis e de uso apenas como estereótipo e alívio cômico para os humorísticos de gosto duvidoso. E não pense que essa chibata do assassínio estala apenas nas costas das bichas, ela estala nas costas de toda minoria que vocês insistem em subjugar aproveitando o momento atual de extremos para propagar essa eugenia que pretendem implantar. Esse gay que foi esfaqueado não viu, ou tenha visto não sei, mas no cabo da faca a mão não era apenas de seu vizinho ignorante e obtuso, pelo qual só posso mesmo sentir a maior das comiserações, eram várias mãos juntas enfiando fundo a faca do ódio, do preconceito, do desrespeito ao outro pelo simples fato dele ser/agir/pensar diferente.

Há sangue nas mãos, meu amigo. Nas minhas por aceitar que ainda se passe isso mas acima de tudo, nas suas por avalizar esse tipo de ação e por não enxergar que todo esse ódio, neste caso em específico, é uma rua de mão única onde quem possui o carro é apenas você!

O resto de nós aqui está há anos a pé e, infelizmente, vindo na direção contrária.


11 de jan. de 2021

fobia homo 1




A intolerância travestida de ofensa, moral e bons costumes, vai mostrando suas garras proporcionalmente ao abalo do status quo onde viado bom é o que fica em seu gueto, quietinho e aparece apenas como alívio cômico estereotipado e pejorativo ou como prestador de serviços que essa parcela risível da sociedade entende como femininos, agregando um preconceito a outro tão ou mais pernicioso.

Quando a viadagem rompe os muros do gueto e resolve dar a cara a tapa, como lidar? Afinal, tínhamos lá nosso cantinho, não? Porque ameaçar a sociedade que tacitamente nos cedeu esse espaço onde podemos ser o que quisermos? Precisa casar? Ter filho? Aparecer na TV? Querer ser visto? Onde já sei viu! Ponha-se no seu lugar, bicha! Ninguém é obrigado a ver suas indecências em rede nacional, ruas e avenidas, que absurdo! Saudades do tempo em que esses viados sabiam seu lugar!

Esse lugar nunca existiu, foi imposto e abraçado por nós gays na absoluta falta e impossibilidade de podermos coabitar o mesmo espaço que a maioria hetero. Ainda que nocivo sob alguns aspectos, esse gueto construiu nossa identidade e ajudou um sem fim de viados (eu incluso) a sentir-se aceito, parte de algo e não isolado do e no mundo. Por anos vivemos assim dos restos e rebarbas atirados a nós feito esmola mas, o tempo é inexorável e com ele as mudanças que nenhuma força obscura pode deter ainda que possam (apenas) atrasar e obstruir sem fazer com que se diminua o ritmo da marcha posta em movimento por pessoas, situações e desejos muito além de sua ilusão de controle.

É do humano a aversão total a qualquer mudança, somos assim independente de credo, cor, orientação sexual, apetite, forma ou desejo. Somo criaturas do conforto, do padrão, do estável, do conhecido. Tudo que foge disto nos apavora, gela a espinha, traz calafrios e pânico e, como todo e qualquer animal acuado, partimos para o ataque esquecendo da claridade que nos foi agraciada por anos de evolução pelo simples fato de termos medo.

Estamos numa fase de transição, saímos do armário e não há mais volta. Ficar onde estamos, aceitando o pedaço que temos no latifúndio é aceitar mais uma esmola, um cala a boca e assim, só nos resta uma alternativa, ir em frente, adiante. Certo que muitos de nós pagarão preços diferentes por essa decisão, uns apenas algumas frases ou indiretas aqui e ali, outros com algum status ou posição, alguns com a pele e um naco de carne e tantos outros, menos afortunados, com a vida. Somos as bruxas na cidade onde todos gritam não lobo mas viado e as estacas estão atiçadas para arder nossa carne gay, exalando aos ares um aroma de purificação que, na verdade, irá empestear todos as narinas com o odor não de carne mas de consciências incineradas, a culpa vai aderir aos poros para nunca mais sair.

Por isso mesmo, ações de grandes empresas, mídia, entretenimento e outros tantos pela representatividade precisam existir cada vez mais, para fazer entender a esses imbecis parcos de discernimento que a ofensa maior reside no fato de agirem como fascistas sanguinários, reacionários estúpidos desejosos de um mundo moribundo apegando-se com unhas e dentes aos pedaços podres que ainda lhes restam. E inundam com seus latidos de ódio como se estivéssemos obrigando, forçando, agredindo, demandando algo que não fosse simples, singelo e de direito universal e igualitário, respeito. Quanto mais ações bem feitas e que valorizam o sentimento, o amor, o respeito, a união melhor ainda mais nos tempos em que vivemos.


Mas não, essa corja prefere agir como se fôssemos nós, gays, a ameaça maior aos seus filhos e família (instituição falida há séculos) e não a violência cotidiana que nos acossa. Não os desmandos dos governantes tentando fechar suas contas com nosso trabalho e dinheiro. Não é a sua crítica vazia a corrupção enquanto fura fila do mercado, no trânsito acelera para não deixar o pedestre passar ou o outro carro entrar, enquanto deixa o carrinho do mercado largado em qualquer lugar ou o arremessa em direção ao auto mais próximo (que não o seu), faz de conta que está no mais profundo sono enquanto o idoso fica em pé e se tem de lhe ceder o lugar, reclama. Não devolve o troco que veio a mais porque a obrigação era do outro ter feito a conta certa, paga pelo atestado fajuto para seu filho cabular aula ou para matar um dia no trabalho, acredita que passando o outro para trás, vai chegar na frente quando, nessa fábula, somos todos a tartaruga e o coelho já morreu faz tempo.

Não. Nada disse importa porque os gays estão tomando o poder, impondo sua ditadura, seu estilo de vida, seu modo, seu jeito goela abaixo da sociedade, esse é o problema. Geralmente quando não sabemos identificar o que está errado conosco e ao redor, buscamos um bode expiatório para aliviar nossa consciência desprovida de espelhos, agora somos nós gays o bode da vez. Quando e se lograrem acabar conosco, oro pela próxima camada social que escolherem até que, finalmente, sobrará apenas a vocês para balir e preencher o papel.

Quer boicotar algo? Boicote seu preconceito, sua ignorância, sua intolerância, seu medo. Boicote esse desejo que você não entende e não é seu, foi posto em sua mente e peito por pessoas de intenções nefastas e que desejam usar sua pele para cobrir o lobo que são.

Boicote tudo isso e adote uma postura mais humana e conciliadora. Ou acabará tendo de boicotar a vida quando menos esperar.

1 de dez. de 2020

atestado

 


Antes de tudo, quero deixar claro que distúrbios emocionais, psicológicos, psiquiátricos ou afins são assunto sério e precisam de tratamento profissional qualificado, acompanhamento e medicação. Se você suspeita que sofre de algum desses distúrbios, procure ajuda profissional e tratamento, não se acanhe!

Bem, acho que todos viram o caso desta moça na padaria, não? Triste, horrendo mas nada que não seja normal e comum no Brasil Bolsonarista. Logo após o ataque, a 'advogada' (aspas amplas porque a OAB desconhece a rábula, deve ter comprado o diploma ou, em seus delírios, é formada e pode advogar) veio pedir desculpas, meter atestado, sofre de bipolaridade, transtornos emocionais e que a vítima foi ela e não as pessoas que ela xingou, humilhou, ofendeu e agrediu na padaria.

Vamos por partes.

Se ela realmente sofre de algum tipo de distúrbio psiquiátrico ou psicológico a primeira questão é se ela está ou não em tratamento, se faz ou não uso de medicação e se, na ocasião, havia feito uso de álcool ou outras substâncias que poderiam ter atuado com a medicação e causado o comportamento agressivo. Se ela realmente sofre de algum tipo de transtorno, jamais poderia sair desacompanhada ou talvez nem mesmo sair de casa quanto mais consumir qualquer tipo de substância que pudesse causar um surto. Pelo que se pode ver no vídeo, ela não parece ter vindo de casa ou do trabalho mas indo ou voltando de alguma festa ou balada e, volto a dizer, como uma pessoa assim pode andar ou sair sem supervisão e consumir substâncias que podem potencializar efeitos de remédios pesados que devem ser tomados por pessoas que sofrem desse tipo de distúrbio? Se ela realmente sofre dessas doenças há um atenuante mas não se pode relevar o fato ocorrido e deveríamos ouvir as pessoas que são responsáveis por ela já que ela não pode ser responsável por si.

Isso posto, ainda eu sua condição possa ser algum tipo de atenuante não a exime de culpa pois seu comportamento, atitude e falas registradas em vídeo deixam claro que ela, ainda que em surtada, estava totalmente coerente e apenas livre das travas morais e sociais que a impediriam de fazer tal coisa em condições normais ainda que, nos dias de hoje com um governo que passa carta branca para esse tipo de horror, as pessoas sentem-se muito à vontade para proferir ofensas raciais, sociais, de orientação sexual ou gênero sem qualquer constrangimento ou seja, ela pode até ser doente mas não é louca e, em surto, deixou clara sua personalidade e modo de pensar.

Os cidadão do bem surtados tem esse tipo de comportamento comum, podem notar, sempre fazem das duas e depois metem o atestado de distúrbios e doenças emocionais e mentais e tentam virar o jogo para saírem como vítimas da situação e não como criminosos pelo simples fato de que dentro de sua lógica distorcida por toneladas de medicamentos e voto 17 eles realmente estão sendo perseguidos por não poderem ofender as bixas, as pessoas trans, pretas e toda e qualquer pessoa que não se encaixe no mundo binário e centrado que enxergam.

Eles desejam a liberdade de dizer o que quiserem sem o ônus de arcar com as consequências e aí, pagam de doidos, veja só! Em suas mentes, o que fazem não é ofensa e quando retrucamos e revidamos estamos tolhendo sua liberdade de expressão que na verdade não está sendo posta em cheque, apenas recebendo a reação contrária na proporção de seu ato horrendo, hão de entender de que para toda ação há uma reação na mesma força e medida e estavam acostumados a não serem questionados.

Não adianta vir de atestado, vocês podem até serem doentes e usaram medicamentos, hoje em dia quem não usa mas, não venham usar disso como muleta para seu comportamento escroto e lixo, isso não cabe mais no mundo e vocês não conseguirão mais virar o jogo e sair impunes, esse tempo acabou! Vocês podem se esconder atrás de seus atestados e laudos, de suas doenças e desculpas mas nunca mais conseguirão se safar da culpa por seus atos, vocês acham que podem usar de subterfúgios para isso mas não, não vão conseguir mais porque a gente deste lado aqui já sacou seu jogo e ninguém aqui vai mais baixar a cabeça e passar pano para vocês.

Podem se entupir de remédios e jogar todos seus atestados, nada vai colar quando a gente sabe o jogo de vocês e não vai mais engolir essas mentiras que vocês adoram contar porque não tem estrutura nem coragem para assumir que são sim racistas, machistas, homofóbicos e querem nos ver mortos.

Pode vir de atestado que a gente vem de perícia.

30 de jan. de 2020

Saída



Tenho, com dois amigos, um podcast sobre literatura LGBTQ chamado ORGULHO CAST - disponível nas principais plataformas, ouve lá, não custa, você ouve coisa pior e até gosta que eu sei!

Gravamos quinzenalmente um episódio em que discutimos um livro previamente escolhido e lido por todos os três e sobre os assuntos e temas que o livro em si aborda e, no último episódio, falamos sobre sair do armário.

Tema delicado.

Todos temos opiniões muito pessoais sobre isso, sobre como e quando fazer, se é ou não preciso fazer e não foi diferente entre nós mas, pessoalmente, creio que essa saída do armário é de vital importância na construção da pessoa LGBTQ que você será.

Sair do armário é uma decisão muito delicada e pessoal, ninguém deve fazer isso por você e esses movimentos de OUTING em que pessoas são arrancadas de seus armários e tem sua sexualidade exposta são horrendos pois ninguém além de você deve saber quando e como fazer isso e mesmo se deseja fazê-lo, não cabe a mais ninguém.

Pode parecer algo fácil de fazer ainda mais se considerarmos que nos dias de hoje, assumir-se pode ser algo menos traumático do que, por exemplo, há quinze ou vinte anos mas, não se engane, ainda é um tema delicado e complexo ainda mais na atual estrutura conservadora da sociedade que está dificultando a vida das pessoas LGBTQ o máximo quanto for possível.

Há várias coisas a pesar na decisão de se assumir como família, amigos, trabalho, sociedade, tudo isso deve ser muito bem pensado e ponderado e, se for preciso, procure ajuda profissional pois às vezes não é um fardo fácil de se carregar sozinho, temos instituições, ONGs e profissionais capacitados para guiar você nesse caminho e ajudar a encontrar a melhor maneira de sair do armário.

Por mais que tenhamos muitos avanços nas questões de visibilidade, representação e direitos LGBTQ ainda somos um dos países que mais matam e discriminam pessoas LGBTQ e muitos de nós, ao dar esse passo tão importante na construção de sua identidade, perdem todo apoio familiar, de amigos e ficam em situação de extrema vulnerabilidade e fragilidade. São comuns ainda, infelizmente, os casos de pessoas LGBTQ que ao se assumirem são expulsas de casa e passam a viver em situação de rua ou são jogadas para a criminalidade ou prostituição porque não veem qualquer apoio vindo de onde quer que seja.

Mesmo assim, assumir-se, falar em alto e bom som que você é LGBTQ, é libertador, ninguém deve ter medo de falar abertamente sobre sua sexualidade, não é algo vergonhoso mas algo a ser celebrado, é parte de quem você é, te define e constrói sua identidade como pessoa.

Esse discurso de que não preciso falar, não desejo expor minha intimidade e coisa e tal é um armário dentro do armário, enquanto você não aprender a lidar com sua sexualidade de forma aberta, direta, não reprimida e naturalmente você seguirá saindo e entrando do armário vezes seguidas o que é um desperdício de vida e energia.

Não devemos ter medo de falar que somos gays, lésbicas, trans, travestis, não binários, seja o que for, precisamos é bater no peito e falar isso aos quatro ventos, não tenha vergonha de ser quem você é, quem estiver ao seu lado é que precisa aprender a lidar com isso, não você e essa a questão principal: antes de se assumir para outros, assuma-se para si, olhe no espelho e diga em alto e bom som EU SOU LGBTQ!

Sem se assumir para você não faz sentido assumir para outros porque você ainda não terá isso resolvido dentro de si, quando tiver, não esconda, não pense que isso deve ficar restrito ao pessoal, ao íntimo, isso é esconder quem você é e você é uma criatura LGBTQ linda e única que merece respeito e amor, não deve jamais ter vergonha de dizer abertamente quem é, essa vergonha pertence ao olhar do outro e esse olhar pouco tem a acrescentar senão julgamentos e opiniões que não irão mudar em nada sua vida ou sexualidade muito pelo contrário.

Ser LGBTQ é uma coisa maravilhosa, ser LGBTQ e poder falar isso em alto e bom som sem medo, sem culpa e com orgulho, não tem preço!

lembranças aleatórias não relacionadas com a infância

Lembrança #10 Lembro de uma festa ou rave ou balada que eu ajudei um amigo a organizar num tipo de sítio eu acho. Estava separado do meu nam...