Sou de outra época, distante nem tanto mas já quase memória para poucos que dela comungam comigo.
Quando comecei a ir ao cinema, puxado pela minha mãe e minha tia que plantaram em mim o amor por ele, não haviam essas redes gigantes e seus combos enormes nem salas gourmet ou com ingresso a preço de ouro, era cinema de rua mesmo, tinha de ir para a 'cidade' leia-se centro que, à época, era sinônimo de sujeira e decadência o que não parecia nos afastar dele muito pelo contrário.
Lembro de ouvir histórias, sobre o Cine Metro ali na São João (hoje uma dessas igrejas evangélicas onde você pode vender sua alma sem culpa) que, em seus áureos tempos, só permitia entrada se você estivesse devidamente paramentado de terno e gravata. Quando fui, a sala já não fazia tanto luxo mas ainda tentava agarrar-se nalgum tipo de empáfia de outro século agonizando conforma os anos traziam outros valores que iam sepultando os antigos.
O Cine Marabá, hoje um Playarte mambembe e bem mequetrefe, era imenso, possui platéia superior e seu estilo art-decô ainda ecoa em minha memória. O Ipiranga era menos pomposo, segue fechado, não se sabe se vira centro cultural ou reabre como uma dessas redes que se alimentam do cinema blockbuster.
Mais abaixo na São João tínhamos o Regina, bem de esquina e depois do cruzamento com a Duque, um de frente ao outro, o Cinespacial que era redondo na disposição dos assentos e possuía três telas localizadas no teto, um conceito inédito para a época, de qualquer lugar você poderia ver o filme e, o que em minha opinião era a joia da coroa do cinema em SP, o COMODORO, então a maior sala de cinema da cidade e projetava apenas copiões em Cinerama 70mm e com som surround comportando até 1400 pessoas, assistir um filme ali era uma experiência equivalente ao IMAX nos dia de hoje.
Nessas salas e em outras assisti filmes como Star Wars IV, Superman - O Filme, Alien - O oitavo passageiro, Caçadores da Arca Perdida e 2001 entre outros tantos.
Então, é com imenso pesar que li esta notícia aqui. Era uma das melhores salas de SP e ainda um dos espaços a passar filmes de arte ou independentes, confortável, preço mais do que acessível e localizada na Paulista, no conjunto nacional.
Lamentável que vá tenha encerrado suas atividades e, por algum tipo de coincidência estranha, com PARASITA, nada seria mais adequado, penso eu. Não sei se haverá algum movimento para tentar reverter esta situação, espero de coração que sim pois não precisamos de mais salas cinemark mas de salas como esta onde a arte pode respirar e resistir.
O que mais me entristece é saber que isso é uma tragédia anunciada vide o desmonte da cultura que esse governo abjeto promove, fascistas não gostam de cultura porque a cultura faz o povo pensar e povo que pensa não aceita muito bem um governo que deseja lhe ditar o que ler, ver, ouvir ou pensar.
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21 de fev. de 2020
7 de fev. de 2020
Bücherverbrennung
Ontem, vazou uma notícia de que o governo de Rondônia havia, através de sua Secretária de Cultura, divulgado um comunicado ou memorando às escolas listando vários livros que deveriam ser recolhidos pois representavam conteúdo inadequado a crianças e adolescentes.
Entre as obras listadas (imagem abaixo) estão Kafka, Mario de Andrade, Cony, Rubem Fonseca, Ferreira Gular e, pasmem, Machado de Assis.
Não consegui até o momento confirmar a veracidade da notícia já que, em tempo de fake news, toda e qualquer informação precisa ser checada e validada.
A Secretaria informa que tal fato não procede e que a lista e comunicado informando sobre o banimento dos livros são falsos mas, segundo a reportagem, são documentos oficiais e que constavam do site do governo até a tarde de ontem quando foram tornados sigilosos e removidos para consulta. A Secretaria também veio a público informar que não será feita nenhuma recolha de livros e que o acesso às obras deve ser garantido mas com a supervisão dos educadores e chancela da escola pelo que entendi.
Não ficaria nem um pouco surpreso em constatar a veracidade da notícia, estamos vivendo num governo FASCISTA e que está paulatinamente desmontando todas as estruturas socias e as substituindo pelo seu projeto nazista para o país. A diferença é que o grupo que tomou posse é de amadores, são palhaços que acham que entendem o que estão fazendo e que, na ausência de um Füher, tem no capitão reformado seu salvador da pátria.
Mas não se engane, são palhaços perigosos, muito perigosos! Como não sabem bem como fazer essa lição de casa herdada do nazismo e não há por aí nenhum consultor nazista disponível para ajudar, estão testando os limites, vendo onde podem e não podem pisar e isso é de dar medo pois se esta aberração com os livros em Rondônia saiu pela culatra, quantos outros casos passam e passaram sem que nos déssemos conta?
A tática fascista é essa, testar limites para ver até que ponto a sociedade faz vista grossa, dão dois passos a frente e um atrás, vão comendo pelas beiradas e fazendo ruído com seus factóides como que para não questionarmos sua veracidade ante o absurdo dos mesmos até que, dado momento, nos dermos por conta de que a democracia como as conhecíamos já não existe mais.
O governo Bolsonaro é craque nessa tática, pensava que ele falava asneiras porque era um imbecil o que, na verdade, é mas, começo a pensar que ele é um idiota funcional que fala essas merdas para causar um furor aqui enquanto ali coisas muito mais graves estão acontecendo sem que demos fé.
Não se assuste se amanhã ou depois começarem a queimar livros em praça pública e logo mais, pessoas.
Entre as obras listadas (imagem abaixo) estão Kafka, Mario de Andrade, Cony, Rubem Fonseca, Ferreira Gular e, pasmem, Machado de Assis.
A Secretaria informa que tal fato não procede e que a lista e comunicado informando sobre o banimento dos livros são falsos mas, segundo a reportagem, são documentos oficiais e que constavam do site do governo até a tarde de ontem quando foram tornados sigilosos e removidos para consulta. A Secretaria também veio a público informar que não será feita nenhuma recolha de livros e que o acesso às obras deve ser garantido mas com a supervisão dos educadores e chancela da escola pelo que entendi.
Não ficaria nem um pouco surpreso em constatar a veracidade da notícia, estamos vivendo num governo FASCISTA e que está paulatinamente desmontando todas as estruturas socias e as substituindo pelo seu projeto nazista para o país. A diferença é que o grupo que tomou posse é de amadores, são palhaços que acham que entendem o que estão fazendo e que, na ausência de um Füher, tem no capitão reformado seu salvador da pátria.
Mas não se engane, são palhaços perigosos, muito perigosos! Como não sabem bem como fazer essa lição de casa herdada do nazismo e não há por aí nenhum consultor nazista disponível para ajudar, estão testando os limites, vendo onde podem e não podem pisar e isso é de dar medo pois se esta aberração com os livros em Rondônia saiu pela culatra, quantos outros casos passam e passaram sem que nos déssemos conta?
A tática fascista é essa, testar limites para ver até que ponto a sociedade faz vista grossa, dão dois passos a frente e um atrás, vão comendo pelas beiradas e fazendo ruído com seus factóides como que para não questionarmos sua veracidade ante o absurdo dos mesmos até que, dado momento, nos dermos por conta de que a democracia como as conhecíamos já não existe mais.
O governo Bolsonaro é craque nessa tática, pensava que ele falava asneiras porque era um imbecil o que, na verdade, é mas, começo a pensar que ele é um idiota funcional que fala essas merdas para causar um furor aqui enquanto ali coisas muito mais graves estão acontecendo sem que demos fé.
Não se assuste se amanhã ou depois começarem a queimar livros em praça pública e logo mais, pessoas.
29 de jan. de 2020
Nos deram espelhos
Triste. Horrendo. Pavoroso.
É lamentável que tenhamos um Chefe de Estado que seja capaz de quase diariamente proferir algum tipo de absurdo que desafia nossa capacidade de nos surpreender. Pior. Estaríamos chegando ao ponto de normalizar que ele so fala merda e que ele é assim mesmo?
Perigo, Will Robinson!
Ao não mais nos chocarmos com suas frases estapafúrdias estamos anestesiando a nós mesmos e dando carta branca para que ela passe a fazer o que diz. É mais ou menos como ele estivesse nos testando, nossos limites, fala alguma merda e vê nossa reação, como ficamos, se não tem repercussão, ele sabe que aquilo pode virar realidade que nem daremos fé, se pega mal ele volta atrás e diz que foi mal interpretado, que foi a mídia golpista que distorceu tudo, que ele não pode falar nada que sempre vai estar errado.
Não seria mais fácil passar a se comportar como chefe da nação? Tomar mais cuidado com o que fala, como fala e onde fala? Não para ele, seu estilo trator é sua marca e ele não é um presidente, e um sargento que foi colocado ali para por ordem no quartel, age como tal, faz como tal, simples assim.
Uma das última que certamente vai lhe custar algumas lapadas da imprensa é esta aqui. Desde sempre, o messias deixou claro que tem pouco apreço pelos indígenas, a seus olhos são vagabundos mamando nas tetas do Estado, suas terras poderiam ser plantadas ou virar turismo, cambada de inúteis que não produzem nada de bom para a sociedade.
Antes da chegada dos portugueses, contávamos com algo em torno de três milhões de indígenas divididos em cerca de mil povos distintos. Já em 1650 ou seja, em termos históricos pouco depois da colonização, esse número já havia sido reduzido para pouco mais de setecentos mil. Parte desse genocídio se deu devido às doenças trazidas pelos colonizadores contra as quais as populações locais não possuíam imunidade, outro tanto foi vítima da escravidão ou simplesmente morto por esporte por serem considerados pagãos sem alma.
Não bastasse isso, esses povos foram submetidos a 'ocidentalização', eram convertidos ao catolicismo por bem ou por mal, alijados de seus costumes e cultura considerados demoníacos pelos colonizadores e adquiriram vícios como álcool, fumo e drogas conforme o processo de colonização se firmava e avançava.
Dizer que o indígena está evoluindo e que já é quase igual a nós, um ser humano, é uma redução horrenda de um crime hediondo que segue sendo cometido nos dias de hoje. Tornar o índio assimilado na sociedade é roubar o que ainda resta de sua identidade, se é que sobrou alguma, essa fala de Bolsonaro atesta o caráter eugenista de sua proposta de governo onde qualquer minoria deve curvar-se ante a maioria e ser assimilada ou então destruída.
Ao falar que os povos indígenas estão se tornando cada mais parecidos conosco, Bolsonaro faz uma comparação esdrúxula tendo por parâmetro seu conceito do que é ser humano como se os indígenas fossem não-humanos, cidadãos de terceira classe ou algum tipo de gente sem qualquer capacidade cognitiva ou cultura própria ou seja, esses povos que nunca saíram completamente do processo de colonização terão um enorme desafio de enfrentar mais uma onda de colonizatória.
Grande parte de nossa cultura veio dos povos indígenas, diluímos isso no cotidiano achando que são coisas comuns mas nomes de ruas, avenidas, praças, comidas, bebidas e até costumes nossos foram herdados desses povos de quem roubamos tudo e não demos nada em troca a não ser bugigangas, doenças, vícios e um eterno não pertencer na casa que um dia foi deles.
É lamentável que tenhamos um Chefe de Estado que seja capaz de quase diariamente proferir algum tipo de absurdo que desafia nossa capacidade de nos surpreender. Pior. Estaríamos chegando ao ponto de normalizar que ele so fala merda e que ele é assim mesmo?
Perigo, Will Robinson!
Ao não mais nos chocarmos com suas frases estapafúrdias estamos anestesiando a nós mesmos e dando carta branca para que ela passe a fazer o que diz. É mais ou menos como ele estivesse nos testando, nossos limites, fala alguma merda e vê nossa reação, como ficamos, se não tem repercussão, ele sabe que aquilo pode virar realidade que nem daremos fé, se pega mal ele volta atrás e diz que foi mal interpretado, que foi a mídia golpista que distorceu tudo, que ele não pode falar nada que sempre vai estar errado.
Não seria mais fácil passar a se comportar como chefe da nação? Tomar mais cuidado com o que fala, como fala e onde fala? Não para ele, seu estilo trator é sua marca e ele não é um presidente, e um sargento que foi colocado ali para por ordem no quartel, age como tal, faz como tal, simples assim.
Uma das última que certamente vai lhe custar algumas lapadas da imprensa é esta aqui. Desde sempre, o messias deixou claro que tem pouco apreço pelos indígenas, a seus olhos são vagabundos mamando nas tetas do Estado, suas terras poderiam ser plantadas ou virar turismo, cambada de inúteis que não produzem nada de bom para a sociedade.
Antes da chegada dos portugueses, contávamos com algo em torno de três milhões de indígenas divididos em cerca de mil povos distintos. Já em 1650 ou seja, em termos históricos pouco depois da colonização, esse número já havia sido reduzido para pouco mais de setecentos mil. Parte desse genocídio se deu devido às doenças trazidas pelos colonizadores contra as quais as populações locais não possuíam imunidade, outro tanto foi vítima da escravidão ou simplesmente morto por esporte por serem considerados pagãos sem alma.
Não bastasse isso, esses povos foram submetidos a 'ocidentalização', eram convertidos ao catolicismo por bem ou por mal, alijados de seus costumes e cultura considerados demoníacos pelos colonizadores e adquiriram vícios como álcool, fumo e drogas conforme o processo de colonização se firmava e avançava.
Dizer que o indígena está evoluindo e que já é quase igual a nós, um ser humano, é uma redução horrenda de um crime hediondo que segue sendo cometido nos dias de hoje. Tornar o índio assimilado na sociedade é roubar o que ainda resta de sua identidade, se é que sobrou alguma, essa fala de Bolsonaro atesta o caráter eugenista de sua proposta de governo onde qualquer minoria deve curvar-se ante a maioria e ser assimilada ou então destruída.
Ao falar que os povos indígenas estão se tornando cada mais parecidos conosco, Bolsonaro faz uma comparação esdrúxula tendo por parâmetro seu conceito do que é ser humano como se os indígenas fossem não-humanos, cidadãos de terceira classe ou algum tipo de gente sem qualquer capacidade cognitiva ou cultura própria ou seja, esses povos que nunca saíram completamente do processo de colonização terão um enorme desafio de enfrentar mais uma onda de colonizatória.
Grande parte de nossa cultura veio dos povos indígenas, diluímos isso no cotidiano achando que são coisas comuns mas nomes de ruas, avenidas, praças, comidas, bebidas e até costumes nossos foram herdados desses povos de quem roubamos tudo e não demos nada em troca a não ser bugigangas, doenças, vícios e um eterno não pertencer na casa que um dia foi deles.
21 de jan. de 2020
O país do futuro (?)
Ontem.
Fui levar alguns livros e revistas para a biblioteca que fica perto de casa, sempre aceitam doações, melhor que vender, dá um sentido de boa ação.
Chegando lá, havia uma senhora já de idade prestando atendimento na recepção e acompanhada do que imagino fosse sua neta, uma criança de cerca de cinco anos ou algo por volta disso. Espevitada, geração nova que parece já ter nascido com a personalidade formada online e dona de sua razão e opiniões incontestes.
Ela se aproxima do balcão meio adulta diz 'pois não' e começa e ver as revistas que levei enquanto a mulher começa a verificar os livros. Depara-se então com uma capa da Piauí onde Bolsonaro beija seu guru Olavo num abraço.
E diz 'eca, não pode isso' e mostra para a avó que a repreende de forma dócil dizendo que pode sim ao que ela retruca 'mas é errado', a senhora retruca que não, errado é desejar ou fazer mal aos outros e que as pessoas são livres para gostarem de quem quiserem; eu mesmo olho para a menina e pergunto 'errado porque?' e ela responde 'porque é', eu digo 'não, não é errado, as pessoas são livres para beijarem e gostarem de quem quiser', ela encerra a discussão talvez por não possuir ainda todo o aparato necessário para manter tal debate ou talvez porque esteja convicta de suas ideias e não deseje debatê-las com sua avó e com uma bixa de esquerda.
O que me preocupa neste cenário é uma criança já ter como certo de que o beijo entre dois homens (e por tabela entre pessoas do mesmo sexo ou qualquer beijo não normativo) seja errado. De algum lugar ela tirou este (pre)conceito, talvez de sua família ainda que sua avó ou mãe ou seja lá o que tentasse lhe explicar o contrário. Se não foi do ambiente familiar, o que me parece mais provável, então desde tenra idade já foi exposta ao discurso de preconceito e homofobia que nessa idade pode até adquirir ares de graça mas que, com o passar do tempo, irá se transformar em intolerância e ódio.
Fico pensando se esta não será a geração que cresceu sob o governo do messias, lavados e alvejados nos ideais conservadores, cristãos e fascistas, seria interessante acompanhar essa criança e ver, dentro de algumas décadas, em que ela se tornou botando fé que a voz da razão de sua tutora tenha se feito ouvir mais forte que as outras que pregam o amor e afeto fora das normas como errados.
Mas, o pensamento mais cruel é a dúvida de quantas outras crianças estão crescendo sob esses mesmos conceitos e ideias ensinados por seus pais, tutores ou expostas a lavagem cerebral conservadora. O estrago que está sendo feito só poderá ser mesurado dentro de alguns anos ou mais e talvez impossível de ser corrigido, estaremos sob o jugo de uma geração de pequenos fascistas que pintam um quadro bem mais horrendo do que o atual.
De arremate, ela se depara com esta capa da Piaui, de certo que jamais lerá tal revista tão afrontosa quando adulta:
E diz levando a revista para a avó 'olha' ao que a outra lhe responde 'e qual o problema?', 'ele tá pelado, não pode', 'ué mas qual o problema, você não toma banho pelada?', 'não, eu tomo banho de calcinha!' rebata na empáfia e indignada com tamanha falta de pudor.
É.
O Brasil é o país do futuro (sombrio).
Fui levar alguns livros e revistas para a biblioteca que fica perto de casa, sempre aceitam doações, melhor que vender, dá um sentido de boa ação.
Chegando lá, havia uma senhora já de idade prestando atendimento na recepção e acompanhada do que imagino fosse sua neta, uma criança de cerca de cinco anos ou algo por volta disso. Espevitada, geração nova que parece já ter nascido com a personalidade formada online e dona de sua razão e opiniões incontestes.
Ela se aproxima do balcão meio adulta diz 'pois não' e começa e ver as revistas que levei enquanto a mulher começa a verificar os livros. Depara-se então com uma capa da Piauí onde Bolsonaro beija seu guru Olavo num abraço.
E diz 'eca, não pode isso' e mostra para a avó que a repreende de forma dócil dizendo que pode sim ao que ela retruca 'mas é errado', a senhora retruca que não, errado é desejar ou fazer mal aos outros e que as pessoas são livres para gostarem de quem quiserem; eu mesmo olho para a menina e pergunto 'errado porque?' e ela responde 'porque é', eu digo 'não, não é errado, as pessoas são livres para beijarem e gostarem de quem quiser', ela encerra a discussão talvez por não possuir ainda todo o aparato necessário para manter tal debate ou talvez porque esteja convicta de suas ideias e não deseje debatê-las com sua avó e com uma bixa de esquerda.
O que me preocupa neste cenário é uma criança já ter como certo de que o beijo entre dois homens (e por tabela entre pessoas do mesmo sexo ou qualquer beijo não normativo) seja errado. De algum lugar ela tirou este (pre)conceito, talvez de sua família ainda que sua avó ou mãe ou seja lá o que tentasse lhe explicar o contrário. Se não foi do ambiente familiar, o que me parece mais provável, então desde tenra idade já foi exposta ao discurso de preconceito e homofobia que nessa idade pode até adquirir ares de graça mas que, com o passar do tempo, irá se transformar em intolerância e ódio.
Fico pensando se esta não será a geração que cresceu sob o governo do messias, lavados e alvejados nos ideais conservadores, cristãos e fascistas, seria interessante acompanhar essa criança e ver, dentro de algumas décadas, em que ela se tornou botando fé que a voz da razão de sua tutora tenha se feito ouvir mais forte que as outras que pregam o amor e afeto fora das normas como errados.
Mas, o pensamento mais cruel é a dúvida de quantas outras crianças estão crescendo sob esses mesmos conceitos e ideias ensinados por seus pais, tutores ou expostas a lavagem cerebral conservadora. O estrago que está sendo feito só poderá ser mesurado dentro de alguns anos ou mais e talvez impossível de ser corrigido, estaremos sob o jugo de uma geração de pequenos fascistas que pintam um quadro bem mais horrendo do que o atual.
De arremate, ela se depara com esta capa da Piaui, de certo que jamais lerá tal revista tão afrontosa quando adulta:
E diz levando a revista para a avó 'olha' ao que a outra lhe responde 'e qual o problema?', 'ele tá pelado, não pode', 'ué mas qual o problema, você não toma banho pelada?', 'não, eu tomo banho de calcinha!' rebata na empáfia e indignada com tamanha falta de pudor.
É.
O Brasil é o país do futuro (sombrio).
20 de jan. de 2020
O ovo da serpente
Talvez não tenhamos dado a devida atenção e importância a esse caso do Roberto Alvim nos perdendo num sem fim de críticas online sem perceber o quadro maior e bem mais grave que temos nas fuças.
Explico.
Alvim pode parecer demente mas garanto que não é, pode soar como fanático religioso recém convertido mas não é, esses tipos de fanáticos que posam de doidos são os piores pois alegando algum tipo ou grau de insanidade acabam conseguindo desculpas por sua conduta abjeta.
Alvim veio do teatro, da arte, acho muito difícil acreditar que tenha sido vítima de um erro cometido por estagiários ou assessores, influências satânicas como até já comentou recentemente ou novamente alguma falha ou ato falho infeliz. Toda a estética do vídeo, sua postura, entonação de voz, enquadramento, discurso, música de fundo, tudo foi milimetricamente pensado para imitar a estética nazi-fascista de propaganda que arrebatou a Alemanha.
Seria preciso uma sequência inimaginável de erros grosseiros e que ele fosse algum tipo de imbecil para ignorar o que estava sendo feito e, sinceramente, não é o caso. Tenho certeza de que ele de forma consciente e proposital elaborou todos o detalhes daquele show de horrores, negará até a morte e talvez algum estagiário ou assistente terá de lhe ceder a cabeça para acalmar os ânimos mas não compro essa inocência ou ato falho de forma alguma e, se você compra, então o imbecil é você pois se anda como um nazi, fala como um nazi e age como um nazi então É UM NAZI PORRA!
Outro fato muito importante, Alvim quase não foi demitido. O messias ficou lá pensando em segurar ele no cargo até que a soma dos fatores fechou a equação e não teve mais como, ou ele queimava o cara ou quem ardia era ele que já anda mais queimado que carvão depois de churrasco. Bolsonaro não deve nem saber quem foi Goebbels e deve ter pensado que se Alvim causou tanto alvoroço então deve ter sido coisa boa tamanha é sua burrica geográfica e histórica.
Alvim só foi demitido porque abriu a caixa de horrores que é esse governo deixando claro qual sua intenção e plano para a nação, foi demitido porque não foi sútil, deu nomes aos bois e disse a real. A ideologia fascista e nazista segue firme e forte no governo do messias vide Damares, Weintraub e outros acólitos que seguem a cartilha mestra do messias e seu clã teocrático de uma revolução conservadora que recolocará o país no caminho da família, tradição e propriedade.
O erro de Alvim foi interpretar as declarações constantes do messias contras negros, gays, mulheres e demais minorias ao pé da letra e colocar isso para o público, enquanto fossem apenas declarações feitas em eventos ou redes sociais fica esse ar de chacota mas quando você faz um vídeo revelando que a inspiração do governo é concordante com esses discursos a coisa fica séria.
Ou não.
Em seu perfil no Face, Alvim recebeu apoio, APOIO! Impressionante (com dois S porque não Ministro da Educação) como não temos memória ou qualquer bom senso, o cara faz um vídeo de apologia ao NAZISMO e recebe APOIO! Mas, não é de impressionar. A PF em conjunto com a inteligência das polícias estaduais tem monitorado um aumento considerável de atividades de grupos neo-nazistas inclusive com manifestações sendo organizadas em apoio ao ex-secretário e ao presidente, como se não bastassem os casos de imbecis usando SUÁSTICAS como se fossem símbolos de orgulho.
Tudo isso acontece porque o governo que temos é um governo FASCISTA E NAZISTA mas age na calada e nas sombras, quando temos um governante que abertamente condena a cultura, as minorias e prega que estas devem ser curvar à maioria, que deixa claro seu plano ufanista de nação cristã, essas parcelas da sociedade que concordam com ele sentem-se mais do que à vontade para mostrar os dentes sem medo de serem repreendidas.
Bolsonaro teve de demitir Alvim a contragosto porque ele já deixou claro que detesta ter de agir quando pressionado pela mídia, pela classe política ou pela sociedade civil ou seja, temos um ditador no poder que só não é ditador ainda por uma questão técnica, ainda temos três anos para que ele seja o pequeno Hitler dos trópicos, basta aguardar e ver.
Neste caso da sociedade civil há que se fazer um adendo e o farei com o maior respeito a comunidade judaica nacional e internacional pois eles foram sempre as maiores vítimas do nazismo e regimes totalitários e seu repúdio ao discurso de Alvim foi sim decisório para que o imbecil de Brasília tomasse sua decisão mas, foi num discurso para a comunidade israelita na Hebraica do RJ que o então apenas deputado proferiu comentário ofensivos e racistas contra quilombolas e mulheres sendo aplaudido e chamado de mito ou seja, guardadas as proporções obviamente, falar mal de negros, viados, mulheres e nordestinos tudo bem? Dois pesos, duas medidas?
O nazi-fascismo segue embrenhado no poder, esse episódio de Alvim certamente serviu para alertar esse povo de que precisam tomar mais cuidado ao falar de seu plano nefasto para o país, tenham certeza de que a partir de agora eles serão mais cuidadosos - ou não porque o grau de imbecilidade deles é tamanho que certamente farão em breve outra merda que nos causará risos de nervoso - com seu discurso mas não se engane, eles seguem lá e cada vez mais cercados de apoiadores travestidos de defensores da mora e bons costumes, cobertos pelo manto da religião, orando pelo fim do mal que atravessa nossa sociedade na figura de bixas, pretos, pobres e tudo mais que não é aceitável numa sociedade utópica que ele anseiam implementar.
O ovo da serpente eclodiu e as cobras estão rastejando bem diante de nossos pés, cabe a nós pisar em suas cabeças antes que elas nos mordam.
Explico.
Alvim pode parecer demente mas garanto que não é, pode soar como fanático religioso recém convertido mas não é, esses tipos de fanáticos que posam de doidos são os piores pois alegando algum tipo ou grau de insanidade acabam conseguindo desculpas por sua conduta abjeta.
Alvim veio do teatro, da arte, acho muito difícil acreditar que tenha sido vítima de um erro cometido por estagiários ou assessores, influências satânicas como até já comentou recentemente ou novamente alguma falha ou ato falho infeliz. Toda a estética do vídeo, sua postura, entonação de voz, enquadramento, discurso, música de fundo, tudo foi milimetricamente pensado para imitar a estética nazi-fascista de propaganda que arrebatou a Alemanha.
Seria preciso uma sequência inimaginável de erros grosseiros e que ele fosse algum tipo de imbecil para ignorar o que estava sendo feito e, sinceramente, não é o caso. Tenho certeza de que ele de forma consciente e proposital elaborou todos o detalhes daquele show de horrores, negará até a morte e talvez algum estagiário ou assistente terá de lhe ceder a cabeça para acalmar os ânimos mas não compro essa inocência ou ato falho de forma alguma e, se você compra, então o imbecil é você pois se anda como um nazi, fala como um nazi e age como um nazi então É UM NAZI PORRA!
Outro fato muito importante, Alvim quase não foi demitido. O messias ficou lá pensando em segurar ele no cargo até que a soma dos fatores fechou a equação e não teve mais como, ou ele queimava o cara ou quem ardia era ele que já anda mais queimado que carvão depois de churrasco. Bolsonaro não deve nem saber quem foi Goebbels e deve ter pensado que se Alvim causou tanto alvoroço então deve ter sido coisa boa tamanha é sua burrica geográfica e histórica.
Alvim só foi demitido porque abriu a caixa de horrores que é esse governo deixando claro qual sua intenção e plano para a nação, foi demitido porque não foi sútil, deu nomes aos bois e disse a real. A ideologia fascista e nazista segue firme e forte no governo do messias vide Damares, Weintraub e outros acólitos que seguem a cartilha mestra do messias e seu clã teocrático de uma revolução conservadora que recolocará o país no caminho da família, tradição e propriedade.
O erro de Alvim foi interpretar as declarações constantes do messias contras negros, gays, mulheres e demais minorias ao pé da letra e colocar isso para o público, enquanto fossem apenas declarações feitas em eventos ou redes sociais fica esse ar de chacota mas quando você faz um vídeo revelando que a inspiração do governo é concordante com esses discursos a coisa fica séria.
Ou não.
Em seu perfil no Face, Alvim recebeu apoio, APOIO! Impressionante (com dois S porque não Ministro da Educação) como não temos memória ou qualquer bom senso, o cara faz um vídeo de apologia ao NAZISMO e recebe APOIO! Mas, não é de impressionar. A PF em conjunto com a inteligência das polícias estaduais tem monitorado um aumento considerável de atividades de grupos neo-nazistas inclusive com manifestações sendo organizadas em apoio ao ex-secretário e ao presidente, como se não bastassem os casos de imbecis usando SUÁSTICAS como se fossem símbolos de orgulho.
Tudo isso acontece porque o governo que temos é um governo FASCISTA E NAZISTA mas age na calada e nas sombras, quando temos um governante que abertamente condena a cultura, as minorias e prega que estas devem ser curvar à maioria, que deixa claro seu plano ufanista de nação cristã, essas parcelas da sociedade que concordam com ele sentem-se mais do que à vontade para mostrar os dentes sem medo de serem repreendidas.
Bolsonaro teve de demitir Alvim a contragosto porque ele já deixou claro que detesta ter de agir quando pressionado pela mídia, pela classe política ou pela sociedade civil ou seja, temos um ditador no poder que só não é ditador ainda por uma questão técnica, ainda temos três anos para que ele seja o pequeno Hitler dos trópicos, basta aguardar e ver.
Neste caso da sociedade civil há que se fazer um adendo e o farei com o maior respeito a comunidade judaica nacional e internacional pois eles foram sempre as maiores vítimas do nazismo e regimes totalitários e seu repúdio ao discurso de Alvim foi sim decisório para que o imbecil de Brasília tomasse sua decisão mas, foi num discurso para a comunidade israelita na Hebraica do RJ que o então apenas deputado proferiu comentário ofensivos e racistas contra quilombolas e mulheres sendo aplaudido e chamado de mito ou seja, guardadas as proporções obviamente, falar mal de negros, viados, mulheres e nordestinos tudo bem? Dois pesos, duas medidas?
O nazi-fascismo segue embrenhado no poder, esse episódio de Alvim certamente serviu para alertar esse povo de que precisam tomar mais cuidado ao falar de seu plano nefasto para o país, tenham certeza de que a partir de agora eles serão mais cuidadosos - ou não porque o grau de imbecilidade deles é tamanho que certamente farão em breve outra merda que nos causará risos de nervoso - com seu discurso mas não se engane, eles seguem lá e cada vez mais cercados de apoiadores travestidos de defensores da mora e bons costumes, cobertos pelo manto da religião, orando pelo fim do mal que atravessa nossa sociedade na figura de bixas, pretos, pobres e tudo mais que não é aceitável numa sociedade utópica que ele anseiam implementar.
O ovo da serpente eclodiu e as cobras estão rastejando bem diante de nossos pés, cabe a nós pisar em suas cabeças antes que elas nos mordam.
17 de jan. de 2020
Heil Jair!
Este é Joseph Goebbels, ministro de propaganda da Alemanha durante os anos do Nazismo.
Goebbels ajudou Hitler a consolidar seu poder e tornar o Nazismo um culto cego ao líder supremo usando a parafernalia do Estado para revisar a história, impor uma nova cultura voltada para o nacionalismo, ufanismo extremo, mitos de heróis teutônicos e da grandeza do povo alemão, tradição, família, povo, uma nação, uma só raça.
Revisou e mudou toda a cultura e aparato educacional para banir qualquer resquício de ideologia que fosse crítica do poderio nazista, a única fonte de informação eram os órgãos estatais, tudo passava por eles e tudo só era publicado ou divulgado com anuência destes.
Esta é parte de um discurso de Goebbels extraída de sua biografia escrita por Peter Longerich:
“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”
Este é o Secretário da Cultura do Governo de Jair (Heil Hitler) Bolsonaro:
Quem controla a narrativa controla o poder.
Pense bem.
Goebbels ajudou Hitler a consolidar seu poder e tornar o Nazismo um culto cego ao líder supremo usando a parafernalia do Estado para revisar a história, impor uma nova cultura voltada para o nacionalismo, ufanismo extremo, mitos de heróis teutônicos e da grandeza do povo alemão, tradição, família, povo, uma nação, uma só raça.
Revisou e mudou toda a cultura e aparato educacional para banir qualquer resquício de ideologia que fosse crítica do poderio nazista, a única fonte de informação eram os órgãos estatais, tudo passava por eles e tudo só era publicado ou divulgado com anuência destes.
Esta é parte de um discurso de Goebbels extraída de sua biografia escrita por Peter Longerich:
“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”
Este é o Secretário da Cultura do Governo de Jair (Heil Hitler) Bolsonaro:
Quem controla a narrativa controla o poder.
Pense bem.
9 de jan. de 2020
Os armários do messias
É no mínimo curioso o ódio que o messias e aqueles que o seguem nutrem para com a comunidade LGBTQ, com se não bastasse toda a gama de problemas e dificuldades que vida já se incumbe de jogar em nosso colo.
Raro o dia em que o messias não fala alguma merda vide este e este caso emblemáticos.
Pessoalmente, antes de considerar tal comportamento como homofóbico, prefiro considerá-lo como manobra política que ecoa diretamente no eleitorado do messias que, paulatinamente, começa a se desfazer ante o total desgoverno e incapacidade sua e de seu séquito em tocar a coisa pública e fazer o pais andar ao invés de ser alvo de escárnio mundial.
Ao atacar os LGBTQ, o messias repete seu discurso de campanha usando a bandeira da moral, costumes e família para alavancar alguma popularidade e apontar possíveis culpados pela situação precária de seu governo, como se as bixas tivessem alguma responsabilidade por ele ser o imbecil que é.
Na outra mão, é inegável a homofobia que suas declarações carregam além do discurso de ódio que promove e incita na população pois, se o governante é capaz de soltar os piores impropérios e desmerecer parcela da sociedade para a qual ele deveria governar com mais atenção e carinho, que dirá o cidadão comum que vai sentir-se no mais absoluto direito de reproduzir o discurso que vem de cima?
Há algo de muito errado nessa fobia e ódio todo e não me parece ter sua causa apenas em preconceito puro e simples o que em si já é altamente condenável. Muito menos em um discurso conservador e fascista de que as minorias devem curvar-se ante a vontade da maioria igualmente execrável e que reflete sim boa parcela da sociedade nacional, infelizmente.
Quando o messias se refere aos gays ele baba, saliva, sua macheza se põe em riste e a testosterona bombeia o sangue. O macho patriarca não pode aceitar a homossexualidade como via de amor porque ela abre um precedente para que o amor e o sexo não sejam mais exclusividades suas e pessoas livres para gozar e amar são muito perigosas porque tem consciência e posse de seus corpos e mentes.
Quando vejo o messias e seus acólitos bradarem palavras de ordem contra os LGBTQ, contra a ideologia de gênero e outras coisas mais que devem sim estar no centro de debates de qualquer sociedade que se entenda como tal, penso na carga de homossexualidade reprimida que eles carregam em si.
Talvez algum amor não concretizado na juventude, uma paixão momentânea por algum colega de escola ou quartel - ambiente onde a homossexualidade reina absoluta mas velada - algum trauma gay que marcou profundamente a vida dessas pessoas para que passassem a considerar os gays como demônios vindos do círculo mais profundo dos infernos.
Não os digo gays enrustidos porque a sexualidade de cada um é tema complexo e delicado mas só consigo conceber tamanho ódio e nojo com base em alguma experiência fatídica e não apenas em teorias ou filosofias adquiridas. Quando não aceitamos o desejo manifestado ele incuba feito um xenomorfo e vai corroendo tudo por dentro até germinar em ódio daquilo que não conseguimos viver, entender ou experimentar por medo ou covardia.
O que se condena é o objeto do desejo não consumado, o amor que não foi feito e o afeto que não foi dado ou retribuído e talvez nem tenha sido culpa deles mas do tecido social que lhes tolheu esse direito e possibilidade. Penso mesmo que os homofóbicos mais radicais e raivosos são os que guardam dentro de si um desejo gay reprimido de tal forma que se torna um buraco negro sugando todo e qualquer amor, afeto ou empatia que gravite a sua volta.
No desespero de não ver seu desejo feito e seu tesão alimentado, essas pessoas desejam ver perecer todo o amor que os outros tem coragem de aceitar e abrir ao mundo sem medo de ser como são e isso dói feito uma ferida aberta no peito deles, nada pior do que o rancor humano, a inveja, a raiva de quem não soube escolher ou não lhe foi dito que havia escolha, de quem renegou o amor e o sexo como coisas sujas e grosseiras por serem fora da curva normativa.
São essas pessoas que hoje governam o país e nós, infelizmente, estamos sendo tragado para dentro de seus armários.
Raro o dia em que o messias não fala alguma merda vide este e este caso emblemáticos.
Pessoalmente, antes de considerar tal comportamento como homofóbico, prefiro considerá-lo como manobra política que ecoa diretamente no eleitorado do messias que, paulatinamente, começa a se desfazer ante o total desgoverno e incapacidade sua e de seu séquito em tocar a coisa pública e fazer o pais andar ao invés de ser alvo de escárnio mundial.
Ao atacar os LGBTQ, o messias repete seu discurso de campanha usando a bandeira da moral, costumes e família para alavancar alguma popularidade e apontar possíveis culpados pela situação precária de seu governo, como se as bixas tivessem alguma responsabilidade por ele ser o imbecil que é.
Na outra mão, é inegável a homofobia que suas declarações carregam além do discurso de ódio que promove e incita na população pois, se o governante é capaz de soltar os piores impropérios e desmerecer parcela da sociedade para a qual ele deveria governar com mais atenção e carinho, que dirá o cidadão comum que vai sentir-se no mais absoluto direito de reproduzir o discurso que vem de cima?
Há algo de muito errado nessa fobia e ódio todo e não me parece ter sua causa apenas em preconceito puro e simples o que em si já é altamente condenável. Muito menos em um discurso conservador e fascista de que as minorias devem curvar-se ante a vontade da maioria igualmente execrável e que reflete sim boa parcela da sociedade nacional, infelizmente.
Quando o messias se refere aos gays ele baba, saliva, sua macheza se põe em riste e a testosterona bombeia o sangue. O macho patriarca não pode aceitar a homossexualidade como via de amor porque ela abre um precedente para que o amor e o sexo não sejam mais exclusividades suas e pessoas livres para gozar e amar são muito perigosas porque tem consciência e posse de seus corpos e mentes.
Quando vejo o messias e seus acólitos bradarem palavras de ordem contra os LGBTQ, contra a ideologia de gênero e outras coisas mais que devem sim estar no centro de debates de qualquer sociedade que se entenda como tal, penso na carga de homossexualidade reprimida que eles carregam em si.
Talvez algum amor não concretizado na juventude, uma paixão momentânea por algum colega de escola ou quartel - ambiente onde a homossexualidade reina absoluta mas velada - algum trauma gay que marcou profundamente a vida dessas pessoas para que passassem a considerar os gays como demônios vindos do círculo mais profundo dos infernos.
Não os digo gays enrustidos porque a sexualidade de cada um é tema complexo e delicado mas só consigo conceber tamanho ódio e nojo com base em alguma experiência fatídica e não apenas em teorias ou filosofias adquiridas. Quando não aceitamos o desejo manifestado ele incuba feito um xenomorfo e vai corroendo tudo por dentro até germinar em ódio daquilo que não conseguimos viver, entender ou experimentar por medo ou covardia.
O que se condena é o objeto do desejo não consumado, o amor que não foi feito e o afeto que não foi dado ou retribuído e talvez nem tenha sido culpa deles mas do tecido social que lhes tolheu esse direito e possibilidade. Penso mesmo que os homofóbicos mais radicais e raivosos são os que guardam dentro de si um desejo gay reprimido de tal forma que se torna um buraco negro sugando todo e qualquer amor, afeto ou empatia que gravite a sua volta.
No desespero de não ver seu desejo feito e seu tesão alimentado, essas pessoas desejam ver perecer todo o amor que os outros tem coragem de aceitar e abrir ao mundo sem medo de ser como são e isso dói feito uma ferida aberta no peito deles, nada pior do que o rancor humano, a inveja, a raiva de quem não soube escolher ou não lhe foi dito que havia escolha, de quem renegou o amor e o sexo como coisas sujas e grosseiras por serem fora da curva normativa.
São essas pessoas que hoje governam o país e nós, infelizmente, estamos sendo tragado para dentro de seus armários.
16 de dez. de 2019
João Silvério e o reino esquecido
Semana passada mais exatamente dia 12/12 - nem tinha me atentado a isso - fui à Biblioteca Mario de Andrade prestigiar Cristina Judar que, junto com outro jornalista que infelizmente me foge o nome no momento, mediaria uma conversa com João Silvério Trevisan.
Em cerca de duas horas - que passaram voando como sempre acontece quando estamos absortos em alguma coisa que nos prende a atenção - Trevisan falou sobre sua carreira, livros, ativismo, alegrias, tristezas, mágoas dando uma verdadeira aula não apenas de vida mas de literatura e conhecimento.
Em qualquer outro lugar, país, cidade, mundo, universo, Trevisan teria falado para um auditório lotado com gente do lado de fora reclamando por não ter conseguido entrar. Seria convidado por universidades, faculdades e outros para palestrar, dar aulas, emérito, ilustre. Teria uma agenda de eventos mais concorrida que a das ditas celebridades instantâneas das mídias sociais e estaria com a vida sossegada podendo finalmente relaxar e deixar-se levar pela literatura que ainda precisa produzir antes que os deuses e deusas do universo resolvam levá-lo para escrever em outros mundos.
Nesse dia não foi o que aconteceu.
Já fui em outros eventos em que ele foi a 'atração principal' e que estavam realmente lotados mas, o que deveria ser constância acaba sendo a exceção e, depois desse bate-papo, tive a certeza de que ele ainda segue correndo atrás de um reconhecimento que, pelo andar da carruagem, vai chegar apenas de forma póstuma o que é lamentável para dizer o mínimo.
Trevisan é um monumento nacional, deveria ser incluso na ABL mesmo já sendo, para quem teve contato com sua obra, um imortal. Poucas pessoas fizeram tanto pelo movimento LGBTQIA+ e seu DEVASSOS NO PARAÍSO seguirá sendo estudado por décadas a fio, simplesmente é o estudo mais amplo e detalhado da homossexualidade no Brasil, qualquer um minimamente interessado em conhecer sua própria história como LGBTQ tem por obrigação ler esse livro ou pode deixar de ser gay e virar hétero no mesmo instante, por favor.
E não apenas DEVASSOS, Trevisan possui uma obra extensa entre romances, contos, roteiros para teatro e cinema sem contar seu ativismo pelos direitos LGBTQs que enfrentou a ditadura e segue enfrentado o status quo tenebroso que se acerca de nós desde este ano fatídico.
Mesmo assim, sua obra segue obscura e rejeitada, é duro ouvi-lo dizer que seus livros não são reeditados, que ele ainda segue recebendo recusas de editoras e diretores, sendo preterido em premiações e homenagens, esquecido feito aquele parente chato que só chamamos em velórios, batizados e casamentos.
Pior, as gerações mais novas - raras exceções - não sabem quem é ele ou sequer ouviram falar de sua importância e relevância o que é de partir o coração e fazer corar de raiva. Se você, eu e todos nós estamos onde estamos, fazemos o que fazemos e temos algum orgulho em sermos LGBTQs - e ainda mais escritores LGBTQs - foi por causa dele e de pessoas como ele que conseguimos tais feitos, sem termos nos apoiado em seus ombros ainda estaríamos rastejando na sarjeta dos héteros.
Temos um problema grave de memória no Brasil, não conhecemos ou valorizamos nosso passado ou quem fez nosso presente e moldou nosso futuro, só reconhecemos esses heróis quando eles morrem e então, passamos a chorar copiosamente sobre seus túmulos e a dar valor ao que deixaram de legado porque então eles passam a existir, quando alguém morre vira notícia e postagem no Face e Insta e aí todos conhecem, amam, admiram, postam e dizem RIP como se fosse a maior homenagem do mundo.
Trevisan ainda está entre nós mas o tempo está contra ele e não digo isso de forma negativa ou agourenta, apenas constato que para ele o tempo corre mais fino feito uma folha de papel vegetal que já foi estendida quase ao máximo. Por sorte, ele ainda está aqui e está começando a receber o reconhecimento e valor que merece e isso estando totalmente lúcido, de mente afiada e com memória cem vezes melhor que a minha ou a de vocês. Me parte o coração vê-lo dizer que mesmo hoje, ainda que eventualmente, passe por dificuldades e que tenha de passar por perrengues para produzir sua arte e levar sua mensagem ao máximo de gente possível.
Eu tenho minha consciência razoavelmente tranquila pois conheço sua obra, já o abracei e disse o quanto ele é importante para mim e para todos nós que temos o privilégio de viver no mesmo tempo que ele.
Se você tem um pingo de dignidade e orgulho de ser LGBTQ, recomendo que você tente fazer o mesmo.
Em cerca de duas horas - que passaram voando como sempre acontece quando estamos absortos em alguma coisa que nos prende a atenção - Trevisan falou sobre sua carreira, livros, ativismo, alegrias, tristezas, mágoas dando uma verdadeira aula não apenas de vida mas de literatura e conhecimento.
Em qualquer outro lugar, país, cidade, mundo, universo, Trevisan teria falado para um auditório lotado com gente do lado de fora reclamando por não ter conseguido entrar. Seria convidado por universidades, faculdades e outros para palestrar, dar aulas, emérito, ilustre. Teria uma agenda de eventos mais concorrida que a das ditas celebridades instantâneas das mídias sociais e estaria com a vida sossegada podendo finalmente relaxar e deixar-se levar pela literatura que ainda precisa produzir antes que os deuses e deusas do universo resolvam levá-lo para escrever em outros mundos.
Nesse dia não foi o que aconteceu.
Já fui em outros eventos em que ele foi a 'atração principal' e que estavam realmente lotados mas, o que deveria ser constância acaba sendo a exceção e, depois desse bate-papo, tive a certeza de que ele ainda segue correndo atrás de um reconhecimento que, pelo andar da carruagem, vai chegar apenas de forma póstuma o que é lamentável para dizer o mínimo.
Trevisan é um monumento nacional, deveria ser incluso na ABL mesmo já sendo, para quem teve contato com sua obra, um imortal. Poucas pessoas fizeram tanto pelo movimento LGBTQIA+ e seu DEVASSOS NO PARAÍSO seguirá sendo estudado por décadas a fio, simplesmente é o estudo mais amplo e detalhado da homossexualidade no Brasil, qualquer um minimamente interessado em conhecer sua própria história como LGBTQ tem por obrigação ler esse livro ou pode deixar de ser gay e virar hétero no mesmo instante, por favor.
E não apenas DEVASSOS, Trevisan possui uma obra extensa entre romances, contos, roteiros para teatro e cinema sem contar seu ativismo pelos direitos LGBTQs que enfrentou a ditadura e segue enfrentado o status quo tenebroso que se acerca de nós desde este ano fatídico.
Mesmo assim, sua obra segue obscura e rejeitada, é duro ouvi-lo dizer que seus livros não são reeditados, que ele ainda segue recebendo recusas de editoras e diretores, sendo preterido em premiações e homenagens, esquecido feito aquele parente chato que só chamamos em velórios, batizados e casamentos.
Pior, as gerações mais novas - raras exceções - não sabem quem é ele ou sequer ouviram falar de sua importância e relevância o que é de partir o coração e fazer corar de raiva. Se você, eu e todos nós estamos onde estamos, fazemos o que fazemos e temos algum orgulho em sermos LGBTQs - e ainda mais escritores LGBTQs - foi por causa dele e de pessoas como ele que conseguimos tais feitos, sem termos nos apoiado em seus ombros ainda estaríamos rastejando na sarjeta dos héteros.
Temos um problema grave de memória no Brasil, não conhecemos ou valorizamos nosso passado ou quem fez nosso presente e moldou nosso futuro, só reconhecemos esses heróis quando eles morrem e então, passamos a chorar copiosamente sobre seus túmulos e a dar valor ao que deixaram de legado porque então eles passam a existir, quando alguém morre vira notícia e postagem no Face e Insta e aí todos conhecem, amam, admiram, postam e dizem RIP como se fosse a maior homenagem do mundo.
Trevisan ainda está entre nós mas o tempo está contra ele e não digo isso de forma negativa ou agourenta, apenas constato que para ele o tempo corre mais fino feito uma folha de papel vegetal que já foi estendida quase ao máximo. Por sorte, ele ainda está aqui e está começando a receber o reconhecimento e valor que merece e isso estando totalmente lúcido, de mente afiada e com memória cem vezes melhor que a minha ou a de vocês. Me parte o coração vê-lo dizer que mesmo hoje, ainda que eventualmente, passe por dificuldades e que tenha de passar por perrengues para produzir sua arte e levar sua mensagem ao máximo de gente possível.
Eu tenho minha consciência razoavelmente tranquila pois conheço sua obra, já o abracei e disse o quanto ele é importante para mim e para todos nós que temos o privilégio de viver no mesmo tempo que ele.
Se você tem um pingo de dignidade e orgulho de ser LGBTQ, recomendo que você tente fazer o mesmo.
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