9 de ago. de 2011

rápido e rasteiro

Amigo diz em seu FB que as atuais gerações consideram já músicas do ano passado como relíquias, como nós, estes que me acompanham na faixa etária, consideramos o que ouvíamos nos 80, 70 ou mesmo antes disso respeitadas as dimensões temporais.

Porém, parece que ao invés de modismo transmuta-se em fato esse paladar voraz do qual não compartilho. Há hoje um imediatismo tão imperativo e dominante que as pessoas não se dão mesmo ao trabalho de ouvir, ler, pesquisar, saber, conhecer, entender seja lá o que for a fundo e acabamos, parafraseando certa música, 'eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal'.

Há que se ter tudo mastigado e pronto e se faz a opção por coisas prontas e de fácil assimilação, na música, já li gente dizendo que hoje se ouve efetivamente menos música do que há dez anos posto que ela precisa, já nos primeiros acordes, captar a atenção ou é deixada de lado. A facilidade com se baixa música pela rede e a comodidade de montarmos listas com aquilo que nos agrada aos ouvidos é, sem dúvida, incrível e eu mesmo me rendo a isso mas, não estaríamos abandonando um contato mais íntimo com um disco? Com o conjunto que aquelas músicas na sequência deseja passar?

Acabamos montando um pequeno monstro que não tem mesmo a cara de nada e perdemos então algumas preciosidades e preciosismos, acho eu. Não sou contra esse imediatismo da rede, acho mesmo que o formato com gravadoras está fadado ao fim mas, me parece consumirmos tudo tão rápido e a abundância é tanta que não estamos sentindo o gosto das coisas que pomos nos cinco sentidos.

Isso ainda vai na soma de que ser descolado, articulado, 'indie' é conhecer tudo que nem mesmo se conhece e quando as pessoas comentam você meio que acha aquilo muito 'last season', pode não ser a cultura dominante nas massas mas desenha bem o caráter descartável de um geração que preza mais quantidade à qualidade e que enxerga nesse binômio seu ideal de vida.

Que a rede permite mesmo um acesso indiscriminado e imenso à informação não há dúvida mas, o que se faz com tanta informação, esse creio ser o problema. É tanta que banalizou e, como no mercado, quando a oferta é excessiva, vira carne de vaca e todos perdemos o real valor das coisas.

4 comentários:

  1. É triste que toda uma geração esteja se perdendo assim, mas eu vejo que tudo é tao voraz que o hoje já está velho demais!

    Beijos meu querido, parabéns por mais um oportuno post!

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  2. texto perfeito, análise perfeita.

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  3. eu sei de quase tudo um pouco e de quase tudo mal

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  4. Pois é Melo, o povo estava discutindo o que é o tal "indie" e eu cheguei à conclusão que é o artista cuja obra só é conhecida por 6 pessoas... chegou a sétima, já é "popular demais". Eu gosto de música estranha, mas acho uma grande bobagem se deixar levar não pela obra, mas pelo "status" do artista. E estendo isso às artes em geral. Há ótimo cinema em Hollywood e no Irã, há ótima música na Lady Gaga e na banda de fundo de garagem.
    O que me irrita nesse povo indie é esse desespero de ser o descobridor da "nova novidade da semana". isso, para mim, não é gostar de música...

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