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Controvérsia

Alguns discos parecem premonitórios e até mesmo proféticos e sabemos que ainda são atuais quando submetidos a pressão dos anos, eles seguem (guardadas algumas proporções) atuais.
Em 1981, Price lança seu quarto disco 'CONTROVERSY'. Pode parecer um feito meno para quem conhece a carreira do gênio mas, era seu quarto disco e ele ainda cuidadosamente tateava seu meio para ver quais caminhos seguir.
De certa forma, este disco é uma ponte entre o anterior 'DIRTY MIN' e o seguinte '1999' que alçou Prince ao estrelato (Purple Rain o elevaria ao mega-estrelato), como se ele estivesse elaborando um rascunho de '1999' pois muito da sonoridade deste é percebida em 'CONTROVERSY'. O disco em si é relativamente curto, oito faixas mas Prince já desenhava suas baladas de amorsexo extensas e cheias de erotismo em 'DO ME, BABY' e quase extrapolando os limites do vinil em termos de tempo com outra faixa extensa, a que dá título ao disco.
O sentido premonitóri…
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Liga/Desliga

Quando apaguei a luz, senti algo morno escorrer pela nuca como se uma gota de chocolate quente escorresse da base do crânio espinha abaixo, lambendo os poros feito dedos melados.Sacudi a cabeça levemente como para desfazer-me daquela sensação incômoda e fui deitar. A cama estava fria mas não gelada, acomodei-me entre os lençóis e aos poucos cheguei a um estado onde as temperaturas estavam iguais e não havia mais como dar ou receber calor.Mudo, encarei o teto buscando alguma forma de ter respostas para perguntas que eu não sabia como fazer. Jurava ter ficado assim por horas mas quando olhei para o relógio na mesa de cabeceira, míseros dez minutos tinham corrido. Soltei um impropério qualquer e sentei-me na cama, os pés roçando o piso frio no escuro, o relógio mudando seus números devagar como se esperando que eu dormisse para poder fazer o mesmo.A sensação de algo quente deslizando nuca abaixo voltou e, instintivamente, levei a mão direita até o local, talvez uma picada de algum inseto…

Bolo Fascista Simples (qualquer gado consegue fazer)

1 capitão messiânico demente 3 filhos cheios de ódio 1 neoliberal 1 ministro da educação burro 1 ministro dos direitos humanos fascista 1 gabinete de fake news 6 dúzia de desinformação Internet a gosto
Modo de preparo:
Primeiro, com um golpe, retire a primeira presidente mulher do país, coloque em seu lugar um morto-vivo e aos poucos, vá marinando esse mistura com ameaças de comunismo e esfacelamento da família tradicional, moral e costumes.
Separe o capitão messiânico e vista-o com as roupas de autêntico, fala o que pensa e salvador da pátria. Misture a 57 milhões de imbecis que compram a ideia de brazil great again e, com pitadas de trump, eleja.
Depois, acrescente os três filhos e faça com que eles governem mais que o capitão e assegure que sempre estejam questionando a democracia, as instituições, promovendo o caos e incitando o ódio. Acrescente um pouco de milícia para dar gosto e uma ou duas pitadas de verborragia anal para encorpar.
Bata o ministro neoliberal que deseja ver as minorias mor…

Vazando

Hoje acordei atrasado de um sonho sólido e me desfiz líquido no chuveiro enquanto batia uma e me esvai junto com a porra que íamos pelo ralo enquanto eu me escorava nos azulejos molhados com as mãos escorregando e o peito arfando e a água caindo na minha cabeça e correndo pelo pescoço braços tronco pernas pau e porra e fazendo um pequeno torvelinho no ralo que não dava vazão porque era muita água e muita porra e eu achei que estava me esvaindo em sêmen mas eu já tinha gozado então de onde saia aquela porra toda essa porra toda que todo dia é a mesma porra e que porra é essa que é sempre a mesma branca sem gosto sem cheiro sem cor ou branco são todas as cores não preto que é é mas porra que cor é todas as cores e porra que tem de ser a mesma porque não pode sair diferente pra gente poder ter algum gosto porra algum novo porra e eu tinha de tomar café e comer pão e fruta porque porra fibras e alimento é bom e tem de ser balanceado porra também (?) mas eu bato todo dia de manhã no chuvei…

Elevado

Dia Quente Mormaço Suor Gruda Escorre Seca Debaixo do braço Dois estigmas Não Cristo Não Diabo Não Nada Só gente Seca Úmida Pegajosa Viscosa Velcro líquido Liquida Ação Morte em vida Se vê rima
Vai para a rua que vai para a o ponto que vai para o ônibus que vai para o aperto que vai para o cheiro de gente que vai para o ar estagnado que vai parar que vai descer que vai sair que pede licença que esbarra e xinga que sai amarrotado que vai para o ponto que volta para a rua que vai para o prédio que vai para a porta que gira e gira e gira e gira e vomita gente dentro e fora
Fila Elevador Imensa Gente atrás Gente Vai um por vez que é muita Gente que vai atrás Gente que vai indo que vai entrando Um por Um por Um por todos e Todos por nem um e vai a fila e Ele vai Indo Com a fila com o fluxo com aquela sangria de gente Com aquele rio de Morto por dentro Por fora também há mortos Por dentro há mais Por onde anda a vida e a Morte vai na fila Olhando cada um e Sentindo que chega a sua vez Entra n…

Quando tudo vai mesmo acabar

Eu sou uma pessoa curiosa e a que ama a ciência.
Se todos nós nos apegássemos mais a ela do que a religiões, talvez o mundo fosse um lugar menos sombrio e pouco favorável aos Bolsonaros da vida mas, as coisas são como são e a ciência também entende isso.
Não costumo pensar muito sobre a morte, algumas vezes mas não é algo recorrente e, quando tal medo me assalta, em geral não é pelo fato de minha existência cessar, temer pelo fim, medo da morte como algo aterrador ou nefasto ou um desejo inexorável de seguir vivendo e fazer qualquer coisa para conseguir isso.
Obviamente não digo que não a temo, não me agrada nada pensar que tenho data de validade e que minha inexistência será pouco ou nada percebido pela marcha do tempo e da vida e ainda assim, não é isso que me amedronta mas coisas simples como pensar em como ficará meu amor, meu marido que é parte de mim e de minha vida, se ele vai estar bem e poderá seguir com sua vida e não por algum tipo de egoísmo de que sua vida, sem  mim, possa s…

Memórias elétricas

Não sei bem porque mas hoje, lembrei de algo que se passou comigo e meu pai.
Nada especial causou tal lembrança, ao menos não de forma consciente. Simplesmente a lembrança pipocou em minha mente. Deve ser efeito da quarentena, as pessoas andam sentindo, sonhando e pensando coisas bem estranhas esses dias.
A lembrança, a ela.
Meu pai trabalhou por grande parte de sua vida no Departamento Aeroviário do Estado de SP e parte de sua incumbência era, regularmente, viajar para inspecionar aeroportos pequenos e aeródromos no estado. Em tais viagens, a família quase sempre ia a tira colo pois a hospedagem era bancada pelo estado e, quando digo bancada pelo, estado leia-se que ficávamos em alguma casa ou apartamento fornecido pelo estado sendo todo o resto custeado pela família. Algumas vezes, na impossibilidade de acomodação de todos, meus pais pagavam o hotel de seus bolsos.
Fizemos muitas viagens assim. Lembro de uma feita de trem para alguma cidade do interior que me foge o nome, quando viagens…